29º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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17/10/2020 Por Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; CNBB Notícias 29º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
Mt 22,15-21
Mt 22,15-21
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É Deus o Senhor da história e de todo ser humano

I. Introdução geral

O tema central desta liturgia é a afirmação de Deus como único Senhor da história e da vida de cada pessoa. A profecia de Isaías lê os acontecimentos do final do exílio à luz da fé, mostrando como Deus se interessa pelos eventos da história, promovendo a libertação do seu povo e conduzindo-o à felicidade e ao bem. Para fazer isso, serve-se até dos mais inesperados instrumentos, como Ciro, um rei pagão. No Evangelho, Jesus ensina que o ser humano, imagem de Deus, pertence somente a ele, a quem deve ser plenamente restituído. Por isso o ser humano deve exercer sua cidadania no mundo sem permitir que nenhuma outra pessoa, bem material ou sistema ocupem o lugar de Deus. A segunda leitura mostra como os cristãos de Tessalônica aceitaram a soberania de Deus na própria vida, vivendo com intensidade a fé, a esperança e a caridade.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Is 45,1.4-6

A primeira leitura pertence à segunda parte do livro de Isaías (Is 40-55), obra de um profeta anônimo que exerceu seu ministério na fase final do exílio na Babilônia, entre os anos 550 e 539 a.C. Convencionou-se chamar esse profeta de “Segundo Isaías” e a sua obra de “livro da consolação”, por causa da mensagem de consolo e esperança que transmite. No ano 539 a.C., o império opressor babilônico é derrotado pelo Império Persa, sob o comando do rei Ciro, que logo promulga um decreto, o famoso “édito de Ciro”, concedendo a liberdade para os judeus exilados retornarem à pátria. O trecho lido nesta liturgia está diretamente relacionado a esse fato. Apesar da alegria causada inicialmente, surgiu um grande dilema, pois, para os judeus, a figura do libertador só poderia ser um membro do próprio povo, um descendente de Davi. Não era fácil aceitar um libertador estrangeiro.

O “Segundo Isaías” exerceu um papel muito importante nesse contexto, esclarecendo a questão e encorajando o povo a aceitar a proposta de libertação oferecida por Ciro. Deus, o único Senhor da história, escolhe seus instrumentos conforme seus próprios critérios; foi ele quem escolheu Ciro para derrubar a prepotência da Babilônia e permitir o retorno dos judeus à sua pátria. Por isso, o profeta descreve a missão de Ciro com as mesmas características esperadas de um descendente de Davi, acentuando as funções político-militares (vv. 1.5) e até lhe atribuindo o título de ungido (v. 1). Isso significa que ele recebeu a unção do Espírito de Deus e foi investido para essa missão. Essa é a primeira vez que um rei estrangeiro recebe tal título na Bíblia. O termo “ungido” é equivalente a “messias” e “cristo”. No Antigo Testamento, somente três categorias de pessoas recebem a unção de Deus: reis, sacerdotes e profetas. A mensagem do profeta termina revertendo o clima de desconfiança: a escolha de um libertador estrangeiro é uma demonstração da soberania de Deus sobre toda a terra (v. 6), e não apenas sobre um pequeno povo. É também uma denúncia aos nacionalismos exclusivistas. Para realizar seus projetos, o Senhor utiliza como instrumentos pessoas que nem sabem que estão sob seu domínio, como Ciro não sabia (vv. 4-5).

O retorno do povo à terra é sinônimo de felicidade e vida plena. Assim, o profeta recorda que Deus quer somente o bem para seu povo e para toda a humanidade. Por isso, ele intervém na história, empregando sua força e seu amor e utilizando até os mais inesperados instrumentos, quando necessário.

2. II leitura: 1Ts 1,1-5b

Por cinco domingos consecutivos, começando neste, a segunda leitura será tirada da primeira carta aos Tessalonicenses, o escrito mais antigo do Novo Testamento. A comunidade cristã de Tessalônica foi fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária (At 17,1-9), por volta do ano 50; a carta foi escrita no ano seguinte, quando Paulo já estava em Corinto, ainda na mesma viagem. A permanência de Paulo em Tessalônica foi muito curta, em virtude da perseguição dos judeus. Por isso, não teve tempo suficiente para instruir adequadamente a comunidade. Pouco tempo depois, porém, recebeu notícias animadoras de lá: apesar de perseguida e pouco instruída nos fundamentos da fé, a comunidade permanecia fervorosa, fiel ao Evangelho e em contínuo crescimento. A primeira carta foi escrita como resposta de Paulo a essa realidade tão animadora.

