28º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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10/10/2020 Por Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 28º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
Mt 22,1-14
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Um banquete preparado para todos

I. Introdução geral

Da imagem da vinha, presente nos últimos três domingos, a liturgia passa à imagem do banquete, como símbolo bíblico privilegiado para expressar o projeto de felicidade e vida plena que Deus tem para toda a humanidade. É imagem que evoca comunhão, diálogo, intimidade, alegria, amor e abundância; enfim, é, acima de tudo, sinal de festa. Deus nos criou para viver tudo isso, como mostra a liturgia deste dia, especialmente a primeira leitura e o Evangelho. O texto de Isaías anuncia um farto banquete preparado por Deus e oferecido a todos os povos da terra. O efeito da participação nesse banquete é a vida em abundância. A parábola do Evangelho reforça o anúncio profético e alerta para as consequências de não levar a sério o convite para o banquete, seja dizendo não, seja o aceitando sem comprometer-se totalmente. O testemunho de Paulo, na segunda leitura, é exemplo de quem aceitou plenamente o convite de Deus e ainda se tornou mensageiro desse convite, levando muitas outras pessoas à participação no banquete do Senhor, como fez com os filipenses.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Is 25,6-10a

A primeira leitura pertence a uma seção do livro de Isaías conhecida como o “grande apocalipse de Isaías” (Is 24-27). É surpreendente a localização desses capítulos no Primeiro Isaías (Is 1-39), uma obra pré-exílica do século VIII a.C., uma vez que a linguagem e a mensagem se alinham mais ao Terceiro Isaías (Is 56-66), escrito provavelmente entre os anos 537 e 510 a.C., já no contexto do pós-exílio. Questões cronológicas à parte, o mais importante é a mensagem da leitura e sua relação direta com o Evangelho. A imagem do banquete na Bíblia é muito rica de significados, como já acenamos na introdução. Nesta leitura, especialmente, recorda a fraternidade universal desejada por Deus e anuncia que a salvação é destinada a toda a humanidade, e não apenas ao povo de Israel.

Em tom festivo, o profeta anuncia um banquete preparado pelo Senhor, ao qual todos os povos são convidados, sentando-se à mesma mesa para saborear ricas iguarias e bom vinho, símbolos da abundância dos dons de Deus, como o amor, a paz e a alegria (v. 6). O cenário do banquete é o “monte”, ou seja, a cidade de Jerusalém, e isso significa que a morada de Deus pertence também a toda a humanidade. Além do direito de saborear as ricas iguarias, a participação no banquete garante o conhecimento de Deus, com a remoção do véu que encobria seu rosto para os outros povos (v. 7). Finalmente, o maior dos dons é anunciado: a vida em plenitude, com a eliminação definitiva da morte e suas consequências, como a dor e a vergonha (v. 8). Não se trata da morte física natural, mas de tudo o que impede o triunfo da vida: as injustiças, a ganância, a violência e o pecado como um todo.

A participação no banquete suscita um solene hino de ação de graças ao Senhor pela salvação ofertada abundantemente a todos os povos, o que confirma seu reinado sobre a humanidade inteira (vv. 9-10b). É a instauração de um novo mundo, marcado pela felicidade e pela abundância de vida, correspondente ao Reino dos céus anunciado por Jesus.

2. II leitura: Fl 4,12-14.19-20

Neste domingo concluímos a leitura sequenciada de textos da carta de Paulo aos Filipenses. O trecho deste dia pertence à seção de ação de graças (vv. 10-20), localizada na última parte da carta (Fl 4,2-23). Uma das regras adotadas por Paulo, em sua atividade missionária, era não receber ajuda material das comunidades por onde passava, embora reconhecesse ter direito de recebê-la (1Cor 9,4-18; 1Ts 2,5-6). Ele vivia da própria profissão de artesão, fabricador de tendas (At 18,3), para não se tornar um peso para as comunidades (2Cor 12,13-18) e para explicitar a gratuidade do Evangelho, ainda que tivesse passado por sérias necessidades em algumas ocasiões. Sensível às necessidades dos outros, ele organizou uma coleta para os pobres de Jerusalém, nas comunidades por onde passou (1Cor 16,1-3; 2Cor 8-9), mas nunca pediu algo para si. No entanto, houve uma exceção: aceitou a ajuda dos filipenses, o que prova quão estreitos eram os laços que os unia. A leitura contém os agradecimentos por essa ajuda, em forma de confissão.

