4º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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19/12/2020 Por Ir. Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 4º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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"Conosco está o Senhor Deus de Israel"

I. Introdução geral

O projeto de vida plena, anunciado no Antigo Testamento, com a encarnação do Verbo se torna uma realidade concreta, embora ainda não terminada. Deus nunca abandonou seu povo nem as promessas que lhe fez. Ao contrário, ao longo da história, preparou a humanidade para a vinda do Salvador e, com ele, a instauração de seu projeto de amor. Isso significa que a história universal não é caótica, não está fora de controle, pois Deus governa os acontecimentos, os quais servem ao seu propósito de revelar-se ao mundo. Deus se utilizou de todos os eventos da história para, por meio deles, vir ao encontro do ser humano. Esteve sempre conosco, fazendo alianças, oferecendo-nos um modo alternativo de viver: em vez de egoísmo e violência, o amor e a paz. Deus sempre nos apontará um caminho para a vida e a liberdade verdadeiras.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Músicas Litúrgicas 6 · 4º Domingo do Advento: cantos litúrgicos

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. Evangelho (Lc 1,26-38)

O Evangelho desta liturgia nos diz que Maria dialogou com Deus por meio de Gabriel e mostra que Deus não se impõe, não subjuga, mas dialoga, busca um interlocutor humano e necessita da palavra de Maria, uma mulher, para que seu Filho nasça. Nesse momento decisivo, a mulher tem de agir como sujeito, quer dizer, com autonomia. Da palavra da mulher depende a Palavra de Deus, e, nessa linha, no final do Advento, descobrimos Maria como uma mulher autônoma, amorosa, livre e determinada, capaz de pôr sua vida a serviço de Deus. Ele lhe pede um compromisso que ela deve assumir de forma pessoal, sem a consulta ou a permissão de um homem, seja pai, irmão ou marido. É a mulher (antes foi Eva, agora é Maria) quem decide. Isso é muito significativo, porque a história de Israel foi narrada segundo a perspectiva de que Deus agia, geralmente, por meio do sexo masculino, com o qual fazia alianças. Agora, Deus rompe essa supremacia do homem, expressando seu mistério por intermédio da fé e da acolhida de Maria à sua proposta. Maria compreende o que Deus está propondo e por isso pergunta. Não resiste, não procura apoio em ninguém, simplesmente expressa sua dificuldade diante daquela proposta. Ela se sabe autônoma diante de Deus e, com base em sua própria solidão e autonomia, lhe responde. O anjo dialogou a sós com Maria, considerando-a como portadora da esperança messiânica. Isso rompe com o messianismo de tipo masculino, que se expressa numa visão segundo a qual o masculino é privilegiado por causa de seu poder de engendramento e por sua capacidade de imposição e violência. Esse messianismo está vinculado à figura de um rei triunfante, com insígnias de poder e guerra. O anjo, contudo, não se dirige ao homem, e sim à mulher, Maria, que não aparece em confronto com ninguém. O messianismo proposto aqui é bem diferente do messianismo de cunho masculino, pois, em vez da violência humana, é por pura graça de Deus e pela ação de uma mulher que emerge o Messias no mundo. Foi porque Deus não lhe impôs nenhum tipo de tarefa, pediu permissão, dialogou com ela, a chamou livremente, que ela pôde responder: “Eis a serva, faça em mim, com meu consentimento, aquilo que me foi dito”. Somente dessa forma, com a colaboração ativa, se podem compreender e cumprir as esperanças de Israel. A concretização do projeto de Deus somente é possível quando as pessoas dizem “sim” a Ele. Foi assim desde os tempos antigos de Israel, foi assim com Maria e com os discípulos de Jesus, e é assim conosco hoje.

2. I leitura (2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16)

A primeira leitura nos mostra que o reinado de Davi havia se consolidado e nas suas fronteiras prevalecia a paz. O rei tinha seu palácio, tudo parecia ter se estabilizado, mas a arca da Aliança continuava em um santuário provisório. O relato afirma que Davi considerou esses fatos e confiou ao profeta Natã suas intenções de construir um templo para abrigar a arca. Natã aprovou, em caráter provisório, as intenções do rei, até que houvesse a confirmação definitiva da vontade divina. Então aconteceu um giro inesperado: Deus se manifestou por meio do profeta Natã, afirmando que não seria Davi quem lhe edificaria uma casa (um templo); ao contrário, seria Deus quem ergueria uma casa (dinastia) para Davi. Isto é, com essa profecia, o Senhor prometia a Davi a continuidade do reino por meio de seus descendentes. Trata-se de aliança entre Deus e a descendência davídica, firmada mediante a fórmula: “Eu serei para ele um pai e ele será meu filho”. É possível vislumbrar, nas entrelinhas desse relato, um descendente de Davi no qual se realizarão todas as nuances e pormenores contidos no oráculo proferido por Natã. Um filho de Davi por meio do qual Deus oferecerá ao seu povo a estabilidade, o bem-estar e a paz. Esse oráculo e essa aliança realizam-se em Jesus.

3. II leitura (Rm 16,25-27)

Esse texto é o resultado de uma reflexão teológica longa e profunda, levada a termo no seio da comunidade cristã.
Os três versículos nos mostram grande verdade: o fio condutor da história humana é, sem dúvida, o projeto salvífico de Deus, escondido desde toda a eternidade, agora revelado em Cristo e proclamado pela Igreja a todos os povos. O plano de Deus é um grande “mistério” desde a criação do mundo. No passado de Israel, os profetas vislumbraram alguns sinais do que Deus estava por fazer; foi, porém, em Jesus que esse projeto se manifestou de forma clara e definitiva. Resta-nos a missão de anunciá-lo durante o tempo que falta até a volta de Jesus; nisso consiste o seguimento e a fidelidade da Igreja em resposta à eterna fidelidade de Deus.

IV. Pistas para refelxão

No mundo existe violência, injustiça, opressão, exploração… As Sagradas Escrituras testemunham, contudo, que Deus conduz a história humana e a direciona para um porto seguro, de acordo com seu projeto de amor. As promessas que Deus fez no passado foram suficientes para que Israel mantivesse firme sua fé durante milênios; hoje, essas promessas se concretizam em Jesus. Portanto, temos maiores e melhores razões para não temer o futuro do mundo. Os desafios que os acontecimentos atuais lançam à nossa fé e perseverança devem firmar nosso desejo para o acolhimento desse rei em nosso coração e em nossa vida, pois ele é Emanuel, Deus-conosco. Digamos-lhe “sim”, a exemplo de Maria.

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