24º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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14/09/2019 Por Luiz Alexandre Solano Rossi (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 24º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Intercessão e acolhimento: marcas dos discípulos de Jesus

I. Introdução geral

Numa sociedade que estimula o individualismo, as leituras desta celebração parecem não fazer sentido. A percepção de que vivemos em comunidade e de que somos chamados por Deus a viver um projeto comunitário é essencial para a vida cristã. Comunitariamente, evitamos ser inoculados pelo vírus do individualismo, que nos leva a querer sujeitar as pessoas aos nossos caprichos. Somos responsáveis uns pelos outros e, mais do que isso, a responsabilidade pelo outro nos faz seres éticos. Assim, é muito possível dizer que o caminho do discipulado faz que também nos convertamos ao outro. No projeto de Deus, a vitória não é um projeto pessoal que se conquista sozinho; antes, ela é sempre comunitária e, nesse caso, a festa é para todos.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura (Ex 32,7-11.13-14): a intercessão que salva

A ação da primeira leitura se desenrola em cima do monte, no mesmo lugar onde Deus havia dado a Moisés as tábuas da Lei. Deus começa atribuindo a Moisés todo o mérito pela libertação do povo do cativeiro no Egito e reconhece Israel como povo de Moisés. Este, porém, não aceita pacificamente tal interpretação dos fatos e insiste que foi Deus quem tirou o povo do Egito e que o povo é de Deus. Um lança sobre o outro a responsabilidade, mas sabemos que ambos estão certos. Por conta disso, é possível perceber que a solidariedade entre Deus e Moisés precisa transcender as debilidades do povo. A intercessão de seu líder salva Israel da destruição de Deus. Diante do erro presente do povo, que presta culto a outros deuses e, assim, desvia-se do projeto da aliança, Moisés faz uso de duplo argumento, que requer de Deus o uso de sua memória. No primeiro argumento, faz referência aos atos libertadores de Deus quando da libertação do Egito – “com grande poder e mão forte” – e, no segundo argumento, faz a memória de Deus recuar mais ainda, até a aliança realizada com Abraão, Isaac e Jacó. É justamente o recurso à memória salvífica do passado que produz o arrependimento no presente.

É preciso fazer uma ressalva: na Bíblia, a mudança não é compreendida como imperfeição quando se dá em função do amor pelo outro. À luz da concepção de que toda mudança na divindade seria considerada imperfeição, a teologia evitou entender literalmente esse texto. No entanto, é preciso salientar que, na Bíblia, a maior perfeição de Deus é seu amor. Assim, o arrependimento de Deus tem como motivação sua lealdade para com os patriarcas e seu amor para com Israel. Por isso, Moisés chama a atenção de Deus para o que mais caracteriza sua natureza, a saber, seu amoroso compromisso com a humanidade. Por outro lado, é necessário refletir sobre o que teria levado Moisés a interceder pelo povo. Uma possível resposta se encontra nas palavras de Deus: “De você, eu farei uma grande nação” (v. 10b). Moisés parece não aceitar a possibilidade de se pensar sem seu povo – aquele povo. A percepção dele é comunitária. Como poderia sobreviver e os demais perecer? Dessa forma, ele assume a comunidade como projeto de vida, mesmo que o comportamento dessa comunidade não seja o mais adequado. Assume os riscos de viver em comunidade e não a abandona em nenhum momento. Não deseja privilégios pessoais e, por isso, não se pensa fora da comunidade.

2. II leitura (1Tm 1,12-17): o papel da graça na construção do novo ser

O apóstolo Paulo faz uma oração de ação de graças, motivado pela ação salvadora de Cristo em sua conversão e abrupta mudança – de pecador e perseguidor em vocacionado dedicado ao ministério –, mostrando, portanto, a eficácia da graça que o transformou por inteiro. Nesse sentido, ele é mostrado no texto como uma espécie de protótipo do pecador salvo pela graça de Deus. O apóstolo é totalmente outro por causa da graça que agiu de forma eficaz nele. Destaca-se o poder da salvação manifestada e realizada em Cristo por pura misericórdia divina. Paulo se apresenta como exemplo de conversão. Nele não havia bem algum. Sua vida era caracterizada pela blasfêmia, perseguição e insolência. Via sua vida como completamente destituída de sentido e finalidade. Contudo, mesmo se considerando totalmente inadequado, a misericórdia de Deus o alcançou plenamente e o fez novo homem. Nascia ali, em meio à abundância de misericórdia, nova e eficaz vocação. É precisamente o contato com a graça de Deus que promove a maior e a mais inesperada das transformações no ser humano. Uma graça que nos torna dignos e nos põe a serviço do próprio Salvador.

