3º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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14/12/2019 Por Zuleica Aparecida Silvano (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 3º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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“Criai ânimo, não tenhais medo!” (Is 35,4)

I. Introdução geral

“Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão”: essa é a mensagem de esperança que ecoa neste terceiro domingo do Advento (I leitura), o domingo da alegria. Alegria que nasce da certeza de que o próprio Deus nos salvará, da percepção dos sinais do Reinado de Deus nos gestos libertadores de Jesus e no anúncio da Boa-Nova aos pobres (evangelho). Alegria que é sustentada pela certeza da vinda do Senhor. Para vivermos este tempo novo do Reino e da graça, somos convidados também a exercitar a audácia profética de João Batista (evangelho), buscando discernir os sinais divinos mesmo em meio aos conflitos, cultivar a comunhão e viver a alegria de experimentar o grande amor de Deus, que sempre nos exorta a criar ânimo e não ter medo.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Is 35,1-6a.10

O texto de Is 35 faz parte do primeiro livro de Isaías (1-39), porém tem grande afinidade com o Dêutero-Isaías (40-55). A alegria por causa da salvação realizada por Deus é o tema central dessa passagem. O autor convida os exilados, que estão desanimados e sem esperança, a confiar no Senhor, pois ele intervirá e a terra será transformada, gerando a alegria em toda a criação. Essa salvação não se restringe à libertação do exílio na Babilônia, mas envolve a participação na nova criação realizada por Deus e a libertação de tudo aquilo que oprime as pessoas. Os verbos utilizados para expressar a alegria (cf. v. 10) são típicos dos anúncios de salvação. De fato, essa salvação é anunciada nos versículos anteriores. O primeiro verbo, “cantar os louvores” (v. 10), é próprio do contexto cultual. Tal expressão geralmente remete à alegria pelo retorno do exílio e tem, como contexto, a confirmação da soberania divina; ao mesmo tempo, cria a expectativa pela imediata irrupção do reinado universal de Deus, como podemos perceber em todo esse trecho de Is 35, no qual se fala da majestade e da glória divina (cf. v. 2).

A majestade divina é manifestada nas ações salvíficas de Deus, principalmente contra os adversários de Israel, conforme é expresso no v. 4. Por isso, o povo é exortado a “criar ânimo” e a “não temer”. É convidado a confiar na presença, proteção e ação salvífica de Deus, o aliado do povo, sobretudo das pessoas mais vulneráveis (cf. vv. 5-6).

2. Evangelho: Mt 11,2-11

Mateus 11 pertence ao bloco das narrativas que têm como tema a rejeição do messianismo de Jesus. Percebe-se uma afinidade entre a I leitura e o evangelho. Na I leitura, o profeta anuncia a promessa de uma transformação na natureza e da manifestação da salvação de Deus, sobretudo aos mais vulneráveis. No evangelho, essa promessa se cumpre em Jesus Cristo, o verdadeiro Messias enviado por Deus. Outro tema retomado no elogio de Jesus a João Batista é o ser profeta.

O evangelista enfatiza a dúvida de João Batista sobre a identidade de Jesus, ao mostrar o profeta enviando discípulos para obter uma confirmação, dado que estava preso e sua descrição do Messias era conforme as expectativas apocalípticas. Jesus não responde simplesmente à pergunta que lhe foi feita, mas elucida os sinais da manifestação do Reino de Deus, retratado em seu ministério misericordioso e dirigido aos marginalizados. Tais sinais se evidenciam ao libertar as pessoas das suas enfermidades, dos seus males, ao restaurar a vida e anunciar a Boa-Nova da libertação aos pobres. Essa resposta também indica que acreditar no Messias não consiste em saber quem ele é ou ter um conhecimento intelectual sobre Jesus, mas em contemplar a manifestação do Reinado de Deus entre os mais pobres. Desse modo, as palavras e gestos de Jesus atestam sua identidade e sinalizam o cumprimento da justiça de Deus, a qual se expressa na benevolência, na misericórdia e na compaixão do Messias para com os marginalizados, os pobres, os aflitos, os sem vida. É a manifestação das bem-aventuranças.

Jesus termina seu discurso proclamando uma bem-aventurança: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Quem é esse? É aquele que se abre à manifestação do Reino de Deus em Jesus Cristo. Feliz é aquele que não se escandaliza nem tenta fazer que o Reino de Deus seja moldado segundo seus interesses e critérios ou se ajuste às expectativas messiânicas triunfalistas, mas está disposto a acolher o projeto do Pai, que nos surpreende, nos desacomoda, pois não segue os critérios humanos.

