Mariam, que a paz esteja sobre ela, a mãe do profeta Jesus
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26/07/2019 Mariam, que a paz esteja sobre ela, a mãe do profeta Jesus O Alcorão destaca o papel da mãe de Jesus como modelo para a humanidade.
A anunciação do anjo a Maria. (Reprodução/ Cronologia das Nações Antigas, de Al-Biruni, 1307/ The Public Medievalist)
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Por Francirosy Campos Barbosa*

Maria(m) – que a paz esteja sobre ela (Aleiha Salam) – mãe de Jesus, é a única mulher citada no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. Muitos não muçulmanos desconhecem o seu lugar e o de Jesus na cosmologia islâmica. Ela é tão importante nessa fé, que no Alcorão tem uma surata (capítulo) com o nome dela. Sabe-se, por exemplo, que ela é mais citada nesse livro sagrado do que no Evangelho.

A surata 19 chama-se Maria(m) e tem 98 versículos. Neste capítulo, os leitores vão encontrar menções a João Batista, filho de Zacarias, relatos sobre Jesus, e sobre a virgem Maria(m). O que difere do que usualmente conhecemos sobre a história dela é que, no islã, ela não estava prometida a José. No entendimento islâmico, Maria(m) não se casou, não teve outros filhos e morreu virgem. A mãe de Jesus, segundo o Alcorão, era casta, devota e justa e vivia para o templo. Foi escolhida pela sua devoção sincera e pela inspiração dos anjos em seu coração.

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A surata Al-Imran, que leva o nome da família de Maria(m), foi revelada em Medina e apresenta 200 versículos. Entre outros assuntos, ela esclarece alguns pontos sobre Jesus, seu nascimento, seus milagres. Nos versículos 35 a 38 é possível compreender o receio da mãe de Maria(m) ao saber que tinha dado à luz uma menina, pois o seu pai havia prometido que, se fosse um menino, iria consagrá-lo ao templo. Contudo, Deus tinha um propósito em relação à Maria(m). Ela seria a mulher mais devota, pois daria luz a um profeta.

(Lembrem-se) quando a esposa de Imran suplicou: Ó Senhor meu, Eu tenho dedicado o fruto do meu ventre exclusivamente ao seu Teu serviço. Aceita-a, então, de mim. Tu és certamente o Oniouviente, o Onisciente/ Quando ela deu à luz disse: Ó Senhor meu, eu dei a luz a uma fêmea. – Deus sabe melhor do que ela deu à luz, (portanto, ela não precisava se desculpar, porque) a criança do sexo masculino (que esperava) poderia não ser a mesma criança do sexo feminino (a quem Nós agraciamos e honramos com um grande favor). Eu a chamo de Maria e coloco-a bem como a sua descendência sob a Tua proteção de Satanás, o eternamente rejeitado (da Misericórdia de Deus)/ (Em resposta à sinceridade de sua mãe e pureza de intenção em dedicar a criança), seu Senhor aceitou-a com gracioso favor e permitiu a ela um bom crescimento (educação), e confiou-a aos cuidados de Zacarias. Sempre que Zacarias ia ter com ela no Santuário, encontrava-a provida com alimentos. Ó Maria, perguntava, de onde vem isso? De Deus, ela respondia. Verdadeiramente Deus agracia a quem Ele quer sem prestação de contas./ Nesse ponto, Zacarias voltou-se para o seu Senhor em oração e suplicou: Ó Senhor meu, conceda-me de Tua graça uma pura e ditosa prole. Verdadeiramente, Tu és Quem atende às súplicas.

As duas suratas, 3 (Al Imran) e 19 (Mariam) do Alcorão, apresentam o relato mais detalhado da anunciação e nascimento de Jesus. Narra-se nelas a história em que Deus (Allah) envia um anjo (Gabriel) para anunciar a Maria(m) sua gravidez, apesar de ser virgem. Ela ficou surpresa com a revelação: "Ela disse: Como poderei ter um filho, pois nenhum mortal jamais me tocou, e eu nunca deixei de ser casta?" (Alcorão, 19: 20).

