25º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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21/09/2019 Por Luiz Alexandre Solano Rossi (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 25º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Não é possível servira dois senhores

I. Introdução geral

Uma das experiências mais difíceis dos discípulos de Jesus é viver o evangelho numa sociedade marcada por fortes contrastes sociais. Entretanto, devemos também lembrar que os fortes contrastes estão bem presentes no interior das comunidades. Assim, corre-se o risco de viver o projeto de Deus superficial e insensivelmente. Olha-se para os lados e não se percebem as contradições do dia a dia. Faltam, em muitos momentos, a sensibilidade profética e o olhar misericordioso em nossa maneira de ser e de viver a Igreja. O serviço total a Deus faz do discípulo alguém que partilha o que tem e o que é. Por outro lado, o serviço total à riqueza reduz o fiel a um programa de vida narcisista e isolado de todos os outros.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura (Am 8,4-7): Deus, o protetor dos pobres, condena os opressores

Amós, um pastor de ovelhas, era natural de Técua, pequeno vilarejo 17 quilômetros ao sul da cidade de Jerusalém. Deus o chamou e o enviou a exercer sua atividade profética no reino do Norte. Nessa época, reinava Jeroboão II (783 a 743 a.C.). Foi certamente um período de intenso crescimento e prosperidade econômica que alcançava, porém, apenas uma minoria do povo de Deus. Enquanto as casas dos aristocratas de Samaria e os palácios se enchiam de bens, os pobres amargavam a mais extrema pobreza. O reino de Israel enriquecia, porém sem justiça social. Aqueles que oprimiam elevavam a cobiça a níveis insaciáveis e mantinham uma atitude predatória e insensível para com os mais vulneráveis do povo. Estavam embriagados pelo luxo e pelo conforto e não queriam perder nenhum privilégio. Viviam, sem dúvida, uma religião sem o exercício da misericórdia, motivo pelo qual podemos considerá-la como vazia. Para eles, era mais importante amar o lucro do que a Deus. Uma prova incontestável de que o deus deles era o dinheiro transparecia em sua disposição de sacrificar os pobres no altar da riqueza. E, horror dos horrores, por amarem o lucro, tratavam as pessoas como se fossem coisas. A maioria da população era refém de dívidas impagáveis, escravidão e perda de suas terras. Em nosso texto, de forma específica, o profeta faz dura e necessária crítica condenatória dos comerciantes. Estes, no afã de obter mais lucro, exploravam os necessitados e os pobres do povo. O lucro, para eles, era mais importante que a própria observação do sábado. Se os necessitados e pobres eram presas fáceis nas mãos dos comerciantes, o profeta destaca que Deus é o protetor dos pobres e, nesse sentido, traz uma referência teológica já presente na memória do povo (cf. Sl 82; Is 11,4; Dt 24,14-15).

2. II leitura (1Tm 2,1-8): a oração é responsabilidade irrenunciável

A segunda leitura começa com uma série de recomendações e instruções sobre a vida em comunidade. Paulo recomenda uma oração universal para todos os seres humanos. A universalidade aparece na repetição do adjetivo “todos”. A menção aos governantes pode ser exemplo dessa universalidade, pois a atividade deles pode facilitar ou desestruturar a vida de todos. A libertação da humanidade efetuada por Cristo mediante a entrega de si mesmo como resgate por todos, ou seja, a redenção, fez que todos se tornassem um em Deus, o que equivale, logicamente, a realizar a vontade salvadora de Deus. Este conjunto salvador, em que a morte de Cristo desempenha papel essencial, é designado aqui como “o testemunho que foi dado no tempo estabelecido” (v. 6), uma forma de assinalar que Cristo manifestou ao mundo, com sua vida e morte, o plano salvador de Deus. Rezar faz bem! Contudo, não uma oração que tenha início, meio e fim naquele que reza. Importa rezar por todas as pessoas e perceber que existe, na vida do discípulo de Jesus, uma responsabilidade irrenunciável e intransferível de ser bênção na vida dos outros por meio da oração.

3. Evangelho (Lc 16,1-13): assumir uma atitude prudente

A parábola de Jesus conhecida como a “parábola do administrador desonesto” refere-se ao uso adequado dos bens e recursos num cenário de forte desigualdade social. A conclusão possível é que a lealdade não é intercambiável entre senhores diferentes. Serve-se a um ou a outro e, dessa forma, servir a Deus e ao dinheiro simultaneamente é não servir a nenhum dos dois. Na relação que levaria a um ou a outro, os sentimentos de amor e ódio, apego ou desprezo estariam misturados, ora dirigidos a Deus, ora dirigidos ao dinheiro. A riqueza é denominada de Mamon – o que é seguro e dá segurança. As pessoas acreditam que, a partir do momento em que possuem dinheiro, a existência estaria assegurada (cf. Lc 12,15s). Todavia, a riqueza não pode cumprir o que promete (cf. Lc 16,11). Frequentemente a aquisição de riqueza e seu emprego são acompanhados de injustiça. Afinal, se os bens da terra são limitados e se algumas pessoas se apossam desses bens ilimitadamente, à maioria do povo restará a pobreza. A riqueza, por maior que seja, não pode impedir a morte (cf. Lc 12,22-31) nem muito menos acrescentar algo à vida e à estatura da pessoa (cf. Lc 12,25). Assim, somente àquele que sabe administrar o pouco é confiado o muito. Se não somos fiéis no pouco, como seríamos fiéis no muito? (cf. Mt 25,21). Um dito judaico assim se expressa: “O rico ajuda o pobre neste mundo, mas o pobre ajuda o rico no mundo vindouro”. Santo Ambrósio, comentando sobre o rico insensato que edificou celeiros maiores para guardar seus bens, disse: “O peito dos pobres, as casas das viúvas, as bocas dos meninos são os celeiros que duram para sempre”. A verdadeira riqueza de uma pessoa, conclui-se, não está no que ela guarda, e sim no que distribui. O seguimento de Jesus e o culto à riqueza são duas coisas incompatíveis. A riqueza sempre há de requerer o ser humano inteiro, pois ela o absorve por completo e o domina, escravizando-o. E sabemos, pela tradição bíblica, que Deus deseja ser amado “com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todas as suas forças e com toda a sua mente” (Lc 10,27).

IV. Pistas para reflexão

1) A busca incessante e insaciável pelo lucro leva a pessoa a adorar o deus Mamon. Torna-se ela refém da ganância e do egoísmo. Como viver o evangelho da partilha numa sociedade fundamentada na lógica do lucro e da exclusão social?

2) Podemos ser impedidos de muitas coisas. Jamais, porém, seremos impedidos de rezar. Trata-se de responsabilidade irrenunciável e intransferível. Qual é o valor da oração em sua vida diária?

3) A lealdade somente cabe a uma pessoa. Não é possível mostrar lealdade a Deus e a Mamon; ser leal ao projeto de Deus e a projetos que o negam; ser leal ao Reino de Deus e ao antirreino. O seguimento de Jesus não pode ser parcializado. É tudo ou nada!

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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