Vale tentou impedir que representante do Papa chegasse até a lama de Brumadinho
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21/05/2019 Conferência da Família Franciscana do Brasil, Arquidiocese de Belo Horizonte. Dom Total e Frei Fábio L’Amour Ferreira, OFM Notícias Vale tentou impedir que representante do Papa chegasse até a lama de Brumadinho
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No sábado, dia 18, as comunidades do Córrego do Feijão e Parque da Cachoeira, em Brumadinho, receberam monsenhor Bruno-Marrie Duffé, representante do papa Francisco, que participou de uma Celebração com os fiéis. A Celebração reuniu pessoas das diversas comunidades atingidas, moradores levaram ao altar produtos cultivados nas comunidades rurais da cidade e lembranças das vítimas da tragédia.

Em seguida, o Monsenhor saiu acompanhado pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte dom Vicente, junto com moradores, em procissão pelas ruas de Córrego do Feijão. Durante a caminhada, os nomes de todas as vítimas foram lembrados. A ideia era levar o representante do Vaticano até um ponto que foi atingido pela lama, mas a rua foi interditada pela Vale. Ele não conseguiu ver de perto os estragos provocados pela lama.

Monsenhor Bruno-Marrie ouviu testemunhos de fiéis que perderam familiares em consequência do rompimento da barragem. Emocionado,  partilhou: “consigo imaginar a dor do povo de Brumadinho e trago, a pedido do papa, uma mensagem de esperança. Crendo que, no Córrego do Feijão, está o coração da Igreja e da humanidade”. O Monsenhor convidou o povo de Brumadinho a se tornar “profeta que anuncia um tempo novo, que consola e luta por um mundo mais justo, combatendo a ganância”.

Frei Fábio L’Amour Ferreira, OFM esteve presente na procissão e contou que a Vale colocou uma barreira impedindo o acesso mais próximo do local. Para impedir a procissão, a mineradora usou grades e dois carros que barram o local.

"Quando a comunidade do Córrego do Feijão chegou em procissão ao caminho de acesso à lama do crime provocado da Vale, já próximo ao local, fomos surpreendidos por um bloqueio de metal colocado na rua impedindo o avanço da procissão. Igualmente, dois carros com funcionários de segurança colocados no meio da rua impediam a procissão de se aproximar. O clima era de oracão e comoção e muitos choravam a perda seus seus entes queridos, lembrados, um a um, durante a procissão. Fizemos o ato ali mesmo, diante do bloqueio, sem querer entrar em confronto com os funcionários da Vale. Não havia clima para um confronto, mas nos perguntamos, no entanto, que direito tinha a Vale de barrar a aproximação de uma procissão religiosa com o representante do Papa Francisco, para rezar pelas vitimas naquele lugar que a Vale mesma provocou tantas mortes? As perguntas são muitas e seguem sem resposta..." (Frei Fábio L’Amour Ferreira, OFM)

Veja as fotos e vídeos da procissão e da barreira.

 

Já na comunidade do Parque da Cachoeira, a Vale tentou novamente bloquear a procissão e impedir o representante do Papa de chegar na lama. Contudo, a comunidade, o monsenhor Duffé, padres, religiosos e religiosas não pararam diante da barreira e chegaram até a lama. A Vale  não conseguiu impedir que se abençoasse a lama, campo santo de tantas vidas.

Monsenhor Duffé abençoou essa grande sepultura de vidas humanas, fruto da ganância das corporações. O povo rezou pela vida, por suas lutas e dignidade. Ficou demostrado que nada segura o povo, o amor de Deus e a vontade de mudar a realidade.

Cruz peitoral do Papa Francisco percorrerá as casas dos moradores de Brumadinho vítimas do rompimento da barragem de rejeitos de minério

A comunidade de Brumadinho recebeu um presente muito especial do Papa Francisco: a sua cruz peitoral, entregue pelo monsenhor Bruno Marie Duffè , enviado do Papa, como sinal de sua solidariedade e preocupação com as vítimas do rompimento da barragem no Córrego do Feijão. Essa cruz passará pelas casas das famílias das comunidades de Brumadinho e depois ficará exposta no memorial Minas de Esperança, que será o campanário do Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Rosário.

O monsenhor Duffé, Secretário do Vaticano para Desenvolvimento Integral do Vaticano, reafirmou, na visita a Brumadinho, o compromisso do Vaticano no apoio e defesa das comunidades que defendem seus territórios da mineração. Criticou com veemência o liberalismo que tem o dinheiro como prioridade, sem se preocupar com as pessoas e a natureza.

Em visita à comunidade de Córrego do Feijão, o representante do Papa Francisco ouviu testemunhos das pessoas que perderam familiares e seus meios de sobrevivência, em consequência do rompimento da barragem.

Relembrando as palavras do Papa Francisco, monsenhor Duffé ressaltou a importância de se começar pensando na proteção da vida, para que seja possível pensar no futuro. “ De outro modo, não é possível desenvolver um novo paradigma, um novo modelo. E não é possível que a lei seja a lei do dinheiro e só do dinheiro”.

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