Maria passou sua gestação no templo, suas roupas evitavam que as pessoas percebessem seu estado. Quando se aproximou o momento do parto, ela se afasta para perto de uma tamareira (19: 24-26), com medo de que seu povo a acusasse de fornicação – talvez a carga mais pesada e o maior teste para uma mulher que passou a vida toda em abstinência e adoração. Além disso, estava preocupada que as pessoas desprezassem a própria religião, porque ela era conhecida como a mulher mais piedosa do seu tempo. 

Mesmo em sofrimento, ela não confiava em ninguém além de Deus (Allah) – nenhum homem, seja marido, noivo ou qualquer outra pessoa. Evidencia-se nas várias passagens do Alcorão que só Deus seria capaz de defendê-la das acusações e difamações. Maria(m) serve como modelo de piedade e confiança nele. Em uma passagem do livro sagrado temos uma resposta ao seu sofrimento:

(A voz) chamou-a por debaixo dela: Não entristeçais! O Senhor estabeleceu um riacho a teus pés. E sacode o tronco da tamareira para ti: cairão para ti tâmaras maduras frescas. Então, come e bebe, e te console. Se vires alguma pessoa, dize (através de gestos): Fiz voto de silêncio ao Clemente, por isso não posso falar com qualquer ser humano hoje (Alcorão 19: 24-26).

No versículo 42 da surata 3, é possível ver o destaque dado por Deus a Maria(m) em relação a todas as outras mulheres: “E (em devido tempo chegou o momento), quando os anjos disseram: Maria, Deus te escolheu e te fez pura, e te tem exaltado acima de todas as mulheres do mundo”. Há um hadice do profeta Muhammad SAAS que menciona Maria(m) como uma das quatro mulheres mais importantes na terra e que estarão no Paraíso. As demais são Asya, mulher do faraó; Khadija, primeira esposa do profeta Muhammad; e Fátima, sua filha (Al- Bukhári, 'Ambiyá, 45).

Podemos perceber ainda mais a importância dela, quando Maria(m) é mencionada na surata dos profetas (Al Anbiyá – 21ª Surata, aya 91): “E (menciona) aquela mulher abençoada que foi o melhor exemplo em guardar sua castidade”. Apesar de não ser profeta, ela é citada na surata, que leva este nome, pois sua grandeza e honra a fazem diferenciada, e desta forma também coloca Jesus na sua real grandeza humana.

O nome de Maria(m) é mencionado no Alcorão 34 vezes, sendo que 23 vezes junto com o nome de Jesus (Issa ibn Mariam, que significa Jesus filho de Mariam) e 11 vezes somente o nome Maria(m). Para uma busca mais detalhada sobre como o Alcorão se refere à Maria(m) e a sua importância no islã, sugiro ler algumas ayas (versículos) das respectivas suratas: Surata 2, Al-bácara – A vaca (87, 253); surata 3, Al-Imran – A família de Imran (ayas 36, 37, 42, 43, 44, 45); surata 4, An-nissa – As mulheres (156, 157, 171); surata 5, Al-máida – A mesa (17, 46, 72, 75, 78, 110, 112, 114, 116);  surata 9, At-tauba – O arrependimento (31); surata 19, Mariam (16, 27, 34);  surata 23, Al-mu´minun – Os crentes (50); surata 33, Al-ahzap – Os confederados ( 7); surata 43, Az-zukhruf – Os ornamentos (57); surata 57,  Al-hadid – O ferro (27); surata 61, As-saff – As fileiras (6, 14); surata 66, At-tahrim – A proibição (12).

Por fim, mesmo com todos esses importantes atributos Maria(m), assim como, qualquer pessoa importante na história do islã, não deve ser adorada, mas ela está entre os grandes adoradores de Deus (66:12). Também é considerada no Alcorão com sendo uma serva justa de Deus (5:73) e, como Jesus, um sinal de Deus (23:50).

*Francirosy Campos Barbosa é antropóloga, professora associada no departamento de Psicologia ? FFCLRP/USP , coordenadora do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias). Email: francirosy@gmail. com

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