Encontro com o leproso
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11/12/2020 Frei Renildo Cirineu, OFM Notícias Encontro com o leproso
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São Francisco, após a experiência do encontro com o pobre e ao sentir-se questionado suas estruturas psicológicas e sociais e, desde já, com os olhos voltados para Cristo, quer entender profundamente o sentido do que estava acontecendo com ele. Contudo, essa mudança de atitude ou conversão era difícil para ele. Era como algo amargo o sair de uma estrutura de glamour e ir ao encontro de leprosos. Ele mesmo não sabia que isso iria tornar-se uma doçura do espírito.

Certo dia, estando a orar com mais fervor, ouviu a seguinte resposta: “Francisco, se quiseres conhecer a minha vontade, deverás desprezar e odiar tudo o que carnalmente amaste e desejaste possuir. Depois que começares a fazer assim, as coisas que antes te pareciam suaves e doces serão para ti insuportáveis e amargas, e de outra parte, das que te causavam horror, poderás haurir uma grande doçura e uma suavidade imensa”. Jubiloso por estas coisas e, confortado no Senhor, certa vez indo a cavalo perto de Assis, veio-lhe ao encontro um leproso. Embora tivesse muito horror dos leprosos, fazendo-se violência, apeou e ofereceu-lhe uma moeda, beijando-lhe a mão. Após ter recebido dele o beijo da paz, montou a cavalo e prosseguiu seu caminho. Desde então começou cada vez mais a desprezar-se, até conseguir, pela graça de Deus, a mais perfeita vitória sobre si mesmo. Poucos dias depois, levando consigo muito dinheiro, dirigiu-se ao leprosário e, reunindo todos os leprosos, deu a cada um uma esmola, beijando-lhes a mão. Ao se afastar, o que lhe parecia amargo mudara-se em doçura. (TESTAMENTO, CAP IV, 11).

Ao nos sentir questionados sobre as nossas estruturas psicológicas, sociais e existenciais, assim como São Francisco, temos a necessidade de um recomeçar ou reconfigurar a vida em busca de sentido.

Este encontro caracteriza-se pelo domínio de si mesmo e o gradativo processo de autoconhecimento, superação dos seus limites e encontro com Cristo sofredor. Portanto, abraça o leproso como que um despojar de sua própria lepra interior das ambições e do egoísmo. A Legenda Maior traz um trecho sobre Francisco após esse encontro:

Imbuiu-se desde então do espírito de pobreza, com um profundo sentimento de humildade e uma atitude de profunda compaixão. Jamais suportara a vista dos leprosos, mesmo à distância, e sempre evitara encontrar-se com eles, mas agora, desejando alcançar o total desprezo de si mesmo, servia-os com devoção, humildade e benevolência, pois diz o profeta Isaías que Cristo crucificado foi considerado um homem leproso e desprezado. Visitava-lhes constantemente as casas e distribuía entre eles esmolas generosas, beijando-lhes as mãos e os lábios com profunda compaixão. (LEGENDA MAIOR, CAP 1, 6)

O grande momento revolucionário em sua vida, o beijo no leproso que converteu o “amargo em doçura”, abre para ele uma nova experiência de vida: o nojo torna-se compaixão, a tristeza converte-se em alegria. No momento em que ele supera o ego, desejos, buscas por riquezas etc., abre-se para uma nova realidade. Abre-se para a comunhão com Deus. Este momento de total abertura de seu ser e disponibilidade para uma nova vida provoca uma verdadeira metanoia na vida de FranciscoNovo modo de ver o mundo, novas mediadas de julgamento, novos valores tomam posse do seu ser.

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