Paulo agradece aos filipenses com muito afeto, embora ainda pareça constrangido por ter recebido a ajuda. Confessa que a vida entregue à causa do Evangelho o ensinou a viver bem em qualquer circunstância, tanto na abundância quanto na miséria (v. 12). Essa consciência não é fruto de capacidades pessoais, mas consequência de quem reconhece a força de Cristo em sua vida (v. 14). De fato, quem é fortalecido por Cristo tudo pode, mesmo quando nada tem. A partilha generosa de dons, tanto materiais quanto espirituais, gera comunhão; por isso, foi oportuna a ajuda dos filipenses, pois fortaleceu ainda mais os laços de afeto que já uniam o apóstolo e a comunidade (v. 14). O gesto generoso dos filipenses beneficiaria também a eles, pois veriam aumentar a providência de Deus (v. 19). Longe de estimular uma teologia da retribuição, o apóstolo está ensinando que generosidade gera generosidade. Por tudo isso, Deus Pai é glorificado (v. 20).

Paulo é exemplo concreto de quem atendeu ao convite para participar do banquete do Senhor. Graças ao seu testemunho, muitos cristãos ao longo da história, à semelhança dos filipenses, também atenderam ao convite, aprendendo que a exigência primordial é o amor generoso ao próximo como manifestação do amor a Deus.

3. Evangelho: Mt 22,1-14

No Evangelho, lemos a última das três parábolas contadas por Jesus em resposta ao questionamento dos sumos sacerdotes e anciãos do povo sobre sua autoridade de ensinar no templo (Mt 21,23). As outras duas foram lidas nos domingos anteriores e empregavam a imagem da vinha: a dos dois filhos (Mt 21,28-32) e a dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43). A desta liturgia emprega a imagem do banquete: trata-se da parábola dos convidados para a festa de casamento, a qual consta também no Evangelho de Lucas (Lc 14,14-24), com a diferença de que a versão de Mateus contém uma cena a mais: o convidado sem o traje adequado. Jesus já se encontra em Jerusalém, vivendo a fase mais tensa do seu ministério, marcada pelo confronto direto com as autoridades religiosas que não o aceitam como Messias e rechaçam sua mensagem.

A imagem de um banquete, para a mentalidade da Bíblia, já é rica por si só, quanto mais a de um banquete de casamento, pois recorda a Aliança entre Deus e Israel. Sendo uma festa preparada por um rei, imagina-se a abundância de comida, bebida e alegria. É com essa imagem que Jesus compara o Reino dos céus (v. 2) e, ao mesmo tempo, denuncia seus interlocutores, os sacerdotes e anciãos. O rei é Deus, obviamente. Os empregados enviados para fazer o convite são os profetas do Antigo Testamento, os apóstolos e os discípulos de todos os tempos. Os convidados são a humanidade inteira, começando por Israel, o povo escolhido primeiro. A rejeição dos convidados ao convite é semelhante ao repúdio das autoridades de Jerusalém a Jesus e seu Evangelho (vv. 3-6). A rejeição ao convite e o desprezo aos mensageiros geram consequências muito sérias; não se trata de castigo, mas de um alerta: fora do Reino, a vida não tem sentido. É esse o significado do fogo, choro e ranger de dentes (vv. 7.13).

Os últimos convidados, encontrados ao longo das estradas, representam todas as nações da terra (vv. 9-10), o que significa que o Reino é universal; o convite é feito a todos, sem distinção, incluindo maus e bons. A resposta de cada pessoa é decisiva. O traje de festa é a responsabilidade e o compromisso com a causa do Reino; é a vivência das bem-aventuranças (Mt 5,1-12), a regra de vida dos discípulos de Jesus. Sem esse traje, é impossível permanecer na festa (vv. 11-13). Por isso, aceitar o convite e não assumir a responsabilidade implicada nele traz consequências tão danosas quanto a rejeição ao convite, ou seja, impede de viver a vida em plenitude, privando-a de sentido (vv. 7.13).

Jesus encerra a parábola com uma máxima proverbial que reforça a necessidade de comprometer-se com a causa do Reino (v. 14): não basta ser convidado, até porque todos são, indistintamente. É preciso trajar a veste das bem-aventuranças para participar do banquete e ser também mensageiro do convite, com o anúncio e o testemunho.

IV. Pistas para reflexão

Destacar a unidade entre as leituras. Enfatizar o aspecto festivo do banquete, motivando a comunidade a viver a fé de maneira comprometida e alegre. Recordar a gratuidade e a generosidade da relação de Paulo com os filipenses como um estímulo para a construção de relações sinceras e generosas na comunidade. O convite à festa dirigido a todos, sem distinção, deve motivar os cristãos a se tornarem mais tolerantes, compreensivos e abertos, respeitando as diferenças individuais e culturais; também deve iluminar a comunidade, tornando-a mais acolhedora e servidora.

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