Ascensão do Senhor: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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01/06/2019 Por Rita Gomes (via Vida Pastoral); O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida Notícias Ascensão do Senhor: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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A exaltação da humanidade na elevação do Cristo

I. Introdução geral

A celebração de hoje foi preparada pelos domingos precedentes e, particularmente, pela celebração do domingo passado, na qual o Senhor se despede dos seus, preparando-os para o momento especial que agora celebramos: sua ida/volta ao Pai. A resposta do salmo de hoje soa como um convite à alegria pela elevação do Senhor, pelo lugar que ocupa à direita do Pai nos céus, como nos diz o trecho da carta aos Efésios escolhido para esta liturgia. O evangelho e a primeira leitura nos convidam a refletir sobre o significado da elevação do Senhor e a contemplar o grande gesto de amor de Deus por nós.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. Evangelho (Lc 24,46-53): A elevação do Senhor fora da cidade santa, Jerusalém

O trecho que lemos no evangelho de hoje não deixa claro o lugar onde se encontram Jesus e os discípulos, mas a leitura do trecho anterior nos permite identificar. Eles estavam reunidos em Jerusalém, e isso nos alerta para o fato de que o relato sobre o qual somos chamados a refletir se passa em dois ambientes distintos. No início e no final, o grupo se encontra em Jerusalém, depois de uma incursão fora desta cidade “até perto de Betânia”.

Jerusalém tem grande importância para o evangelista, tanto que o evangelho da infância começa ali, mais precisamente no Templo; ademais, a seção central de seu evangelho está ambientada no caminho para Jerusalém e é seguida da última seção, que se dá naquela cidade; e o texto sobre o qual agora refletimos se conclui com uma referência ao Templo de Jerusalém. Tudo converge para a cidade santa e, especificamente nesse trecho, Lucas dá a conhecer uma orientação de Jesus ressuscitado aos seus discípulos. Nela, Jesus faz memória de sua paixão e ressurreição e diz que, em seu nome, a conversão e o perdão dos pecados seriam anunciados a todas as nações, começando por Jerusalém (cf. v.47).

Os discípulos serão as testemunhas autorizadas de Jesus, mas para isso eles contarão com a força do alto, aquele que fora prometido pelo Pai. É em vista desse envio que Jesus lhes ordena permanecer na cidade, ou seja, em Jerusalém. Porém, em seguida, ele os conduz para fora (CF. v.50) – entenda-se “de Jerusalém”. É num lugar afastado que Jesus se despede dos seus, e não em Jerusalém.

O relato é muito discreto e simples. Jesus abençoa seus discípulos e, enquanto faz isso, afasta-se deles e é levado para o céu. Não há nada de extraordinário nesse relato, a não ser a ausência, nos discípulos, de qualquer sentimento de tristeza ou de resistência pela separação do mestre. Depois da adoração ao Senhor, enquanto era elevado, eles voltam alegres para Jerusalém e bendizem a Deus continuamente no Templo.

2. I leitura (At 1,1-11): Jesus é elevado, mas voltará!

A primeira leitura é literalmente a continuação do texto do evangelho, uma vez que inicia a segunda parte da obra lucana. Começa exatamente retomando e resumindo o anúncio de Jesus testemunhado no Evangelho de Lucas, “até o dia em que foi elevado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo aos apóstolos” (v. 2). Retoma, a título de memória, as informações sobre as aparições do Ressuscitado e a ordem de não se afastarem de Jerusalém, mas esperarem o cumprimento da promessa do Pai de que eles seriam “batizados com o Espírito Santo” (v. 5).

A sequência do texto revela que os discípulos ainda não tinham compreendido completamente o ensinamento e a missão de Jesus, pois perguntam: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?” (v. 6). Esse questionamento mostra que os discípulos ainda pensavam o messianismo de Jesus na perspectiva da restauração do reino terreno, de uma independência política para o povo de Israel. A paixão e a ressurreição do Cristo não foram suficientes para modificar as expectativas messiânicas tão enraizadas em suas mentes e corações.

Por isso, Jesus responde que não lhes cabe saber os tempos e os momentos determinados pelo Pai e acrescenta: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo […] para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria”. Jesus muda o foco da questão, chamando-lhes a atenção para a missão de testemunhá-lo e prometendo-lhes que receberão para isso a força do Espírito. Eles serão atendidos, suportados pelo poder do Espírito. Logo depois disso, Jesus é elevado “à vista deles” (v. 9). Isso quer dizer que eles viram o Senhor sendo elevado.

Pelo fato de os apóstolos continuarem olhando para o céu, enquanto Jesus subia, “dois homens vestidos de branco” (v. 10), ou seja, dois anjos, chamam a atenção deles: “por que ficais aí, parados, olhando para o céu?” (v. 11). Esse questionamento indica que é tempo de pôr as mãos à obra, trabalhar, anunciar o Senhor, enfim, testemunhar. E o texto se conclui com uma promessa: Jesus vai voltar! (cf. v. 11). O que aqui dizem os anjos, Jesus dissera no evangelho da liturgia do domingo passado (cf. Jo 14,23-29).

3. II leitura (Ef 1,17-23): Jesus sentado à direita do Pai exerce seu poder soberano em favor da humanidade

A segunda leitura, tirada da carta aos Efésios, amplia nossa compreensão do evangelho e da primeira leitura. Como vimos, os relatos sobre a elevação do Senhor, razão de ser da celebração de hoje, são muito sóbrios. Não existem detalhes sobre o fato, apenas se informa que o Senhor foi elevado e que os discípulos viam essa elevação acontecendo gradualmente. Jesus se afastou, indo em direção ao céu, e nada mais.

Esse trecho da carta aos Efésios traz uma reflexão sobre o lugar que o Cristo, uma vez ressuscitado, ocupa nos céus e ressalta que o exercício de seu poder se dá em favor dos que creem. Tudo foi colocado “sob seus pés” (v. 22), ou seja, está sob seu domínio como o Senhor soberano que é. Tudo isso é projeto de Deus para nós por meio de Jesus Cristo.

A ligação indestrutível do Cristo com o resto da humanidade por sua encarnação se revela agora em sua elevação, quando a íntima união é expressa pela imagem do Cristo Cabeça da Igreja. Somos um com Cristo por sua encarnação e elevação. Somos seu corpo e ele a Cabeça que rege e governa todo o corpo.

IV. Pistas para reflexão

O sentido da celebração de hoje encontra-se nessa relação indestrutível que se estabelece entre Deus e a humanidade na pessoa do Filho. Ele é a chave de acesso ao Pai. A pergunta que fica quando lemos esses textos é: que significa a ascensão do Senhor? Diz respeito somente a Jesus e sua condição de Filho de Deus? Representa somente o seu retorno para junto de Deus para assumir “seu lugar” de Filho no seio da Trindade?

A resposta a essas duas últimas questões é não. Os textos não se referem somente a Jesus, mas dizem respeito também a nós e ao nosso destino último. Todas as leituras fazem referência a Jesus desde seu ministério público, passando por sua paixão e ressurreição, até chegar a esse momento de elevação, e toda a sua vida narrada nos textos sagrados tem relação conosco.

Uma vez que assumiu a condição humana pecadora e, por solidariedade, se fez pecado por nós ele, ao assumir seu lugar soberano no céu, não o faz apenas a partir da sua condição de Filho de Deus, mas também de filho da humanidade. Portanto, nele estamos também nós junto ao Pai. Celebrar a Ascensão do Senhor é celebrar a elevação de nossa humanidade. É celebrar nosso acesso à vida junto de Deus por Jesus Cristo. Que alegria para toda a humanidade!

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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