Ética e humanismo: eixos para um desenvolvimento integral pós pandemia
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06/08/2020 Élio Gasda via Dom Total Notícias Ética e humanismo: eixos para um desenvolvimento integral pós pandemia A Doutrina Social da Igreja não é partidária do capitalismo
A economia deve servir para vivermos melhor (Unsplash/Markus Spiske)
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A pandemia tem nos mostrado a urgência de se repensar a economia, principalmente sua função social. A palavra economia tem raiz grega ?" oikonomía ?" significa arte de administrar a casa (oikos) para garantir a sobrevivência material. O primeiro propósito da economia está em satisfazer, por meio da produção de bens e serviços, as necessidades vitais dos membros da comunidade civil. A economia deve servir para vivermos melhor.

A construção de uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável levanta muitas questões. Que fins devem orientar a atividade econômica? Os meios para alcançar os fins são eticamente aceitáveis? Por que produzimos? Para quem? Com que impactos ambientais? A governança do modelo econômico também é um problema ético, não apenas técnico e político. Como definimos, regulamos e orientamos o uso dos nossos recursos escassos? Neste sentido, a economia é uma prática social relacionada com outras práticas para constituir uma morada habitável e sustentável como primeira condição para a reprodução da vida.

O discurso hegemônico apresenta o capitalismo como um sistema ao qual não há alternativa. Há uma centralização do poder, uma concentração da riqueza e uma mercantilização da vida. Entregamos os nossos governos aos mercados e os mercados foram entregues à poderosas corporações. As grandes companhias de tecnologia e informação são plutocracias que eliminam concorrência para exercer o controle sobre o conhecimento, a pesquisa e o debate público. Resta aos governos submeterem a sociedade civil ao capitalismo global. "Essa economia mata" (Evangelii gaudium, 53).

Governos e corporações se fundiram para impor o totalitarismo do dinheiro. Mercados se converteram em interesses agregados do complexo financeiro-empresarial que exerce o poder de fato sobre as sociedades. A ordem social e econômica que deve vigorar é aquela determinada pelas forças do mercado. O objetivo da maximização do acúmulo de riqueza anula outros objetivos. Política, Estado e os mercados necessitam ser democratizados.

Uma economia fundada no desenvolvimento humano integral é urgente. Os sistemas econômicos não servem à dignidade humana de forma automática; pelo contrário, devem ser conduzidos por nossa ação responsável.

A ética precisa reconhecer a existência desta realidade humana chamada mercado para inspirar novos modelos de economia baseados em princípios e valores. "O mercado, se houver confiança recíproca generalizada, é a instituição econômica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores econômicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si, para satisfazer as suas carências e desejos" (Caritas in Veritate, 35).

O mercado existe porque não somos autossuficientes, necessitamos uns dos outros e trabalhamos para os outros e os outros para nós. Intercambiamos o que temos e o que produzimos para satisfazer as próprias necessidades e as necessidades dos demais. No mercado somos motivados pela necessidade e pelo instinto de sobrevivência; em segundo lugar, pela necessidade de cooperação recíproca; e somente em terceiro lugar, pelo desejo de competir. Ninguém pode estar razoavelmente contra o mercado; mas podemos lutar para que o mercado seja mais equitativo, democrático e justo. A ética é imprescindível no momento de buscar alguma fundamentação de um outro modelo de relação entre economia, política e sociedade.

Assim como o mercado, também o Estado é uma expressão da sociabilidade humana. Atualmente, o Estado tornou-se uma instituição imprescindível para o capitalismo. Políticas de Estado tornaram-se políticas econômicas. A riqueza gerada na produção e nos serviços está submetida aos critérios estabelecidos pela esfera financeira e não pela sociedade. A autonomia dos interesses financeiros se impôs à sociedade e às políticas públicas. A sociedade civil agoniza.

A sociedade civil é anterior ao mercado e ao Estado, portanto, cabe a ela contribuir para que ambos recuperem sua "razão de ser" a serviço do humanismo integral. A encíclica Caritas in Veritate (CV) nos inspira a pensar outra forma de economia. Bento XVI sugere que, para alcançar um desenvolvimento humano, é preciso "orientar a globalização em termos de fraternidade, comunhão e participação" (CV, 42). Não há outra saída que o retorno da ética e do humanismo como eixos do desenvolvimento: "a economia tem necessidade da ética para o seu correto funcionamento; não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa" (CV, 45).

A sociedade civil, como um espaço de interação social entre indivíduos, é o "habitat" próprio do cidadão. Espaço das práticas voluntárias, organizadas ou individuais. Transcende a dicotomia Estado-mercado. Abrange uma pluralidade de sujeitos.  

 Pensar exclusivamente no binômio mercado-Estado "corrói a sociabilidade, enquanto outras formas de economia solidária, que encontram seu melhor terreno na sociedade civil, ainda que não se reduzam a ela, criam sociabilidade. Tanto o mercado como a política necessitam de pessoas abertas ao dom recíproco" (CV, 39). A Doutrina Social da Igreja não é partidária do capitalismo.

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