A escolha “verde” do Vaticano
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12/11/2020 Nicola Gori - L'Osservatore Romano via Vatican News Notícias A escolha “verde” do Vaticano Entrevista com o engenheiro Roberto Mignucci, responsável pelo setor de projetos e implementações do Governatorato sobre a escolha "verde" do Vaticano
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O Estado da Cidade do Vaticano fez uma escolha ambiental irreversível que o leva entre as primeiras entidades do mundo a atingir níveis recordes de economia e sustentabilidade. Aplicando os princípios determinados na encíclica do Papa Francisco Laudato si’, promoveu, entre outras coisas, o uso de veículos elétricos e converteu transformadores tornando-os mais produtivos e menos poluentes. Entrevista com o engenheiro Roberto Mignucci, responsável pelo setor de projetos e implementações do Governatorato.

Como a "Laudato si’" inspirou as escolhas efetuadas?

Roberto Mignucci: A vocação do Governatorato com relação à criação é tão antiga quanto o Estado da Cidade do Vaticano. Já em 1929, quando foi fundado, havia um sistema de aquecimento remoto bem otimizado que, na época, era algo extraordinário. Não são informações muito conhecidas, porque nunca houve qualquer publicidade sobre esse tema, mas o respeito pela casa comum sempre foi uma marca registrada das ações das autoridades do Estado. Havia equipamentos de última geração, como a estação de rádio Guilherme Marconi nos Jardins do Vaticano. A sensibilidade ao meio ambiente recebeu novo impulso com a encíclica Sollicitudo rei socialis de 1987, na qual, entre os sinais positivos do presente, João Paulo II incluia "maior consciência dos limites dos recursos disponíveis, da necessidade de respeitar sua integridade e os ritmos da natureza e de considerá-los no planejamento do desenvolvimento". Também com a encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate de 2009, o tema do desenvolvimento ligado também aos deveres que surgem da relação do homem com o meio ambiente natural foi uma fonte de inspiração para um maior compromisso ecológico. Portanto, antes da encíclica do Papa Francisco, o Governatorato já havia tomado medidas sobre este tema.

Atualmente como seus princípios estão sendo aplicados na área que o senhor é responsável?

Roberto Mignucci: Tentamos respeitar ao máximo o meio ambiente, utilizando materiais compatíveis, eliminando substâncias tóxicas, tentando economizar o máximo de energia possível e, principalmente, não desperdiçá-la. Há também iniciativas colaterais como o utilização de vidros duplos e aberturas com baixo consumo de energia, venezianas que impedem a entrada de excessivo calor no ambiente, economizando energia de refrigeração, também a implementação da iluminação LED que permite economizar em eletricidade, a adoção de modernos sistemas termodinâmicos para a mudanças térmicas de alta eficiência. A atenção é pontual, tornando concretas as indicações do Papa.

Por que foram instalados pontos de recarga para carros elétricos e como funcionam?

Roberto Mignucci: Do ponto de vista da otimização, o meio de transporte tem um peso significativo na sociedade moderna, não tanto no Vaticano, dado seu pequeno tamanho, mas externamente sim. O smog, produzido pelo tráfego da cidade, chega dentro do Vaticano, e embora nossos resultados não sejam muito perceptíveis, queremos dar um sinal que é de grande importância para todos. Os pontos para recarga elétrica foram instalados porque transformaremos a nossa frota de veículos, atualmente com motor térmico, em veículos elétricos; por este motivo, progressivamente, a frota inteira não mais utilizará energia térmica. A Direção de Infraestrutura e Serviços de Veículos em uso tem uma quilometragem média de cerca de 6.000 quilômetros por ano, por isso é conveniente para nós usarmos a energia elétrica.

Do ponto de vista do respeito à criação, como estão limitando as emissões dos chamados gases de efeito estufa?

Roberto Mignucci: Com a adesão do Estado da Cidade do Vaticano ao Tratado de Kigali, a Direção de Infraestrutura e Serviços atualizou a lista dos gases técnicos utilizados no Estado. O objetivo de atualizar o estudo é reduzir os chamados "gases de efeito estufa". Alguns desses gases, que são altamente prejudiciais à camada de ozônio, serão gradualmente eliminados até 2025; espera-se que sejam substituídos por outros menos nocivos. Deve-se notar que no momento a indústria não está totalmente preparada para esta emergência e oferece produtos que só podem reduzir temporariamente o efeito estufa, mas não são a solução ideal. No momento, os gases alternativos ecológicos são inflamáveis, o que é uma forte limitação ao seu uso. Nem todas as soluções, portanto, são viáveis. Espera-se que no futuro seja possível mudar o gás em favor de um mais ecológico e, assim, fazer uma melhoria.

Os painéis solares na Sala Paulo VI e o ar condicionado com energia solar do teto do refeitório de serviço também podem ser aplicados a outras estruturas no Vaticano?

Roberto Mignucci: Os painéis fotovoltaicos no teto da Sala Paulo VI foram instalados em 2008. Infelizmente, no Vaticano falta espaço, é difícil integrar painéis solares sobre os valiosos edifícios históricos. A energia produzida na Sala Paulo VI é inteiramente utilizada na rede interna do Vaticano. Com estes painéis a estrutura é auto-sustentável durante os eventos realizados no seu interior. O consumo de toda a semana, que é reduzido, aumenta durante as audiências com o Papa.

 

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