Pentecostes: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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08/06/2019 Por Rita Gomes (via Vida Pastoral), O Canto na Liturgia; CNBB; Canal Palavra de Vida Notícias Pentecostes: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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A promessa de Deus se cumpre: veio o Consolador!

I. Introdução geral

A promessa que Jesus fizera aos seus discípulos de que não os deixaria sós se cumpre com o envio do Espírito. A liturgia deste dia foi preparada pela liturgia da Ascensão, pois, no evangelho do domingo passado, o Senhor diz: “Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu” (Lc 24,49). Por isso, agora, celebramos a realização dessa promessa e somos convidados a nos alegrarmos com essa realização. O salmo do dia pede a vinda do Espírito e, com ela, a renovação de toda a obra da criação. Toda esta celebração é festiva e convoca à alegria!

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. Evangelho (Jo 20,19-23): O Espírito e a missão confiada aos discípulos

O evento narrado no evangelho desta celebração está bem situado no tempo: acontece no primeiro dia da semana (cf. v. 19), entenda-se: o domingo. O encontro com os discípulos se dá na sequência da narração do encontro de Maria com o Ressuscitado no sepulcro, experiência que ela anuncia aos discípulos. Na tarde desse mesmo dia, Jesus aparece aos seus discípulos e lhes dirige, por duas vezes, a saudação: “A paz esteja convosco” (v. 19.21). Após a primeira saudação, mostra-lhes as mãos e o lado, e isso revela que eles estão diante do que fora crucificado. Os discípulos se alegram por verem o Senhor (cf. v. 20). Essa alegria é característica dos tempos messiânicos, e eles estão cientes de que testemunham um acontecimento único na história de seu povo.

Depois da segunda saudação, Jesus confere aos discípulos uma missão: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (v. 21). Em seguida, sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo” (v. 22). Jesus confere o dom do Espírito aos discípulos nos moldes do relato da criação, no qual Deus sopra o sopro da vida nas narinas do homem que moldou do solo e o torna um “ser vivente” (Gn 2,7). O dom do Espírito é derramado sobre os discípulos, e Jesus os orienta sobre qual deve ser a missão desse grupo: perdoar pecados (cf. v. 23). A missão dos discípulos é dar continuidade àquela de Jesus. Uma vez que a vida e a morte dele tiveram como meta a reconciliação da humanidade com Deus, cabe agora aos discípulos, continuadores de sua missão, levar adiante esse serviço universal.

2. I leitura (At 2,1-11): O dom do Espírito, fim da confusão das línguas

No evangelho, os discípulos recebem o Espírito pelas mãos de Jesus, que sopra sobre eles, numa experiência limitada ao seu grupo mais próximo. Nos Atos dos Apóstolos, a vinda do Espírito acontece durante a festa dos judeus conhecida como Semanas (cf. Dt 16,9-12), Primícias (cf. Nm 28,26) ou ainda como Pentecostes, pois era ligada à colheita e era celebrada sete semanas depois de iniciada a ceifa (cf. Dt 16,9). Já Lv 23,15s precisa que a festa deve ser celebrada cinquenta dias depois do oferecimento do primeiro feixe, donde provém o nome Pentecostes, que também identifica essa festa na versão grega do texto bíblico. Após as reformas de Esdras e Neemias, por volta do século V a.C., a festa foi ressignificada e passou a celebrar o dom da Lei no Sinai. Era marcada pelo júbilo e pelo entusiasmo, por isso todos deviam participar dela e alegrar-se.

O dom do Espírito é concedido ao grupo de discípulos, que estavam reunidos “no mesmo lugar” (v. 1). A imagem do vento e das línguas de fogo que se repartem e repousam sobre cada um dos presentes na casa segue o padrão narrativo das teofanias, mas o resultado é um pouco distinto. Em geral, nos relatos de teofania, o espanto e, por vezes, o medo apoderam-se daqueles que contemplam o acontecimento; aqui, os presentes começam a falar até mesmo em outras línguas, segundo a inspiração do Espírito. E todos os que ouviam os discípulos falar ouviam-nos em sua própria língua. Esse texto é uma imagem inversa do texto da torre de Babel, no qual a confusão das línguas é a razão do desentendimento e da incompreensão entre os povos.