Os discípulos de João partem para informá-lo sobre a identidade de Jesus, o qual, agora, passa a desvelar a identidade do Batista diante das multidões (cf. vv. 7-10), pois compreender a identidade e a missão desse profeta significa entender a identidade e a missão de Jesus. Nesse discurso, Jesus afirma que a missão de João Batista é preparar o caminho para a vinda do Messias. As perguntas e imagens empregadas por Jesus para descrever a identidade de João Batista (“Que saístes para ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? […] Alguém vestido em roupas finas?”) remetem-nos ao início do Evangelho segundo Mateus, que apresenta as pessoas indo para o deserto a fim de ouvir a exortação de João. Ele pregava a necessidade do arrependimento para acolher a vinda do Messias, indicando que essa preparação já testemunhava que o Reino vindouro não se adequava às expectativas da sociedade daquele tempo. De fato, a postura profética de João acenava para um Reino voltado para os pobres, marcado pela presença misericordiosa de Deus e anunciado por alguém que tinha convicção e autoridade, porque realmente vivia aquilo que anunciava e não era um “caniço agitado pelo vento”. Essas descrições entram em contraste com a imagem de Herodes Antipas, que tenta abafar a profecia de João, assassinando-o.

Em conclusão, Jesus diz que João Batista é mais do que um profeta, por ser escolhido por Deus para realizar sua vontade – preparar os caminhos para a vinda do verdadeiro Messias (cf. Ml 3,1 e Ex 23,20). E é também o maior dos homens, porque soube ser o menor, estar a serviço, doar a vida e realizar a missão dada por Deus. Assim, João Batista preparou o caminho para a epifania da obra salvífica de Deus, a qual se manifestou por meio dos gestos libertadores de Jesus.

3. II leitura: Tg 5,7-10

A carta de Tiago, presente no Novo Testamento, faz parte das “cartas católicas”, chamadas assim por conterem uma mensagem para todos. O autor da carta exorta os batizados a assumir certas atitudes antes da vinda do Senhor. A primeira é a espera paciente, confiando na ação de Deus. Essa espera não é passiva, mas consiste numa fidelidade ativa. Para ilustrar, o autor se serve da imagem do agricultor. O agricultor faz sua parte, dá sua contribuição; sabe, porém, que quem faz crescer a semente e nascer o fruto é o próprio Deus. Outra mensagem que podemos tirar da imagem agrícola utilizada pelo redator é que Deus não abandona seu povo nos momentos de maior dificuldade; julgará com justiça e dará ao seu povo o que é necessário para viver (chuvas de outono ou de primavera – cf. Dt 11,14; Jr 5,24; Jl 2,23), mas é importante este ter paciência e ouvir os sinais dos tempos, para poder julgar com sabedoria.

A segunda atitude é ter os corações fortalecidos, isto é, saber discernir, decidir com prudência e ser perseverantes no caminho assumido, mesmo diante dos conflitos e do sofrimento. A expressão “a vinda do Senhor está próxima” (v. 8) pode ser interpretada como a vinda do Senhor no fim dos tempos, na parusia, mas também como a intervenção de Deus na história, tal como anunciavam os profetas e se manifestou na vida de Jesus Cristo (cf. Am 1,2-2,16; 3,1-8; Ml 3,1; Is 35,4).

A terceira atitude incentivada pelo autor da carta é a comunhão e o viver com alegria, ajudando o outro em sua caminhada, não julgando, pois o julgar pertence a Deus, o justo juiz. Por fim, exorta-se o/a batizado/a a ter audácia profética e ser mensageiro/a da ação salvífica de Deus.

IV. Pistas para reflexão

A liturgia deste terceiro domingo do Advento nos impele a nos alegrarmos e a não ter medo diante das dificuldades, pois a vinda salvadora de Deus transforma todo o universo, liberta o povo do cativeiro e se manifesta na ação libertadora de Jesus. Além de acolhermos o convite à alegria pela imensa manifestação da bondade e da ternura de Deus, somos convidados a nos perguntar: para nós, que importância tem a resposta dada por Jesus aos discípulos de João Batista? Que Boa Notícia nos traz? Das atitudes elencadas na carta de Tiago, qual nos chama mais a atenção? Como estamos preparando o coração para celebrar a encarnação de Jesus na celebração do Natal que se aproxima?

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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