6º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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13/02/2021 Por Izabel Patuzzo (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; CNBB Notícias 6º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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I. Introdução geral

A liturgia do 6º domingo do Tempo Comum nos revela a ternura de Deus, que não exclui ninguém, mas acolhe a todos na comunidade de seus filhos, particularmente os empobrecidos, os excluídos, os portadores de graves doenças. A primeira leitura e o Evangelho relatam dois exemplos concretos de como a comunidade dos fiéis cuida daqueles que mais precisam de acolhida e atenção. O profeta Eliseu representa a comunidade profética, que não somente anuncia com palavras que a salvação de Deus é para todos, mas também, com gestos concretos, expressa o cuidado amoroso de Deus, curando o sírio Naamã.

Curar os doentes de pele é uma das características marcantes do ministério de Jesus, já que a doença então denominada lepra era fator de exclusão e marginalidade. No Evangelho, Jesus se compadece de um enfermo nessa condição, cura-o e devolve-lhe a dignidade e a alegria. Além de ser curado, o homem é integrado na comunidade de fé e pode voltar ao convívio social. Na segunda leitura, o apóstolo Paulo recorda que a missão da comunidade é dar glória a Deus e estar a serviço dos irmãos, e que todos são chamados a testemunhar a fé em Jesus Cristo.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Músicas Litúrgicas 6 · 6º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura (2Rs 5,9-14)

O profeta Eliseu exerceu seu ministério durante o reino unido em Israel. Ele pertencia ao Reino do Norte e atuou durante o reinado de Jorão, que foi infiel a Deus, cultuando deuses estrangeiros. Eliseu deu continuidade à missão profética de Elias e se fez grande defensor da Aliança com Deus, preservando as tradições e a sabedoria de seu povo. Essa sabedoria é posta a serviço da cura de um grande líder sírio, chamado Naamã. Ao contrário do rei Jorão, infiel a Deus, o estrangeiro vem pedir a bênção do Deus de Israel.

A ação profética de Eliseu, ao se colocar como instrumento mediador da cura do doente de pele, revela que quem de fato cura é Deus. O relato deixa claro que a oferta de salvação é dirigida a todos os povos. A gratuidade do Senhor Deus transforma a vida das pessoas, porque ele olha para o sofredor, independentemente de sua pertença étnica. O ensinamento da leitura ressalta a gratidão de Naamã, que não apenas ficou livre da doença, mas também encontrou o Deus único e verdadeiro. Em sinal de agradecimento, o estrangeiro quer oferecer presentes ao profeta. Eliseu recusa receber qualquer benefício, recordando-lhe que foi Deus quem operou o milagre. O profeta, como autêntico temente a Deus, exerce seu ministério na gratuidade, pois acredita em um Deus que é amoroso, bondoso e generoso para com todos os que o temem.

2. II leitura (1Cor 10,31-11,1)

São Paulo, nesta leitura, encoraja os cristãos de Corinto a fazer tudo para a glória de Deus. O texto faz alusão aos costumes dos gentios, considerados impuros pelos cristãos de origem judaica. O apóstolo não rejeita os irmãos de origem não judaica, mas orienta a comunidade para abster-se das carnes sacrificadas aos ídolos, pois servir-se delas poderia ser causa de grande escândalo na comunidade, sobretudo para os irmãos de origem judaica. A comunidade cristã acolhia pessoas provenientes de várias culturas; havia entre elas diversos níveis de compreensão da fé cristã. Por isso, o que Paulo recomenda é que todos saibam acolher essa diversidade, a fim de não faltarem com a caridade e preservarem os princípios e fundamentos da vida cristã.

3. Evangelho (Mc 1,40-45)

O Evangelho segundo Marcos relata uma cura realizada por Jesus. Em virtude de longa tradição, os portadores de doenças identificadas sob o nome “lepra” viviam isolados e à margem da sociedade. Tinham de se vestir de um jeito próprio e adotar determinados hábitos para facilitar a percepção de sua enfermidade, o que reforçava sua condição humilhante. A cena narrada pelo evangelista ressalta que Jesus, diferentemente da grande maioria das pessoas de seu tempo, acolhe o doente de pele e favorece o encontro com ele, realizando a cura e devolvendo-lhe a dignidade de pessoa. Agora curado, o homem pode frequentar a assembleia do povo de Deus e participar do culto e das orações no templo.

Todo portador daquele tipo de enfermidade era o protótipo de alguém marginalizado, pobre e excluído. No entanto, a fé do homem em Jesus o liberta da doença e lhe dá a chance de uma vida nova. Ele passa a dar testemunho de sua fé em Jesus e também se torna anunciador das maravilhas que Deus operou em sua vida por meio de Jesus. Marcos destaca que Jesus tem compaixão, toca aquele doente; um gesto que somente Deus podia realizar, porque não se deixava condicionar pelas leis humanas. O dito de Jesus: “Quero, seja purificado!” denota que seu gesto visava superar toda uma tradição e um sistema legal que não favoreciam a cura daqueles que mais precisavam de cuidados. Jesus promove a libertação integral desse homem e o instrui a cumprir os preceitos exigidos pela Lei antiga, mesmo que isso não fosse condição para se tornar seu discípulo. O homem purificado se torna um testemunho da presença amorosa de Deus no meio de seu povo e um sinal de que um novo tempo está chegando com a presença do Messias enviado. Marcos conclui a narrativa sugerindo que todos aqueles que experimentam o poder transformador de Jesus se tornam discípulos missionários desejosos de anunciar as maravilhas de Deus aos irmãos.

IV. Pistas para reflexão

A marginalização dos doentes de pele retratada no Antigo Testamento e no Evangelho era total: considerados impuros aos olhos das pessoas e de Deus, eram excluídos da convivência familiar, da participação no templo e na sinagoga. A prática de Jesus rompe com a exclusão e a marginalização primeiramente porque ele acolhe, se faz próximo, tem compaixão e, com atitudes concretas, liberta as pessoas do sofrimento. Jesus não apenas conforta com palavras, mas também realiza ações libertadoras. A comunidade dos seus discípulos, seguindo seu exemplo, tem o dever de acolher e integrar todas as categorias de pobres, excluídos e marginalizados do tempo presente.

A liturgia deste domingo também destaca a atitude de gratidão daqueles que reconhecem a ação libertadora de Deus na própria vida. Esta é a atitude que os discípulos de Jesus devemos cultivar: sermos gratos a Deus e àqueles que são solidários conosco nos momentos de dificuldade. Do coração agradecido devem brotar atitudes de gratidão a Deus e às pessoas que ele põe em nosso caminho quando estamos necessitados.

Em sua mensagem por ocasião do dia mundial dos pobres, em 15/11/2020, o papa Francisco, tomando o texto de Eclo 7,32 – “estende tua mão ao pobre” –, recorda-nos que a sabedoria contida nas Escrituras revela que oração e solidariedade com os pobres e enfermos são ações inseparáveis para o cristão. Inspirados pela ação de Jesus, aprendamos que estender a mão aos necessitados é um sinal de proximidade, solidariedade e amor.

V. Hino da Camapanha da Fraternidade Ecumênica 2021

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