Encontro de guardiães – análise de conjuntura
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17/05/2019 Frei Fabio Lamour, OFM Notícias Encontro de guardiães – análise de conjuntura
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O Encontro de guardiães teve início com o almoço do dia 13, e à tarde aconteceu o primeiro momento do encontro, com a participação da maioria dos guardiães da PSC, ou seu representante, bem como com a presença do moderador para FP, frei Vicente Ronaldo, do ministro provincial, frei Hilton Farias,  e dos secretários: para a Formação e Estudos, frei Gabriel José; e para a Evangelização e Missão, frei Valter Junior. Após as boas vindas aos participantes, os secretários da Formação e Estudos e da Evangelização e Missão fizeram uma breve partilha sobre os trabalhos realizados nos secretariados e um diálogo com o grupo, ressaltando os pontos relevantes da caminhada da província, especialmente a partir das resoluções do último Capítulo Provincial. O dia 14 foi dedicado inteiramente à partilha dos guardiães.

No dia 15, em espírito de comunhão com as manifestações contra os cortes na educação, que tomaram o Brasil, o grupo fez uma profunda análise de conjuntura, contando com a brilhante assessoria do professor Pedro Gontijo, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) da CNBB e professor adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UNB), bem como do programa de Pós-graduação em Metafísica Política na mesma instituição de ensino. Colabora ainda com o Mestrado Profissional em Filosofia, pelo núcleo da Universidade Federal de Tocantins. Entre outras obras, escreveu os artigos “Bricolagem Metafísica ao Pensar a Ação Política e o Estado” e “O Ensino de Filosofia no Brasil: Algumas Notas sobre Avanços e Desafios”.

A reflexão do dia foi dividida em 4 momentos:
1. Como chegamos até aqui.
2. Desafios conjunturais
3. A resistência
4. O papel da igreja nesse contexto.

No primeiro ponto, de como chegamos até aqui, o assessor destacou a hipótese de que o Brasil não tem tradição democrática, pois ao longo de sua história, temos em um período mais recente, pouco mais de 40 anos de “democracia” propriamente dita. Dada essa carga histórica brasileira, Pedro analisa que está presente no Brasil uma forte tradição conservadora, antidemocrática, caracterizada por uma dificuldade enorme de conviver com o contraditório, que é próprio da democracia. Analisa que em muitas situações, a democracia participativa pode ser vista como um empecilho à ordem e ao progresso, como algo a ser combatido. A ideia de “ordem” e o “progresso” tem base positivista, que influenciou durante muito tempo, ou ainda influencia, as várias esferas da sociedade brasileira, desde a Educação até a Política, onde a ordem social, concebida a partir do poder dominante, está imutavelmente estabelecida.  Tudo e todos tem o seu lugar social e isto não pode mudar, ou ainda, que qualquer mudança de ordem social traz a desordem e, consequentemente, dificulta o progresso.

Na segunda parte, dos desafios conjunturais, retomou-se a questão do sistema de privilégios versus uma política de universalização dos direitos. Falou-se também sobre a diferenciação entre ético e legal. Na ação profética, muitas vezes podemos encontrar até mesmo uma discrepância entre o que é ético, mas muitas vezes não é legal (em termos jurídicos) e o que é legal, mas que muitas vezes não é ético, do ponto de vista dos valores humanísticos e cristãos. Afirmou que estamos vivendo em um tempo de mudanças e mudança de tempo. Tempos de Incertezas e imprevisibilidades (os rumos para o futuro são imprevisíveis). Falou também de outras mudanças: no capitalismo, na geopolítica global, nos projetos referenciais, enquanto mudança de época, e na crise econômica e suas feridas: 1. Dinâmica dos ciclos de crise: menos períodos de expansão econômica e maiores períodos de crise. 2. Economia mundial dá sinais contraditórios. 3. Aumento da desigualdade, exclusão social (fome, imigração, etc).

Um desafio se apresenta quando nos perguntamos, frente a um Estado violador de direitos, que persegue minorias e descumpre a constituição, qual o tipo de relação queremos ter com o Estado, especialmente pensando na perspectiva da importância do papel do Estado na implantação de políticas públicas e proteção social?

Historicamente, houve sempre movimentos de transformações sociais que fizeram frente a forças sociais retrógradas, com a perspectiva de tomada de poder e implantação de um novo projeto de sociedade. Foi indicada uma leitura sobre esse assunto, uma obra de John Holloway, intitulado “Mudar o Mundo, sem Tomar o Poder”. John H. é professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Autônoma de Puebla. O livro foi publicado pela editora Viramundo, em 2003.

Por fim, na parte que trata da resistência, Pedro Gontijo afirma que resistir não é necessariamente fazer contra… é  criar o novo… que pode ser contra ou pode ser simplesmente diferente do estado de coisas existentes. São ações de curto, médio e longo prazo. Há uma proliferação de ativistas de diferentes causas nos mais diferentes lugares. Paulo Freire fala do “inédito viável”. Há sim muitos espaços de resistência e de construção de alternativas, mas tem que haver uma possibilidade de nova leitura da realidade e de escuta dos clamores mais legítimos dos povos e das pessoas, ainda que seja alguém que se coloca totalmente contra as mudanças.

Diante do progressivo ataque aos direitos sociais já conquistados devemos encarar os direitos como “rizomas” (tipo de caule que cresce horizontalmente, geralmente subterrâneo), conectando-se uns com outros, o que pode fragilizar, mas que também, pode potencializar as lutas.
                -o que aprendemos com os povos indígenas?
                -o que aprendemos com os povos quilombolas?
                -o que aprender no uso das novas tecnologias?
                -o que aprender com as tecnologias sociais?
                -como trabalhar com os princípios da economia solidária?

A Igreja nesse contexto:

                -Sínodo da Amazônia
                -Papa Francisco
                -Campanha da Frat. 2019
                -(CF) 2020: “fraternidade e vida: dom e compromisso”
                -Semana Social Brasileira

Reforma da Previdência: Material indicado: site da Auditoria Cidadã.

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