Três novos santos revelam as convicções do Papa Francisco
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23/06/2020 A reportagem é de Inés San Martín, publicada em Crux, 22-06-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto (via IHU) Notícias Três novos santos revelam as convicções do Papa Francisco
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O Papa Francisco divulgou na sexta-feira passada, 19, as causas de canonização de algumas figuras que, à primeira vista, podem parecer relevantes apenas para pequenos bolsões dentro da Igreja Católica.

Três em particular, vindos da Venezuela, Argentina e Itália, se destacam: um é leigo, um bispo e uma religiosa. Todos os três foram declarados “bem-aventurados” pelo papa, passo preliminar para a santidade. Dos dois primeiros, Francisco reconheceu um milagre atribuído à sua intercessão, enquanto a irmã religiosa foi declarada mártir – ela foi morta em um ritual satânico –, e, portanto, nenhum milagre foi necessário.

A declaração vaticana dizia que o novo lote de “bem-aventurados” representa a América do Sul e a Europa com seu “desejo de servir aos pobres, à nação e aos jovens”.

José Gregorio Hernández Cisneros, médico venezuelano dos pobres

Nascido em 1864, esse médico morreu em 1919 após ser atropelado por um carro. Ele se tornou muito conhecido pelo seu trabalho com os pobres durante a pandemia da gripe espanhola há um século. O fato de a beatificação ter sido anunciada durante a pandemia da Covid-19 foi algo sublinhado por muitos na Venezuela.

“No meio da pandemia da Covid-19 que afeta o mundo, no meio dessa terrível crise que a nossa pátria está vivendo, recebemos hoje um bálsamo dessa pessoa que nos une”, disse o cardeal Baltazar Porras, de Caracas, em uma entrevista coletiva.

Hernández se formou como médico em 1888, viajou para Paris com uma bolsa de estudos do governo, onde estudou diversas áreas da medicina, incluindo Patologia, Microbiologia e Fisiologia. Entre 1891 e 1916, Hernández se dedicou ao ensino, à medicina e à prática religiosa.

Duas vezes em sua vida, ele ingressou no seminário, mas um governo ditatorial, primeiro, e a sua saúde debilitada, depois, o impediram de seguir esse caminho. Em vez disso, ele se tornou franciscano secular e, seguindo o espírito de São Francisco, concentrou grande parte do seu ministério nos pobres, tratando-os de graça e até comprando remédios com o seu próprio dinheiro.

Conhecido por ajudar os necessitados, o novo bem-aventurado venezuelano é especialmente admirado em um país que sofre um colapso econômico de seis anos, com a maior taxa de hiperinflação do mundo e com escassez de bens básicos.

A Igreja de La Candelaria, em Caracas, onde estão os seus restos mortais, celebrou o anúncio com fogos de artifício e com uma vigília de oração.

Mamerto Esquiú, o bispo argentino que defendeu o nacionalismo

O Frei Mamerto Esquiú se juntou aos franciscanos quando tinha 10 anos, embora os livros de história afirmem que ele usou o tradicional hábito marrom pela primeira vez aos cinco anos de idade – tendo ficado gravemente doente, sua mãe lhe fez uma pequena batina e prometeu que sempre a vestiria nele, pedindo a sua cura.

Nas palavras do historiador da Igreja Roberto Bosca, “o nome de Esquiú, por várias razões, é pouco conhecido hoje em seu próprio país. Ele foi um humilde frei franciscano e, portanto, possuía uma sensibilidade completamente estranha à daqueles que buscam glória ou poder”.

“Embora ofuscado por uma sensibilidade secular, ele pode ser considerado uma figura de primeira ordem na organização institucional da nação argentina, cujas fundações ele contribuiu para cimentar”, disse Bosca ao Crux. “Ele não escreveu grandes obras políticas nem ocupou altos cargos: sua influência foi mais silenciosa, mas também mais profunda, porque constitui um pensamento profundo dentro das consciências. Estamos imersos no barulho, mas o mais importante não é aquilo que faz mais barulho.”

