2º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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05/12/2020 Por Ir. Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj (Via Vida Pastoral) O Canto na Liturgia; CNBB Notícias 2º Domingo do Advento: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Consolai, consolai o meu povo

I. Introdução geral

As leituras desta celebração têm duas tônicas complementares: conversão e consolação. Deus está empenhado em nos conduzir para um mundo novo ou realidade nova. Tal constatação nos consola e nos enche de esperança, porque significa que não ficaremos para sempre sofrendo as consequências do egoísmo e há solução para o problema do mal, que um dia terá fim. No entanto, o mundo novo que nos é oferecido por Deus somente poderá acontecer quando o ser humano fizer uma reforma íntima. Isso exige que estejamos sempre inseridos numa dinâmica de conversão, de transformação do homem velho em nova criatura; que nos empenhemos em pôr em prática a vontade de Deus e caminhemos na fidelidade.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. Evangelho (Mc 1,1-8)

A liturgia deste domingo nos oferece um texto que enfatiza a identidade de João Batista como mensageiro de Deus e iniciador do caminho de Jesus. Portanto, quem quiser celebrar bem o nascimento de Jesus deve passar por João Batista, entendendo o objetivo de sua vinda antes do Cristo. A figura de João no deserto insere-se no advento do Evangelho e do cristianismo, à semelhança da passagem do povo pelo deserto durante 40 anos, a qual antecipou o nascimento de Israel como povo consagrado a Deus. O deserto é lugar de provação intensa ou tentação, mas também evoca o caminho do retorno, conforme as palavras de Is 40,3. Por isso, o Evangelho deste dia apresenta João não apenas batizando, mas também proclamando um batismo de arrependimento e de conversão. O verbo “proclamar” indica que o batismo realizado por João não é mero ritual, mas evento de salvação que ele veio proclamar. Por isso, também, João não batiza em qualquer lugar, mas no rio Jordão, entrada para Israel, à semelhança dos hebreus quando foram libertados da escravidão do Egito e, atravessando o deserto, entraram na Terra Prometida através do mesmo rio.

Marcos relata que o batismo de João era com água e tinha como objetivo a conversão. Com a chegada do mais forte, ou seja, do mais apto, o batismo será com o Espírito Santo e com fogo. Esse que virá – a saber, o Cristo – é que irá realizar a obra de Deus para a qual João está preparando as pessoas. João Batista está seguro de que a vinda do Cristo trará consigo o fim dos tempos. Por isso, o profeta estabelece um movimento final de conversão, antes do fim iminente. Ele expõe aos seus ouvintes aquilo que considera ser a última oportunidade de conversão, porque, no seu modo de pensar, já não haverá nenhuma outra oportunidade. Dessa forma, João fica na fronteira entre o deserto e a Terra Prometida, abordando todos os habitantes de Jerusalém e da Judeia, como um personagem do fim dos tempos, e oferecendo oportunidade de conversão, antes da chegada do Cristo, a cada um daqueles que vêm ali e confessam seus pecados. João nos convida a acolher o Cristo libertador, que nos dá o Espírito Santo para gerar vida nova ao nos introduzir na dinâmica do mundo novo que está por vir, na dinâmica do amor.

2. I leitura (Is 40,1-5.9-11)

A primeira leitura nos garante que o Deus de Israel é soberano na história do mundo, embora algumas situações possam ofuscar essa certeza. Na época em que esse texto bíblico foi escrito, o povo de Deus passava por tempos de incerteza. Via-se a sucessão do Império Babilônico pelo Império Persa, ou seja, o povo continuava sob a dominação estrangeira e não sabia se os novos senhores seriam piores ou melhores que os anteriores, situação que trazia uma onda agitada de preocupações. Então o profeta introduz a boa-nova da redenção (v. 1-11); a mensagem de Deus para o seu povo é de consolo, porque chegou o tempo de redenção. Seu convite é que aceitem a salvação que Deus oferece. O profeta faz esse convite por meio de um anúncio de esperança; garante a fidelidade de Deus e a vontade divina de conduzir o povo para a liberdade e a paz. Uma imagem muito comum na época é usada, relacionada à forma pela qual se faziam as preparações para a viagem de um rei: os vales nivelados, os montes e colinas abaixados, o caminho torto endireitado (v. 4). A voz proclama que Deus vem para levar seu povo da escravidão para a liberdade, da Babilônia para Jerusalém, ao longo de um percurso através do deserto. Deus será como um pastor à frente do rebanho, irá atravessar o deserto à frente de seu povo, que retorna do exílio babilônico para Jerusalém.

3. II leitura (2Pd 3,8-14)

A segunda leitura nos adverte de que não podemos ignorar que o Senhor é eterno e de que não existe o aparente atraso da segunda vinda de Cristo. A expressão “um dia é como mil anos e mil anos é como um dia” (v. 8) é tirada do Sl 90,4 e não se refere a um milênio como período histórico, mas simplesmente ao fato de que o tempo não afeta o Senhor, porque ele é eterno. Esse aparente atraso em seu retorno, na verdade, deve ser interpretado como prova de sua paciência conosco. É sua vontade que ninguém pereça, mas os pecadores mudem de atitude. A aparente descrição do fim dos tempos, como se todas as coisas fossem desintegrar-se, não deve nos meter medo. O autor não está querendo afirmar que tudo vai se acabar com o fogo. Ele usa o símbolo do fogo porque era o principal elemento purificador dos metais na Antiguidade. Era pelo fogo que se mostrava o valor de um metal precioso, como a prata e o ouro. Da mesma forma, é nos períodos das maiores provações que se mostra a grandeza de nossa fé e santidade. Portanto, devemos considerar nossa vida e santidade como metal precioso, enquanto esperamos diligentemente a vinda do Senhor.

A expressão “céus e terra” serve para resumir toda a criação, por isso “novos céus e nova terra” significam apenas nova criação. O autor quer mostrar que haverá “nova terra onde habitará a justiça”. Ele não está interessado em apresentar um mapa dos eventos futuros, e sim em apontar para a esperança na transformação do nosso presente. Essa leitura nos convida a uma espera produtiva e transformadora do nosso comportamento. O texto bíblico nos exorta à conversão contínua e à transformação do mundo egoísta em Reino de fraternidade e paz.

IV. Pistas para reflexão

As leituras enfatizam o consolo por Deus ser eterno e agir sempre em favor de seu povo, mas, ao mesmo tempo, pedem que nos dispamos dos hábitos do comodismo, da indiferença, do egoísmo e da autossuficiência e aceitemos, outra vez, deixar-nos guiar por Deus. É tempo de conversão. Não estamos nos preparando apenas para o Natal, em 25 de dezembro. Estamos nos preparando para a segunda vinda de Jesus e para o mundo novo que ele trará consigo. A celebração do nascimento de Jesus é sinal que aponta para o Reino definitivo, e somente participaremos dessa nova criação se mudarmos nosso modo de viver agora.

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