23º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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07/09/2019 Por Luiz Alexandre Solano Rossi (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance; CNBB Notícias 23º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Construir pontes e derrubar muros

I. Introdução geral

O evangelho traz em si um potencial revolucionário. Vivê-lo plenamente significa não apenas a possibilidade de uma mudança pessoal, mas também da maneira como se vivem as relações interpessoais. Nesse sentido, outros valores e princípios passam a reger a vida em comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus. Assim, relações de escravidão, por exemplo, não podem existir na comunidade, e sim relações de irmandade. Viver o evangelho humaniza o fiel e faz dele novo ser humano. Devemos perceber, porém, que vivê-lo exige decisão radical. Não basta seguir Jesus de longe. Justamente a proximidade com ele é que possibilita as mudanças necessárias em nós. É necessário assumir a vida dele completa e honestamente. E, ao viver o evangelho da vida, testemunhar, por palavras e gestos, uma comunidade de vida diametralmente oposta aos valores que regem este mundo.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

I leitura (Sb 9,13-18): conhecer a vontade de Deus

O autor de Sabedoria, na primeira leitura, procura acentuar a fraqueza do ser humano e sua incapacidade de conhecer a vontade divina. Ele enfatiza esse ponto por três vezes: “Que homem conhece a vontade de Deus?”; “Quem pode rastrear o que está nos céus?”; “E o teu projeto, quem poderia conhecer?” As perguntas do sábio são retóricas, típicas do ambiente sapiencial. Todas elas perseguem o mesmo objetivo: afirmar que a sabedoria é inacessível ao ser humano. A única possibilidade de conhecer e amar a vontade de Deus é por meio do dom da sabedoria, isto é, se o próprio Deus concedê-la e das alturas enviar o santo espírito. O autor enfatiza a menção ao santo espírito, em paralelismo com a sabedoria (menção que aparece também em outros lugares do livro, por exemplo 1,5a.6a.7a etc.). Mais tarde, já no Novo Testamento, encontraremos entre as funções do Espírito a de iluminar (cf. Jo 14,26). No ser humano não há força, e sim fraqueza e arrogância; nesse sentido, ele precisa se submeter à completa dependência do espírito da sabedoria a fim de alcançar uma vida justa. O tema da inacessibilidade da sabedoria também é encontrado em Isaías 40,13: “Quem estabeleceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?”. A salvação vem somente por meio da sabedoria e, por isso, o ser humano não pode confiar em suas próprias forças.

II leitura (Fm 9b-10.12-17): a fraternidade nega a despersonalização

O pano de fundo da segunda leitura é o pedido que o apóstolo Paulo faz ao escravo Onésimo para que retorne a Filêmon, seu senhor. Onésimo segue viagem, levando consigo a carta cujo conteúdo é apresentado, em parte, nesta leitura: o apóstolo solicita ao destinatário da mensagem que receba Onésimo não somente sem castigá-lo, mas também como a um irmão. Tal atitude, diz Paulo, será útil ao próprio Filêmon. No entanto, mesmo que o apóstolo não explique como nem por quê, é fácil imaginar que seu pedido é uma forma concreta de pôr em prática o evangelho. Aquele que se considera “prisioneiro de Cristo Jesus” se utiliza de sua própria experiência atual a fim de orientar, de forma catequética, um de seus discípulos – o próprio Filêmon. Assim, faz referência à sua idade já avançada – na época, entre 50 e 60 anos – e à sua condição de prisioneiro, bem como ao fato de ser o pai espiritual de Onésimo e à utilidade deste no período de prisão. A fim de convencer Filêmon, o apóstolo faz uso de três argumentos: a obediência, a generosidade e o apelo à dívida de um amigo. No entanto, decisivo é o argumento sobre o novo status adquirido por Onésimo por causa da vida de Jesus: deixava de ser escravo e passava a ser considerado um irmão. Se há irmandade, a fraternidade deve substituir as relações de escravização, de submissão e de despersonalização do outro. Do ponto de vista das relações de dominação de um sobre o outro, Paulo está, de fato, enfatizando que o evangelho possui força suficiente para derrubar os muitos muros que aprisionam o ser humano e o deixam na dependência de outro. Não somos chamados por Jesus Cristo para viver relações de dominação de uns sobre os outros. O mais belo testemunho de que temos a vida de Jesus pulsando em nosso coração se manifesta quando podemos chamar a todos, indistintamente, de irmãos e irmãs.