3. II leitura (1Cor 12,3b-7.12-13): O Espírito, fundamento do único corpo de Cristo

A segunda leitura traz uma orientação de Paulo à difícil comunidade de Corinto, marcada por divisões e por toda sorte de dificuldades. Paulo tenta conscientizar os coríntios de sua unidade fundamental, a pertença ao corpo de Cristo. Primeiramente, alerta para a responsabilidade da confissão do senhorio de Jesus, que só é possível no Espírito. Logo depois, alerta para o lugar de cada membro da comunidade no corpo de Cristo e faz isso pela referência aos dons do Espírito.

Paulo recorda que cada membro da comunidade tem seu lugar e função e isso se revela pela manifestação do dom do Espírito, com a ressalva de que tal realidade não deve ser motivo de divisão ou separação entre os membros. Não é lícito a nenhum membro da comunidade sentir-se superior aos outros por causa do dom recebido do Espírito, uma vez que todos são membros do único corpo de Cristo. Paulo fundamenta esse entendimento no fato de que tanto judeus como gregos, escravos e livres foram batizados num único Espírito. Como um é o Cristo e um é o Espírito, os membros da comunidade formam um único corpo. A unicidade do corpo está fundamentada no Espírito, que os anima e orienta no testemunho e na confissão de fé no Cristo Senhor.

IV. Pistas para reflexão

O evangelho desta celebração traz ao menos dois temas importantes em relação ao dom do Espírito: a alegria e a missão. Os discípulos, diante do Ressuscitado-Crucificado, alegram-se. O Senhor sopra sobre eles e lhes concede o Espírito, que os capacitará para sua missão: a reconciliação da humanidade com Deus. A primeira leitura nos traz novamente o dado da alegria como característica própria da festa de Pentecostes ou das Semanas, assim como a temática da superação do impedimento linguístico para o anúncio dos discípulos.

A segunda leitura traz um dado que a liga à primeira: a ação do Espírito é responsável pela superação de dificuldades de entendimento. Se, na primeira, a falta de entendimento devia-se à diferença linguística, na segunda, encontra-se no nível das relações comunitárias. Ambas são superadas ou devem ser superadas pela presença e ação do Espírito.

O dom do Espírito já não se encontra restrito ao povo de Israel, representado pelos discípulos, mas cumpre a missão confiada por Jesus, no evangelho, de levar a reconciliação a todos os povos. O Espírito é o dom do Pai que, pela morte e ressurreição de Jesus, foi dado à sua Igreja, mas não pode ficar aprisionado nela ou por ela. A comunidade dos seguidores de Jesus deve ser também instrumento de vinda desse Espírito, por meio da oração e da presença de Jesus em seu meio.

O evangelho deste dia também nos chama a ser reconciliadores no mundo; a travar uma luta a fim de que cessem os ódios, a violência, o descaso, o abuso e a corrupção moral, social e política. A Igreja partilha a vida de Jesus quando, ao receber o seu Espírito, se compromete a lutar para que o evangelho saia do papel impresso e seja gravado nas suas ações; quando se compromete a ser, ela mesma, lugar e instrumento de reconciliação interna e externa.

Há na Igreja pessoas diferentes, com dons e ministérios diferentes, e isso é graça de Deus. A completa igualdade na Igreja tiraria seu dinamismo e beleza. Importa reconhecer que o Espírito Santo é quem nos faz todos membros de um mesmo corpo, o corpo de Cristo. E a missão de Cristo de levar a humanidade à reconciliação plena com Deus agora deve ser realizada por meio desse corpo. Jesus, por sua paixão e ressurreição, reconciliou o mundo com Deus. Nós, seus representantes e enviados, devemos dar a conhecer ao mundo essa reconciliação. A unidade do Espírito Santo agindo na diversidade de dons e carismas é sinal manifesto da presença de Deus no mundo por meio da Igreja, comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus.

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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