Vários aspectos da vida de Esquiú ilustram esse ponto. O mais conhecido é a sua contribuição com uma constituição nacional precária, por meio de um famoso sermão na igreja matriz de San Fernando del Valle de Catamarca, no dia 9 de julho de 1853.

“Nesse sentido, Esquiú aparece como um mestre de civilidade que lhe permite ser considerado um precursor da encíclica Centesimus annus, de João Paulo II [1991], quando ele diz que a Igreja respeita a autonomia legítima da ordem democrática, mas não expressa preferências por uma ou outra solução institucional ou constitucional”, afirmou Bosca. “A encíclica ressalta que a Igreja aprecia o sistema democrático na medida em que garante uma participação adequada dos cidadãos.”

De acordo com Bosca, o futuro santo entendeu isso “melhor do que outros bispos que o sucederam”.

A dimensão política da fé de Esquiú, disse Bosca, não significava então, nem significa agora, politização da Igreja.

“Na vida de Esquiú, há uma distinção entre as duas esferas, mas, ao mesmo tempo, a fé informa uma performance pública que não é partidária”, afirmou Bosca. “No que diz respeito à história da Argentina, as ordens religiosas estão intimamente ligadas ao nascimento da nação. De fato, há um convento na região norte do país que proclama corajosamente em sua entrada que ‘estávamos aqui antes da existência da Argentina’.”

“Parece-me que o Papa Francisco quer que eles sejam considerados por todos com essa beatificação, mas não apenas em um sentido histórico, mas também em um sentido prospectivo, olhando para o futuro”, disse Bosca.

“Os cristãos na Argentina e também no mundo em geral precisam estar cientes de que a fé tem uma dinâmica transformadora muito superior à de todos os programas políticos, que é a força do amor”, disse ele. “O novo bem-aventurado encarna claramente essa mensagem.”

Maria Laura Mainetti, um lembrete da convicção do papa sobre Satanás

A Ir. Maria Laura Mainetti, da Congregação das Irmãs da Cruz, foi assassinada no ano 2000 por três adolescentes italianas em um ritual satânico. As meninas pretendiam apunhalar 18 vezes a mulher de 60 anos – seis vezes cada uma, para formar 666, chamado de “número da Besta” no livro do Apocalipse. No entanto, uma autópsia revelou que ela foi esfaqueada realmente 19 vezes com uma faca de cozinha.

As assassinas de Mainetti foram condenadas e presas, mas reportagens italianas observam que, depois de alguns anos na prisão, todas estão livres agora, com novos nomes e morando em grandes cidades italianas. Uma delas, supostamente, trabalhou como babá por um tempo.

De acordo com algumas lembranças da morte de Mainetti, as suas últimas palavras foram um apelo para que Deus perdoasse as suas assassinas.

O ministério da irmã se focava em ajudar jovens delinquentes, mas as três jovens que a mataram não tinham antecedentes criminais. No entanto, os relatórios policiais falam de cadernos com textos satânicos e um juramento de sangue feito meses antes do assassinato. Durante o interrogatório, elas confessaram que seu alvo original era o pároco, mas, vendo que ele era mais corpulento, elas temiam que ele fosse muito difícil de matar.

A decisão de Francisco de declarar que a morte de Mainetti ocorreu “in odium fidei”, ou seja, por ódio à fé, serve como um lembrete de que mais de 200 milhões de cristãos enfrentam a perseguição religiosa diariamente, e não apenas em lugares onde eles representam uma minoria. Como ele observou no Ângelus nesse domingo, 21, mais cristãos são martirizados hoje do que nos primeiros séculos da Igreja.

A violência baseada na fé e Satanás, acredita Francisco, estão realmente relacionados: em 2017, e várias vezes desde então, ele disse que o diabo está por trás da perseguição anticristã.

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