33º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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14/11/2020 Por Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 33º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Vigiar é fazer crescer os dons de Deus

I. Introdução Geral

Chegamos ao penúltimo domingo do ano litúrgico, e o tema em evidência continua a ser a vigilância, apresentada nesta liturgia como empenho e responsabilidade de viver constantemente em sintonia com a vontade de Deus, fazendo frutificar os dons que ele confiou, como ensina o Evangelho. Isso exige disposição e coragem para correr riscos pelo Reino, dedicando-se ao bem do próximo, como fez Jesus – aquele que “fez o bem por onde passou” (At 10,38) – em toda a sua vida terrena. A mulher diligente da primeira leitura é um exemplo concreto da vigilância ativa que deve caracterizar a vida dos cristãos. Ela praticamente antecipa o convite de Paulo na segunda leitura para que os cristãos vivam como filhos da luz.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários bíblicos

1. I leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31

O livro dos Provérbios, do qual é tirada a primeira leitura, é grande antologia de máximas e poemas sapienciais que compreende um período de aproximadamente sete séculos de produção literária (do séc. X ao séc. III a.C.). É o mais expressivo monumento da literatura sapiencial de toda a Bíblia. Foi atribuído ao rei Salomão (Pr 1,1) – principal referência da sabedoria de Israel – mediante o fenômeno da pseudonímia, sendo, no entanto, obra de autores diversos e de diferentes épocas. O texto da leitura compreende um conjunto de fragmentos do poema conclusivo do livro (Pr 31,10-31) que faz o elogio da mulher virtuosa, a qual pode ser considerada também imagem da sabedoria personificada e modelo para todo ser humano, independentemente de gênero.

A imagem da mulher como modelo para todo o agir humano faz desse texto um dos mais surpreendentes da literatura sapiencial, na qual em geral predomina uma imagem muito negativa da mulher, com raros elogios à beleza física. Aliás, essa mentalidade depreciativa ainda aparece no início do texto, com uma pergunta que insinua ser rara uma mulher virtuosa e com a comparação dela a objetos, embora reconheça sua superioridade (v. 10). A novidade aparece logo a seguir, quando começa a sequência de elogios às suas virtudes: é digna de confiança e diligente, sendo motivo de alegria e orgulho para o marido e toda a família (v. 11-12).
É trabalhadora, sabe ocupar bem seu tempo, dando conta de todas as necessidades da casa (v. 13.19). Tem um coração generoso; comove-se diante das necessidades dos pobres, estendendo suas mãos para ajudá-los (v. 20). Por último, o autor cita a maior das virtudes da mulher: o temor do Senhor, que não é medo, mas a disponibilidade total para fazer sua vontade. Quem possui essa virtude, como a mulher descrita até aqui, sabe valorizar o que é essencial, sem preocupar-se com as aparências e com o que é passageiro, como a beleza física, por exemplo (v. 30).

Quem vive à maneira dessa mulher merece louvor de fato (v. 31), pois faz a autêntica vigilância: dedicação total ao próximo, especialmente aos mais necessitados, e temor a Deus. Além disso, como é agradável a Deus toda pessoa que o teme e pratica o bem (cf. At 10,34-35), e a mulher é descrita com essas características, logo seu comportamento é paradigma para todos os seres humanos. É esse o agir dos filhos da luz, antecipando a segunda leitura.

2. II leitura: 1Ts 5,1-6

Esta liturgia conclui a leitura da primeira carta aos Tessalonicenses, iniciada há cinco domingos. O tema tratado no presente texto é o dia do Senhor. Havia muitas tensões nas primeiras comunidades cristãs, especialmente naquela de Tessalônica, em relação à parusia, ou seja, ao retorno glorioso de Jesus. A permanência de Paulo na comunidade foi muito curta, sem tempo suficiente para aprofundar os temas mais complexos da fé cristã, deixando os tessalonicenses com muitas dúvidas e dando margem a interpretações equivocadas. Imaginavam que o dia do Senhor seria imediato; por causa disso, houve gente que deixou até de trabalhar (2Ts 3,11), achando que já não valeria a pena esforçar-se, uma vez que, dentro de poucos dias, tudo seria consumado com a volta do Senhor.

Preocupado com a situação, Paulo procura resolvê-la, como mostra a leitura, esclarecendo, em primeiro lugar, que ninguém sabe o dia nem a hora. Para isso, faz uso de algumas imagens a fim de ilustrar a explicação. O dia do Senhor será como um ladrão que não avisa quando vem, é imprevisível e deseja exatamente pegar a todos de surpresa (v. 1-2). Por isso, é necessário vigiar constantemente para não ser surpreendido; não se devem alimentar falsas seguranças, pois esse dia será como as dores de parto da mulher grávida, que surgem de repente (v. 3). É necessário preparar-se bem para não ser surpreendido, vivendo como filhos da luz e filhos do dia (v. 5), o que significa viver empenhados em fazer a vontade de Deus e praticar o bem constantemente, sem preocupações secundárias.

