3º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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25/01/2020 Por Francisco Cornélio Freire Rodrigues (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 3º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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I. Introdução geral

O centro da liturgia da Palavra desta celebração é a inauguração do ministério de Jesus na Galileia, conforme o relato de Mateus. Esse acontecimento compreende o início do anúncio do Reino dos céus, com a exigência de conversão, o chamado dos primeiros discípulos como colaboradores da sua missão e pequena síntese da sua atividade libertadora. Mateus e sua comunidade interpretaram isso como o cumprimento da profecia de Isaías, que anunciou, quase oito séculos antes, o surgimento de uma grande luz iluminando a marginalizada e sofrida Galileia, região que tinha acabado de cair nas mãos do império assírio e vivia uma situação de trevas. Por isso o evangelho se harmoniza tão bem com a primeira leitura. De fato, o anúncio e o fazer acontecer do Reino dos céus por Jesus, com sua coerência e liberdade, são como uma luz brilhando nas trevas, ou seja, têm um efeito transformador maravilhoso.

O Reino dos céus, no entanto, pode ser ofuscado e deixar de brilhar como luz quando nas comunidades há divisões e rivalidades. Isso ocorre quando Cristo deixa de ser o centro da vida das pessoas e das comunidades. A segunda leitura mostra que isso estava acontecendo na comunidade de Corinto e indica como Paulo procurou resolver esse problema. O Reino se manifesta e nós vemos a luz de Cristo somente quando ele mesmo é o centro da nossa existência. Por isso a conversão é indispensável!

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Is 8,23b-9,3

A primeira leitura é um oráculo messiânico do final do século VIII a.C., quando Israel do norte, território correspondente à região da Galileia, tinha sido invadido e dominado pelo exército assírio. Além de levar parte da população local como escrava, os assírios trouxeram povos estrangeiros para viver em Israel, principalmente nas tribos de Zabulon e Neftali, introduzindo ali costumes e cultos pagãos. Por isso, aquela região ficou conhecida como “Galileia das nações ou dos pagãos” (8,23b). Com uma linguagem poética e simbólica, o profeta Isaías anuncia a transformação daquela realidade caótica, mostrando o agir restaurador de Deus com diversas imagens.

O drama vivido pelas tribos mencionadas e por toda a região equivalia a um mundo de trevas, o que, na linguagem bíblica, corresponde à ausência de vida e de Deus. A luz, o primeiro elemento criado por Deus para tirar o universo do caos primordial (cf. Gn 1,3), é a primeira imagem empregada pelo profeta para anunciar a restauração (cf. 9,1). A passagem das trevas à luz é marcada pela alegria, expressa com duas imagens que simbolizam a prosperidade de uma nação: a alegria dos ceifeiros na colheita e a festa dos guerreiros após vencer uma batalha (cf. 9,2). Por último, o profeta aponta a liberdade como coroamento da restauração de Israel, vendo os instrumentos de opressão serem quebrados (cf. 9,3) e comparando esse evento com a vitória de Gedeão sobre os madianitas (cf. Jz 7,16-21).

O oráculo do profeta, portanto, apresenta a confiança em um Deus que não abandona seu povo, por mais que este não lhe seja plenamente fiel e passe por momentos difíceis ao longo da história. A luz anunciada pelo profeta brilhou de modo definitivo e claro em Jesus, o libertador por excelência.

2. II leitura: 1Cor 1,10-13.17

Embora reconhecida pela sua diversidade de ministérios e carismas, a comunidade de Corinto tinha sérios problemas internos. A segunda leitura mostra alguns desses problemas, como Paulo ficou sabendo deles (cf. v. 11) e como procurou resolvê-los. O primeiro problema tratado pelo apóstolo foi a divisão dos cristãos em diversos grupos ou partidos, atraídos pela simpatia ou pelas habilidades retóricas do pregador. Por isso, “em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”, Paulo exorta os cristãos da comunidade à concórdia, implorando que superem as divisões entre si para recuperar a unidade (cf. v. 10).

As divisões acontecem quando o Cristo crucificado e ressuscitado, o único que deu a vida para nos salvar, deixa de ser o centro da vida comunitária. Equivocadamente, os cristãos daquela comunidade imaginavam pertencer ao apóstolo ou ao pregador por meio do qual lhes tinha chegado o anúncio do evangelho ou que lhes tinha administrado o batismo, e não a Cristo (cf. v. 12). Isso é inconcebível, pois é Cristo quem foi crucificado e é no nome dele que os cristãos são batizados. Quem salva não é o ministro que administra o batismo, nem o pregador, mas somente Cristo.

