5º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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06/02/2021 Por Izabel Patuzzo (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; CNBB Notícias 5º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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I. Introdução geral

A liturgia do 5º domingo do Tempo Comum reflete sobre algumas realidades concretas e fundamentais da existência humana, como a dor, o sofrimento, perdas materiais e afetivas, plasticidade para cumprir a missão que Deus pede a cada um de nós. As leituras nos apresentam três exemplos de enfrentamento dos grandes desafios da vida, na perspectiva da fé em Deus. A primeira leitura relata o sofrimento e a dor de Jó; ele é desafiado a buscar um sentido para o sofrimento causado pelo inimigo. Na segunda leitura, Paulo sente o forte apelo ao anúncio do Evangelho aos irmãos, mesmo em meio às provações. No Evangelho, Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus, curando os doentes e expulsando os espíritos maus para amenizar a dor e o sofrimento daqueles que vêm até ele.

O Evangelho segundo Marcos continua a nos apresentar o ministério de Jesus na Galileia, com ações que demonstram sua sensibilidade pelo sofrimento das pessoas e seu cuidado para com elas, curando e expulsando demônios. O evangelista também nos faz ver que a realização de milagres, embora fosse parte importante na missão de Jesus, não era uma demonstração de superpoderes para atrair aplausos, e sim expressão de seu cuidado amoroso com os sofredores. Ele também cultivava sua vida de oração, sinal de sua relação íntima com o Pai.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Músicas Litúrgicas 6 · 5º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura (Jó 7,1-4,6-7)

O livro de Jó, escrito em forma de narrativa poética, trata de um drama real: o sofrimento do inocente que teme a Deus. O personagem Jó experimenta grande situação de sofrimento, a qual não é consequência de suas más ações nem vem de Deus, que admira sua retidão e fidelidade. Seu sofrimento vem do tentador, que duvida das motivações de sua fé. Toda sua dor é causada por ele, que desafia Deus e sua convicção de que alguém pode manter sua fé e retidão diante de sofrimentos e grandes perdas em situações-limite.

Jó expõe sua dor na oração diante de Deus. Sua oração é carregada de lamento, amargura, angústia e desespero. É como um grito a Deus para que olhe sua condição. Embora, às vezes, expresse revolta com o fato de Deus permitir tamanho sofrimento, no final sua prece é de quem acredita que somente Deus pode dar ouvido às suas súplicas e mudar sua sorte. O drama vivido por Jó pode ser o de tantas pessoas inocentes que não conseguem encontrar um sentido para o sofrimento. A sabedoria que se esconde no drama do personagem se revela ao longo do livro, com a conclusão de que o mal não vem de Deus. O ensinamento que se destaca é que, quando se perde tudo e todos, Deus permanece ao lado daquele que sofre, como companheiro na dor. Mesmo quando os amigos de Jó o abandonam, Deus se faz ternura, socorre-o e devolve-lhe a esperança.

2. II leitura (1Cor 9,16-19.22-23)

Nesta leitura, Paulo se dirige à comunidade de Corinto, inserida no contexto da cultura grega de seu tempo. Os cristãos de Corinto recebiam grande influência de costumes e práticas pagãs, e o apóstolo sente o chamado de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo nessa realidade. Como discípulo missionário e com espírito de gratuidade, ele se apresenta como servidor da Palavra. A partir do seu encontro com Jesus Cristo, anunciá-lo àqueles que não o conheciam se tornou um imperativo para Paulo. Ele renunciou a tudo para dedicar a vida, com toda a sua sabedoria, ao anúncio do Evangelho em uma cultura diferente da sua. O princípio que orientou toda a sua missão foi ver em cada pessoa um irmão e uma irmã, independentemente de raça, religião, gênero ou classe social. Deixando suas convicções pessoais de judeu, após sua conversão, Paulo pôs toda sua vida em função do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo.

3. Evangelho (Mc 1,29-39)

O início do Evangelho de Marcos apresenta Jesus como o Messias, isto é, realizando as obras esperadas para os tempos messiânicos, como curar os doentes, expulsar os demônios e anunciar a Boa-nova aos pobres e sofredores. O evangelista ressalta que a missão de Jesus consiste em ir ao encontro dos que sofrem nos lugares onde se situam: nas casas, nas sinagogas, nos povoados, pelos caminhos e nas cidades. A comunidade missionária constituída por Jesus está continuamente em missão, acolhendo e envolvendo novos discípulos.

O texto deixa claro que o anúncio do Evangelho transforma a vida das pessoas. Aqueles que são curados por Jesus também se tornam protagonistas da missão: ao serem tocados por ele, põem-se a serviço dos outros, como a sogra de Pedro. Marcos também menciona aqueles que traziam as pessoas até Jesus: são seus colaboradores, agindo como intercessores dos necessitados. Ainda há aqueles que, como Simão e seus companheiros, deixam tudo para segui-lo, como discípulos seus. A oração e a ação missionária eram partes essenciais da missão de Jesus e dos discípulos. Também se dedicavam à atividade catequética nas sinagogas, onde continuamente se estudavam as Escrituras. Dessa forma, o Evangelho apresenta as várias atividades que faziam parte da missão da comunidade de Jesus e atesta como ele cuidava de todos os aspectos da vida das pessoas.

IV. Pistas para reflexão

A liturgia ressalta vários aspectos que envolvem o cuidado pastoral de uma Igreja em saída, como nos recorda o papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. A alegria de encontrar-se com Jesus enche o coração do discípulo para anunciá-lo com a dedicação, o entusiasmo e a generosidade que tomaram conta do apóstolo Paulo. A dor dos que sofrem como Jó espera por uma resposta de acolhida solidária.

Como nos exorta o papa Francisco, cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus a serviço da libertação dos pobres, daqueles que sofrem, para que estes possam ser plenamente acolhidos em nossas comunidades e na sociedade.

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