A quem vive à maneira de Jesus, pondo os dons recebidos à disposição de todos, a quem se dedica somente à prática do amor, não importa o dia nem a hora do retorno do Senhor. Quem deve preocupar-se são os orgulhosos, os prepotentes, os coniventes com a violência, os propagadores de mentiras, enfim, quem faz opções contrárias ao Evangelho de Jesus. A vigilância perfeita, portanto, é viver a cada dia o que Jesus ensinou, fazendo o bem a todos.

3. Evangelho: Mt 25,14-30

O Evangelho deste domingo corresponde a mais uma parábola do “discurso escatológico” do Evangelho segundo Mateus (Mt 24-25). Trata-se da “parábola dos talentos”, localizada entre a parábola das dez jovens (Mt 25,1-13) e a cena do julgamento final (Mt 25,31-46). A comunidade de Mateus vivia um momento de

crise, com certo desânimo na vivência das bem-aventuranças, núcleo central da mensagem cristã. Os cristãos esperavam um retorno imediato do Senhor e, como isso não acontecia, começaram a desanimar, abandonando a fé ou vivendo-a de modo superficial. Com essa parábola, o evangelista quer animá-los, mostrando que a espera não é um tempo perdido. Pelo contrário, é o tempo oportuno para a comunidade fazer crescer e multiplicar os dons que o Senhor lhe confiou.

Conta o texto a história de um homem que viajou para longe e deixou seus bens nas mãos de três empregados, distribuindo a cada um conforme as capacidades de administrar sua fortuna (v. 14-15). A quantidade diferenciada de bens recebidos por cada um pode ser alusão à diversidade de dons e carismas existentes na comunidade. Talento era uma medida usada para pesar metais preciosos como ouro e prata; um talento equivalia a aproximadamente 30 quilos de ouro, o que correspondia a 6 mil denários, e um denário, por sua vez, era o salário de um dia de trabalho braçal (Mt 20,2). Assim, até mesmo aquele que recebeu apenas um talento ainda recebeu grande fortuna. Isso revela a benevolência e a liberalidade do Senhor, bem como a perenidade dos bens que ele confia à comunidade.

Na prolongada ausência do dono, dois dos empregados trabalharam e se esforçaram até duplicar o que tinham recebido (v. 16-17). Quer dizer que não tiveram medo de arriscar, foram ousados e criativos. O terceiro, no entanto, pensou apenas na conservação: escondeu o talento no chão (v. 18). Ao retornar da viagem, o patrão fez o acerto de contas: recompensou os empregados que multiplicaram os talentos e puniu aquele que apenas o conservou (v. 19-28). Além disso, o patrão chamou o

terceiro servo de “mau”, mesmo sem ter cometido nenhum ato ilícito, mas apenas porque foi omisso (v. 26). Com efeito, na lógica do Reino, lógica que a comunidade cristã deve assumir, não é preciso cometer delitos para ser tratado como mau; basta ser omisso, indiferente e medroso. Não é suficiente não fazer o que é mau; basta deixar de fazer o bem para ficar fora da comunidade e, consequentemente, do Reino. A punição excessiva é apenas um alerta para o perigo de não assimilar a lógica do Reino; as consequências serão uma vida sem sentido, marcada pelo desespero, sem perspectiva alguma de futuro (v. 30).

O tempo prolongado entre a partida e o retorno do patrão significa o tempo entre a ressurreição e a segunda vinda de Jesus. A autêntica vigilância não é espera passiva, mas é atitude, é serviço em prol do Reino, por meio da multiplicação dos dons confiados pelo Senhor à comunidade. Quem pensa apenas em conservar a doutrina, os costumes e tradições, trai a confiança depositada pelo Senhor. O Reino exige decisão, ousadia, criatividade e liberdade para o uso dos dons recebidos. Ser vigilante é, portanto, não ter medo de arriscar, é pôr-se a serviço da comunidade, expondo os dons recebidos apesar dos riscos.

IV. Pistas para reflexão

Apresentar o tema da vigilância, relacionando as três leituras; enfatizar a necessidade de cada um(a) dar o melhor de si na construção de um mundo melhor. O esforço contínuo na prática do bem é a melhor maneira de vigiar e esperar o dia do Senhor. Recordar tantas mulheres que se esforçam, além das possibilidades, para dar o melhor de si a seus filhos; rezar por elas e pelas mulheres vítimas da violência doméstica.

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