Evangelho (Lc 14,25-33): condições para ser discípulo de Jesus

A multidão caminha após Jesus. Cada um daqueles que fazem isso deu o primeiro passo para se tornar discípulo. Rompeu com o comum e decidiu seguir em novo movimento de vida. Apesar das muitas contradições existentes em meio à multidão, não podemos deixar de perceber que essas pessoas aderem a Jesus, seguem-no e ouvem sua palavra. Bastaria, porém, caminhar após Jesus para ser considerado seu discípulo? O que significa de fato segui-lo? Para entrar no Reino de Deus, é necessário seguir o chamado de Jesus com toda a radicalidade que isso exige: renúncia ao abrigo e à segurança na família e disposição para dar a vida (cf. vv. 25-27); serena reflexão sobre a decisão de segui-lo de forma tão radical (cf. vv. 28-32); desapego de toda propriedade (cf. v. 33). Somente assim é possível viver o verdadeiro sentido do seguimento e da entrega total a Jesus, na qualidade de discípulo, e estar à altura da responsabilidade que esse caminho implica (cf. v. 34). Há pelo menos duas verdades no evangelho deste dia: a primeira é que é possível ser seguidor sem ser discípulo. Uma das grandes desvantagens da Igreja atualmente é que nela encontramos muitos seguidores de Jesus a distância e poucos verdadeiros discípulos. Segui-lo a distância não exige compromisso. No máximo, os distantes se aproximam dele episodicamente, apenas para receber alguma coisa, e depois voltam a se afastar, até que se apresente a próxima necessidade. A segunda verdade é que o discípulo deve calcular o custo do seguimento. Qual é o significado de ser discípulo de Jesus? Ele insiste no caráter radical do discipulado e, portanto, nega qualquer seguimento marcado pela superficialidade. O caminho percorrido por Jesus exige, por parte dos discípulos, rupturas e disposição para enfrentar conflitos, além de – não menos importante – constante reflexão. Isto é, ser seu discípulo exige calcular os riscos do “empreendimento”. Por isso, o texto enfatiza o ato de refletir e calcular, de forma diligente, o que se fará com a própria vida e, assim, estar seguro de que o caminho que se decidiu seguir é o melhor dos caminhos. Afinal, o evangelho de Jesus, anunciado nesse caminho, é distinto dos valores dominantes da sociedade – e, mais do que isso, os contradiz. Tal sociedade, tanto ontem como hoje, opõe-se frontalmente à proposta de vida e de liberdade anunciada por Jesus em seu caminho.

IV. Pistas para reflexão

1) Uma das perguntas mais importantes do discípulo e da discípula de Jesus é: qual a vontade de Deus para minha vida? Na primeira leitura, vimos que o ser humano é fraco e, por conta disso, precisa se submeter à completa dependência do Espírito de sabedoria. A vontade de Deus é que sejamos cada vez mais parecidos com ele.

2) Para o apóstolo Paulo, a relação de fraternidade inaugurada em Cristo deve substituir as relações e os desejos de dominação e sujeição dos outros. Vivemos numa sociedade onde há vários tipos de escravos – físicos, emocionais, econômicos. Como viver o projeto de Jesus, que nos desafia a viver como irmãos e solidários uns aos outros?

3) O discipulado não admite superficialidade, meio compromisso, meia disponibilidade. Devolver a Jesus migalhas, enquanto ele se entregou completamente, é pura inadequação. Qual o preço de ser discípulo de Jesus?

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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