Os pregadores são meros instrumentos, e Paulo tinha clara consciência disso. Com efeito, partindo do seu próprio exemplo, ele recomenda que os pregadores não ponham a confiança nas próprias habilidades retóricas, para que a adesão à fé seja motivada somente pela força do Cristo crucificado e ressuscitado, pois o uso de muitos recursos pode ofuscar o valor e o poder que a Palavra de Deus contém por si mesma (cf. v. 17).

A comunidade cristã é o corpo de Cristo, e toda vez que acontecem divisões entre os cristãos, é o próprio Cristo que está sendo dilacerado. É preciso manter a unidade e a harmonia, o que requer muito compromisso, tanto das lideranças quanto dos membros da comunidade em geral.

3. Evangelho: Mt 4,12-23

O evangelho apresenta o início da missão de Jesus na Galileia. A prisão de João Batista é o sinal de que é chegada a hora de Jesus entrar em cena e apresentar sua mensagem libertadora (cf. v. 12). Como as tradições judaicas estão fortemente enraizadas na comunidade de Mateus, o evangelho faz questão de apresentar Jesus como o realizador das profecias do Antigo Testamento. Assim, introduz a missão de Jesus como o cumprimento da profecia de Isaías lida na primeira leitura.

O início na Galileia indica, antes de tudo, quem são os primeiros destinatários da sua mensagem: as pessoas excluídas e marginalizadas. A população dessa região periférica era considerada semipagã, devido à introdução de povos estrangeiros ali, durante a dominação assíria. Embora tivessem se passado quase oito séculos, os galileus, para o judaísmo oficial, eram gente desprezível, adepta de costumes sincréticos e pouco ortodoxos. É a esse povo que Jesus se manifesta primeiro.

A mensagem de Jesus consiste no anúncio do Reino dos céus, o que os demais evangelistas chamam de Reino de Deus. Mateus prefere chamá-lo de “Reino dos céus”, expressão que se repete 32 vezes ao longo do livro. Esse Reino é dos céus porque sua fonte originária é o amor de Deus, mas não se trata de uma proposta ou promessa de vida para o além. É um projeto de mundo que consiste em novas relações, baseadas na justiça, no amor, no perdão, na solidariedade e no serviço. É um ideal de mundo marcado por igualdade e fraternidade, sem nenhum tipo de preconceito. O anúncio do Reino é acompanhado do convite à conversão, o que significa mudança radical de mentalidade. De fato, é necessária nova mentalidade para assimilar um projeto de mundo tão inclusivo e inovador.

Para um povo oprimido pela dominação romana e desprezado pela religião oficial, o judaísmo da época, essa mensagem só poderia ser interpretada como luz brilhando nas trevas. Jesus diz que o Reino “está próximo” porque ele mesmo é o Reino em pessoa. A expressão “está próximo” não se refere à temporalidade do Reino, mas exprime sua materialidade, sua realização concreta, manifestada pelo estilo de vida de Jesus e pelos sinais por ele realizados: curas das doenças e enfermidades do povo (cf. v. 23).

O chamado imediato dos primeiros discípulos evidencia a urgência do Reino e sua simplicidade. Jesus chama pessoas comuns, envolvidas nos afazeres cotidianos: no caso, pescadores, que se dedicavam a lançar as redes ao mar e consertá-las (cf. vv. 18.21). Ao chamar, confere uma missão: ser “pescadores de homens” (v. 19). Essa expressão não pode ser usada para justificar proselitismos e abusos de poder, mas é necessário compreender seu sentido mais profundo. O mar era considerado a morada do mal, de acordo com a mentalidade bíblica. Era sinal de perigo e de morte. Ser pescador de homens, portanto, significa empenhar-se para tirar as pessoas das situações de negação da vida digna, consiste em promover a libertação de quem vive em situações de opressão, seja esta socioeconômica ou ideológica, incluindo a religiosa. Enfim, é oferecer o amor vivificador de Deus a todos, começando pelos mais necessitados. Essa é a missão dos batizados e batizadas de todos os tempos, de quem acredita na força do amor!

IV. Pistas para reflexão

É importante enfatizar o Reino como centro da mensagem de Jesus, apresentando a Igreja como a responsável para que esse Reino continue a se manifestar como luz na vida das pessoas, no hoje da história. O evangelho de Jesus Cristo é palavra viva e eficaz, com força em si mesma, mas essa força pode ser ofuscada pelas incoerências da comunidade, como as vaidades das lideranças, as divisões e rivalidades que às vezes surgem entre os diversos movimentos e grupos. Cabe trabalhar a unidade entre os membros da comunidade como critério de pertença a Jesus e à Igreja.

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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