27º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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05/10/2019 Por Luiz Alexandre Solano Rossi (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 27º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Capacitados por Deus para o serviço

I. Introdução geral

O que fazemos com os dons e talentos que temos? Trata-se de pergunta importante, porque nos leva para dentro da comunidade. E uma comunidade é composta de muitos membros, cada um dos quais com inúmeros dons e talentos. Assim, é necessário pensar na multiplicidade de dons e talentos presentes em cada comunidade e como eles agem para aprimorar o corpo de Cristo. Quando não se tem noção real dos próprios dons e talentos, é necessário buscar discernimento e aconselhamento para descobrir quais seriam; todavia, quando se sabe e eles não são postos à disposição do crescimento da comunidade, sonega-se a ela parcela importante daquilo que lhe foi reservado.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura (Hab 1,2-3; 2,2-4): o justo viverá por sua fidelidade

A terra está cheia de violência, diz o profeta Habacuc. E a leitura que ele faz da realidade é por demais catastrófica. Com efeito, o rei Joaquim, filho do famoso rei Josias, havia sido nomeado rei pelo Egito. No entanto, não seria uma nomeação sem interesse. O rei do Egito impôs pesado tributo em ouro e prata que, para ser pago, levou o rei Joaquim a espoliar duramente o povo (cf. 2Rs 23,33-35). Violência, crime, injustiça, opressão, processos, rixas, leis fracas, direito distorcido e a presença do ímpio são expressões presentes no texto. Parece, aos olhos de Habacuc, que a vida foi totalmente absorvida e dominada pelas forças do mal e da violência. Até quando, Senhor? Até quando o império da violência se fará presente, anulando a força da solidariedade e da justiça? A resposta se encontra no versículo que representa o centro do livro: “mas o justo viverá por sua fidelidade” (v. 4). Há clara relação de oposição entre arrogantes e justos, assim como entre os projetos de vida deles. O orgulhoso vive de sua insaciável ambição, e o justo se alimenta da fé no projeto de Deus.

2. II leitura (2Tm 1,6-8.13-14): viver plenamente o dom recebido

O tema principal é a exortação de Paulo a Timóteo e, por extensão, a todos os vocacionados que desejam cumprir fielmente sua missão, superando as dificuldades. O evangelho é anunciado em meio às dificuldades e contradições, porém sempre contando com a ajuda de Deus, que é fiel e jamais falha. O anúncio do evangelho é a resposta ao dom recebido. Guardar o depósito da fé se refere a todo o conjunto da Boa-Nova – núcleo da fé – como tesouro a ser transmitido de geração em geração. Para isso, Timóteo conta com a ajuda fundamental do Espírito Santo. A instrução de Paulo é que Timóteo deveria reacender o dom de Deus que se encontrava em si próprio. A presença do dom infunde coragem, força, amor e sobriedade, ao mesmo tempo que afasta a covardia. Assim, tomado pela presença do dom, a força do testemunho também se faz presente. Não há necessidade de se envergonhar, mesmo que haja sofrimento.

3. Evangelho (Lc 17,5-10): fé para servir!

O servo trabalha no campo, contratado por um ano, e aquele que o contratou tem direito assegurado de sua força de trabalho. Entre as funções que precisa desempenhar está não somente arar a terra e cuidar do gado, mas também cozinhar e preparar a mesa. As exigências podem parecer irritantes, sobretudo se considerarmos que o contratante deve ser um pequeno proprietário, porque o texto faz referência a somente um servo para atender a todos os serviços. Parece uma relação injusta: um trabalha exaustivamente no campo, enquanto o outro descansa em casa. A irritação parece que vai num crescendo na leitura: quando o servo retorna muito cansado do trabalho no campo, seu empregador já se encontra à mesa e com fome, à espera de ser servido. E o servo, mesmo que esteja mais faminto e cansado do que seu patrão, precisa esperar que este se satisfaça primeiramente. Além disso, após toda a cena, que talvez perturbe a muitos leitores, o patrão não dá um mínimo elogio àquele que o serve. Ele acha que o outro apenas cumpre seu dever e assim faz valer seus direitos sobre o servo.

Devemos perceber que Jesus não se pronuncia sobre essa situação social de profunda irritação, a qual causa certo mal-estar no leitor. Ele apenas se apropria de uma imagem do cotidiano a fim de usá-la pedagogicamente na parábola. Aos apóstolos que lhe pediram: “Aumenta nossa fé”, Jesus responde que a fé que possuíam era mais do que suficiente. Ao quererem algo a mais, deixavam de perceber a força da fé já presente neles. O processo pedagógico de Jesus se desenvolve em dois momentos, para que os discípulos percebam o compromisso que devem ter com a fé e o discipulado. No primeiro, há a clara indicação de Jesus de que os discípulos tinham fé e, mesmo que esta fosse pequena como um grão de mostarda, eles poderiam, metaforicamente, fazer coisas incríveis. No segundo momento de seu ensino, Jesus, por duas vezes, reitera a função do servo. Mesmo que este tenha feito tudo quanto lhe foi solicitado, apenas cumpriu a ordem que havia sido dada. Para Jesus, o exercício da fé, maior ou menor, não deve ser compreendido em termos de privilégio e poder. Depois de cumprir todas as ordens, ou seja, depois de viver o discipulado de forma plena, a única e possível alegação diante de Jesus seria: “Apenas fizemos o que devíamos ter feito”. Não devemos pretender que Deus nos deva algo. Quando tivermos feito o melhor que pudermos, só teremos cumprido nosso dever; e aquele que cumpriu seu dever apenas realizou o que estava obrigado a fazer.

A parábola não deseja oferecer um retrato de Deus, e sim falar da atitude que se requer da pessoa diante dele. Deus não deve nada ao ser humano, e o ser humano lhe deve tudo. Por isso, a pessoa não tem de formular exigências para Deus, nem requerer recompensas, nem sequer esperar gratidão. Os doutores da Lei concebiam a relação entre Deus e o ser humano como uma relação contratual, ou seja, eu dou alguma coisa para que você me dê algo em troca. Nessa perspectiva, para que a Lei fosse cumprida, Deus estaria obrigado a recompensar o fiel. A parábola contada por Jesus descarta por completo essa mentalidade: Deus não deve nada. Somos servos e não fazemos nada além daquilo que é esperado.

IV. Pistas para reflexão

1) O justo viverá por sua fidelidade ao projeto de Deus. Os injustos, por sua vez, seguirão seu próprio caminho, marcado pela arrogância, violência, crime e injustiça. Há clara oposição de projetos. Um deles produz vida, e outro morte. Qual projeto seguiremos?

2) Todos, sem distinção, recebemos das mãos de Deus um dom. Se de graça recebemos, de graça devemos exercitá-lo, para que outras pessoas também possam usufruir dele. Reacender o dom significa manter continuamente acesa a chama no coração e mãos e pés a serviço do Reino.

3) Todo discípulo e discípula é chamado para o serviço. No movimento de Jesus, a lógica é diferente daquela do mundo greco-romano. Se nesse mundo se hierarquizavam as relações e uns dominavam sobre outros, no movimento de Jesus o serviço é palavra de ordem e fundamental para criar uma comunidade de servos.

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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