3. Evangelho (Lc 15,1-32): acolher os que se encontram perdidos

Parece que o murmúrio dos fariseus e doutores da Lei não passou despercebido dos ouvidos de Jesus: “Este homem recebe pecadores e come com eles” (v. 2). O Mestre faz questão de confirmar aos murmuradores que o local privilegiado de convívio de Deus é, justa e prioritariamente, entre as pessoas consideradas não recomendáveis. E para que o processo pedagógico e catequético de Jesus seja bem compreendido, ele conta três preciosas parábolas.

A parábola da ovelha perdida chama a atenção por causa da absurda atitude do pastor, que privilegia a lógica do cuidado e contraria a lógica do acúmulo, tão presente já naqueles dias. O pastor era responsável pessoalmente pelas ovelhas. Não havia pastor que não sentisse que seu trabalho de cada dia era dar a vida por seu rebanho. E, certamente, Deus conhece a alegria de encontrar coisas que se perderam.

Já a parábola da mulher e da moeda perdida ressalta a alegria compartilhada comunitariamente pelo encontro da moeda. A sobrevivência estaria assegurada e a alegria restaurada. Por mais insignificante que a moeda parecesse ser – representava um pouco mais de um dia de trabalho –, os trabalhadores da época viviam sempre apertados e pouco faltava para que passassem fome. A intensidade da busca da moeda se relaciona, portanto, com a possibilidade de continuar se alimentando.

Na terceira parábola – a do pai e seus dois filhos –, vemos um pai que expressa intensamente a alegria por ver seu filho, que se encontrava perdido, retornar para casa. Mais uma vez, Jesus enfatiza a necessidade de acolher e incluir no movimento as pessoas consideradas indignas. Acolhimento, nesse sentido, traduz muito bem a palavra solidariedade. São dois filhos que representam diferentes percepções de projeto de vida. O mais novo, imerso na própria miséria, vai ao encontro do pai, manifestando o movimento não só geográfico, mas também teológico, das pessoas marginalizadas e sobrantes da sociedade em direção à prática de vida e do projeto de Jesus. Por sua vez, o filho mais velho representa os próprios líderes murmuradores, que, enrijecidos, dogmatizados e apegados aos próprios conceitos de justiça e retidão, acabaram por perder a sensibilidade a todos aqueles que, diferentemente deles, viviam rodeados pela miséria e pela carência. A atitude desses líderes demonstra que seus anos de obediência ao Pai foram de irritante dever, e não de amoroso serviço. Além disso, assumem uma atitude de marcante antipatia – afinal, o mais velho se refere ao outro não como “meu irmão”, mas como “seu filho”.

IV. Pistas para reflexão

1) Moisés pensa a si mesmo de forma comunitária. Não se vê e não se percebe como alguém que possui um projeto pessoal, afastado do próprio povo, ou seja, de sua comunidade. Ele intercede pela sua comunidade. Que prioridade tem sua comunidade em sua vida de oração?

2) A conversão muda a pessoa por completo. Altera caminhos, vida e valores. A mudança é tão radical que a pessoa até mesmo passa a estar apta para o trabalho no Reino de Deus. Quais são os sinais da conversão em sua vida e como eles se refletem em sua comunidade?

3) A mensagem de Jesus sempre foi de acolhimento. Ele jamais excluía ninguém ou deixava de ir ao encontro. Jesus não via, em primeiro lugar, o pecado das pessoas. Via, sim, seu sofrimento e, ato contínuo, aproximava-se delas para anunciar a Boa-Nova. A que distância estamos uns dos outros?

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