A leitura contém a introdução da carta, com a saudação inicial (v. 1) e solene ação de graças (vv. 3-5), que praticamente descreve a comunidade, pois os motivos da ação de graças são as próprias qualidades da comunidade: a atuação da fé, o esforço da caridade e a firmeza da esperança (vv. 2-3). As três virtudes fundamentais da vida cristã, as quais mais tarde a Igreja definiu como “teologais”, estavam sendo vivenciadas intensamente pelos tessalonicenses; com efeito, as expressões que acompanham cada uma delas revelam o quanto eles responderam ao Evangelho de maneira dinâmica e concreta. Isso tudo é motivo de ação de graças a Deus e confirmação de que eles foram admitidos entre seus escolhidos (v. 4).

Os tessalonicenses, portanto, não assimilaram o Evangelho anunciado por Paulo e companheiros como mero discurso, mas como força transformadora de Deus no mundo. Ao reconhecer o protagonismo do Espírito Santo na evangelização (v. 5), Paulo proclama a soberania de Deus sobre a história e se reconhece como mero instrumento da ação divina. A resposta positiva dos tessalonicenses ao anúncio do Evangelho prova que aceitaram a soberania de Deus.

3. Evangelho: Mt 22,15-21

O Evangelho continua situado no contexto do ministério de Jesus em Jerusalém. Essa foi a etapa mais tensa de toda a sua vida pública, marcada pelo confronto direto com as autoridades religiosas e políticas, cujo desfecho foi a morte de cruz. Diferentemente dos últimos domingos, nos quais os interlocutores de Jesus eram os sacerdotes e anciãos, neste seus interlocutores são os discípulos dos fariseus e alguns adeptos do partido de Herodes. Mudam-se os personagens, mas a intenção é a mesma: provocar em Jesus sua autocondenação, armando-lhe ciladas para deixá-lo em situação constrangedora e acusá-lo publicamente (v. 15).

Temos já um prelúdio da paixão: a formação do complô político-religioso em vista da eliminação de Jesus. Não havia nenhuma afinidade ideológica entre os fariseus e os herodianos. Os fariseus constituíam a ala do judaísmo mais genuína e fiel à Lei; toleravam a dominação romana por conveniência, mas não eram adeptos do sistema. Os herodianos, contrariamente, formavam o partido de apoio público à dominação romana. Ambos os grupos se unem por conveniência e se dirigem a Jesus com falsos elogios, fingindo reconhecer sua autoridade (v. 16). Fazem uma pergunta maliciosa, imaginando colocar Jesus num beco sem saída: “É lícito ou não pagar o imposto a César?” (v. 17b). Uma resposta na lógica do “sim” ou “não” era o que eles queriam, pois daria razões para um ou outro grupo acusá-lo, seja de apoiador da dominação estrangeira, seja de subversivo.

Jesus reverte a situação a seu favor e desmascara a hipocrisia dos seus interlocutores, colocando-os em desconforto (vv. 18-21). Ora, se eles usavam a moeda romana, que trazia a figura e o título do imperador, não tinham motivos para opor-se ao imposto. Logo, a legitimidade do pagamento era uma questão secundária. Em vista disso, Jesus propõe uma reflexão muito mais profunda: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (v. 21b). Aqui, Jesus não está estabelecendo duas esferas de poder, a temporal e a espiritual, como às vezes se interpreta essa afirmação. O verbo usado pelo evangelista não é exatamente dar, mas devolver, restituir. Além da moeda com a imagem de César, deve ser-lhe devolvida a mentalidade imperial que estava sendo imposta e assimilada pelas pessoas, tornando-as escravas.

Na sua resposta, Jesus acrescenta um elemento muito importante que não tinha sido perguntado: a relação com Deus e a necessidade de devolver o que lhe pertence. A “moeda” de Deus é o ser humano; é este que tem a imagem de Deus gravada em seu rosto. Logo, devolver a Deus o que é dele é restituir ao ser humano a sua dignidade original e inalienável. Inserido no mundo, o ser humano precisa ter consciência da sua pertença a Deus e não compactuar com nenhum sistema injusto que escravize e roube sua dignidade.

IV. Pistas para reflexão

Relacionar as três leituras, identificando nelas o tema da soberania de Deus. Enfatizar que Jesus não está propondo a divisão do mundo em dois reinos, o de César e o de Deus; o Estado não pode ser considerado uma realidade paralela ao domínio de Deus com atribuições diversas, mas é um componente do único mundo, cuja soberania pertence somente a Deus. Os cristãos devem ser vigilantes para que o bem mais precioso de Deus, o ser humano com sua dignidade, não se torne posse de nenhum sistema, seja religioso, político ou econômico. Recordar o Dia Mundial das Missões.

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