Roteiro Homilético para a Santíssima Trindade – 27 de maio
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26/05/2018 Por Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj (via Vida Pastoral) Notícias Roteiro Homilético para a Santíssima Trindade – 27 de maio
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I. Introdução geral

  • Ó Trindade imensa e una
  • (Apresentação das Ofertas)
  • CD Festas Litúrgicas I – Faixa 19
    L. e M.: Ir. Miria T. Kolling

Foi Pentecostes que levou os discípulos a reler a vida de Jesus e perceber naquele homem de Nazaré um excesso de significado, pois notaram que havia algo mais naquela existência humana, uma origem divina. A fé no Deus trinitário surgiu da releitura da vida de Jesus na sua relação com o Pai e com os seres humanos. A Encarnação, a Unção para o ministério público e a Ressurreição constituem os momentos principais da atividade do Espírito Santo na vida de Jesus. Isso significa que o vínculo que Jesus demonstra ter com o Pai e com os seres humanos é realizado pela ação do Espírito Santo. Jesus veio para fazer a vontade do Pai e a discernia em oração sob a ação do Espírito, que o conduziu em todos os momentos. O evangelho, a boa-nova para a humanidade acerca de um reino de fraternidade e paz, é proclamado e instaurado por Jesus no poder do Espírito Santo.

O Deus dos cristãos se revela como dom, entrega pessoal e comunhão plena, na qual fomos convidados a entrar desde agora com base no amor efetivo a Deus e ao próximo, para que, no fim dos tempos, cheguemos à plenitude deste dar e receber amor. Na vida de Jesus, foi-nos revelado que Deus é Pai, pois tem um Filho com o qual forma uma comunhão única. Tal revelação nos foi dada pelo influxo do Espírito Santo sobre nossa consciência. O conhecimento dessa comunhão é a fonte de toda a vida cristã, tanto no que se refere à oração quanto à vida comunitária e à atividade missionária.

Comentário dos textos bíblicos

1. Evangelho (Mt 28,16-20): Batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo

O Deus que se revela no Novo Testamento não é diferente daquele que caminhou com o povo de Israel. Trata-se do mesmo Deus justo e misericordioso desde toda a eternidade. Contudo, a revelação desse Deus que é comunidade de amor pertence apenas ao Novo Testamento, pois, com a vinda de Cristo, Deus se revelou ao ser humano no mistério de sua vida íntima e entrou doravante em relação com a humanidade não apenas como Deus único, Senhor e criador, mas também como comunidade de amor. Deus é Pai que nos ama como filhos e filhas em seu Filho único e na comunhão do Espírito Santo.

Além disso, o privilégio da filiação não está reservado a um só povo, mas estendeu-se a todo aquele que aceitar a mensagem de Jesus. Com efeito, antes da ascensão, Cristo havia dado aos discípulos o mandamento de evangelizar todas as nações e batizá-las “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (v. 19).

Cada ser humano entra em relação com essa Comunidade Divina de amor mediante o batismo, mergulho na vida, morte e ressurreição de Cristo. Por esse mergulho renasce a vida nova e cada um torna-se incorporado a Cristo. Sendo membro de Cristo, torna-se filho no Filho, participante da família divina. É templo do Espírito Santo, que infunde no cristão o espírito de adoção. Perante Deus, o cristão é um filho introduzido na intimidade da vida trinitária, a fim de que viva na história o reflexo daquela comunhão existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Eis a missão dos discípulos de Jesus: efetivar neste mundo o Reino de fraternidade universal, fazendo acontecer a grande família humana, a exemplo da família divina, da qual somos imagem e semelhança.

2. I leitura (Dt 4,32-34.39-40): O primogênito dentre as nações 

A fé no Deus trinitário não pertence ao Antigo Testamento, o qual se limita a proclamar a unicidade do Deus “vivo e verdadeiro” em oposição aos ídolos de morte. A primeira leitura tirada do livro do Deuteronômio nos oferece grande ensinamento sobre o Deus único. O Deus da aliança está “lá em cima no céu e aqui embaixo na terra; e não há outro” (v. 39). Essa verdade tinha de ser constantemente lembrada a Israel por causa de seus vizinhos, povos politeístas, adoradores de muitos ídolos. Repetir constantemente essa verdade ajudava Israel a não cair na tentação da idolatria. Portanto, uma geração deveria contar à geração seguinte os feitos do Senhor, porque dessas narrativas o povo tirava a força para perseverar na fé.

O povo de Israel conservava na memória, principalmente litúrgica, os feitos do Senhor: seus atos de poder e de glória, mas também a constante presença divina, atraindo o ser humano para si e o defendendo de todo mal. Um Deus soberano no céu e libertador na terra. Um Deus que desceu para redimir os escravos no Egito. Um Deus tão próximo, que fez um pacto, uma aliança de amor e fidelidade com os descendentes de Abraão, ínfimos a tal ponto que nem sequer eram conhecidos como um povo, por serem considerados apenas escravos fugitivos.

Era um Deus totalmente diferente dos ídolos das demais nações, pois amava os hebreus, os quais, aos olhos do mundo, eram pessoas insignificantes, seminômades que atravessavam o deserto indo de um oásis a outro. Entretanto, Deus conduziu Israel como um pai conduz um filho, tirando-o dentre as nações e o constituindo um povo para si.

3. II leitura (Rm 8,14-17): Pelo Espírito clamamos Abbá, Pai

O texto que lemos ressalta de maneira particular a ação do Espírito Santo na filiação divina do ser humano: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus” (v. 16).

O Espírito Santo nos foi enviado para nos transformar interiormente e nos conformar à imagem do Filho. Trata-se de uma regeneração íntima, verdadeiro renascimento espiritual. O Espírito Santo é autor e testemunha que, infundindo no ser humano a íntima convicção de que é filho de Deus, o encoraja a amá-lo e invocá-lo como Pai.

Mas para que o poder do Espírito Santo possa cumprir essa obra de filiação, o ser humano necessita deixar-se guiar por ele à luz de Jesus Cristo, que em todo o seu agir foi movido pelo Espírito. Dessa forma, “todos os que se deixam guiar pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (v. 14).

Não há nenhum louvor mais agradável à Comunidade Divina que nossa abertura à ação do Espírito. Essa ação nos faz participantes da mesma obediência de Jesus à vontade do Pai. E nos faz servos de nosso próximo como Jesus o foi. É assim que demonstramos nossa fé trinitária, na vivência cotidiana conduzida pelo Espírito, configurando nosso agir ao agir de Cristo no serviço aos irmãos e em obediência à vontade do Pai.

III. Pistas para reflexão

É muito salutar que o presidente da celebração não se aventure a explicar de modo abstrato o dogma da Trindade, correndo o risco de dizer heresias e/ou transformar a nossa fé num criptopaganismo e confundir a cabeça do povo.

Basta que as leituras bíblicas sejam explicadas. No evangelho, vemos Jesus sempre conduzido pelo Espírito Santo e em obediência ao Pai. É assim que vemos e compreendemos a Trindade, à luz da vida de Jesus.

A fé na Trindade é mais que um conjunto de palavras complicadas e abstratas, é um modo de viver no mundo. A fé, conforme a carta de Tiago (2,18), é algo que se mostra e se vê. Nossa fé na Trindade não é tanto um conjunto de definições teológicas, mas um modo de viver configurado ao viver de Cristo, ungido pelo Espírito e em obediência à vontade do Pai.

 
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