18º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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03/08/2019 Por Zuleica Aparecida Silvano (via Vida Pastoral), Hinário Litúrgico da CNBB, O canto na Liturgia, Canal Palavra de Vida Notícias 18º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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Ser rico diante de Deus

I. Introdução geral

Este dia em que se recorda o falecimento de São João Maria Batista Vianney, de Ars, França – o Santo Cura de Ars (1786-1859), modelo de simplicidade e fé –, é também o primeiro domingo do mês dedicado às vocações na Igreja, entre as quais a presbiteral. Rezemos pelos presbíteros e peçamos a Deus que desperte vocações para os diversos ministérios existentes em nossas comunidades.

As leituras deste domingo trazem como tema a vivência ética do cristão. Assim, podemos iniciar a celebração nos perguntando: O que dá sentido à nossa vida? O que significa ser rico diante de Deus?

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Ecl 1,2; 2,21-23

O livro do Eclesiastes ou Coélet (Qohélet) foi provavelmente escrito na segunda metade do século III a.C., no período da dominação grega. O autor parece ser um conhecedor da realidade, alguém crítico e realista. O tema desse livro é explicitado de forma sintética e solene no v. 2: “Ilusão das ilusões, tudo é ilusão”. A palavra traduzida por “ilusão” tem também, em hebraico, o significado de “fumaça”, “coisa vã”, “vazio”, “sem consistência”, “fugacidade”, “absurdo”. Por isso encontramos em algumas traduções a palavra “vaidade”. A intenção do autor é ressaltar a condição efêmera, transitória, da vida humana. Ecl 2,21-23, trecho escolhido para a liturgia, está inserido no conjunto das reflexões sobre o esforço humano e seus resultados, especialmente sobre a acumulação de riqueza e o juízo negativo de tal procedimento. Após observar as diferentes realidades, o autor tenta resumir sua reflexão em Ecl 2,22-23, ou seja, chega à conclusão de que não vale a pena trabalhar desesperadamente, gastando a energia em afadigar-se e preocupar-se, se depois não se pode usufruir do fruto do próprio trabalho – quem fará isso será outro, que em nada colaborou. Este herdeiro, por não ter realizado nenhum esforço, esbanja tudo com a maior facilidade. Desse modo, Qohélet conclui que nada tem valor nem sentido e é vão se preocupar em trabalhar investindo numa busca desenfreada de acumular dinheiro ou riquezas. Quando chega o final dos dias, sem ter desfrutado, resta à pessoa somente a frustração de não ter gasto seu tempo em coisas realmente importantes, a saber: em usufruir do trabalho como um dom e um meio de subsistência, e não para acumular riquezas; em saborear a alegria da partilha, do encontro, do estar juntos para celebrar momentos significativos, para compartilhar a vida.

2. Evangelho: Lc 12,13-21

A parábola de Jesus presente neste texto de Lc 12,13-21 tem como ponto de partida o Reino de Deus e nos oferece pistas para responder à pergunta: como seria a vida humana se os valores do evangelho prevalecessem? Nesse sentido, percebemos que a novidade do Reino, normalmente, entra em contraste com as atitudes e a mentalidade humana. O evangelho começa com a súplica de uma pessoa, não identificada, para que Jesus intervenha numa questão de herança entre irmãos. Jesus se recusa a resolver essa questão, mas exorta a pessoa e a multidão a refletir sobre a raiz do problema, ou seja, o acúmulo de riquezas. Alguém movido pela ganância parte do pressuposto de que a abundância de bens e de riqueza lhe dará segurança, comodidade e irá manter a sua vida. No entanto, um projeto de vida fundamentado nessa concepção não tem solidez. Para ilustrar essa exortação, Jesus conta a parábola do homem rico, um proprietário de terras afortunado por ter realizado excelente colheita. Este, porém, em vez de considerar essa fartura como um dom a ser compartilhado, pensa somente em acumular. A mentalidade do proprietário tem como foco o seu mundo; ele se mostra completamente insensível às necessidades do outro e deposita a própria segurança em algo sem consistência. Quando pensa em usufruir egoisticamente sua vida, fazendo planos de armazenar riqueza, ironicamente morre naquela mesma noite. A pergunta que permanece é: quem ficará com o que ele acumulou? Essa conclusão aponta para a transitoriedade e a precariedade da vida. É uma parábola sapiencial que mostra que a verdadeira vida não se mede pela quantidade de bens ou de dinheiro em posse de determinada pessoa. A segurança da vida não está na riqueza acumulada. Portanto, a parábola não condena a riqueza nem o desejo do homem rico de viver de forma cômoda, mas desaprova sua insensatez de restringir a vida ao acúmulo de riqueza, avaliando sua existência à luz dos bens adquiridos, e não à luz de seu relacionamento com Deus e com o próximo. A riqueza também tirou do homem rico a consciência de sua real condição de pessoa (cf. Sl 39,6-7). Ele esqueceu que todo o seu viver é marcado pela gratuidade de Deus e que os bens recebidos também são dons a serem compartilhados.

3. III leitura: Cl 3,1-5.9-11

O trecho de hoje da carta aos Colossenses (provavelmente escrita por um discípulo de Paulo) dá continuidade ao que foi dito na celebração do domingo anterior, que apresentava o sentido do batismo. Desta vez, o tema central é a vivência ética do cristão.

No batismo, participamos do mistério pascal de Cristo. Essa adesão a Cristo e essa participação em sua morte e ressurreição nos desafiam a viver os valores do evangelho, a viver conforme a fé professada e os dons recebidos. Desse modo, o batizado é orientado para “as coisas do alto”, ou seja, para tudo aquilo que Jesus anunciou por meio de suas palavras e gestos: a partilha, a solidariedade, o respeito, o despojar-se do pecado e o revestir-se dele, Cristo. Sublinha-se que se orientar pelas coisas do alto não significa desprezar o mundo, mas vê-lo como dom de Deus para a humanidade. De fato, aderir a Jesus supõe mudança de critérios. Significa ser realmente uma criatura nova, membro de uma comunidade que vive, no mundo, o Reino inaugurado por Jesus crucificado e ressuscitado. Assim, o Reino e Cristo tornam-se os critérios que pautarão o agir. Na lista dos vícios elencados no v. 5, além daqueles relacionados à imoralidade sexual, temos a cobiça ou a avareza – o desejo de acumular, chamado de idolatria pelo autor, pois pode ocupar o posto de Deus no coração das pessoas. Outro vício é a mentira, que entra em contraste com o evangelho, dado que este se caracteriza pela verdade. O autor retoma o tema do batismo para reforçar a seriedade desse sacramento, que não implica somente fazer morrer a mentalidade marcada pelo pecado, mas também revestir-se do novo, provocando real transformação no próprio ser. É verdadeiramente uma nova criação.

Por fim, o autor afirma que as divisões causadas pelas diferenças étnicas, culturais, religiosas e sociais não podem existir na comunidade cristã, pois todos nós somos um só em Cristo. Na comunidade, devem prevalecer a fraternidade, as relações humanas e justas. Enfim, todas as comunidades cristãs são chamadas a testemunhar a concretização do Reino de Deus na história.

IV. Pistas para reflexão

Esta liturgia, a exemplo de outras, aponta-nos qual é o justo lugar dos bens, a necessidade de sermos livres diante deles e qual deve ser realmente o centro de nosso coração e de nossa vida. Denuncia toda cultura que propaga que a felicidade está em possuir bens, em ter no centro das preocupações e atenções o acúmulo de riquezas. Também algumas correntes religiosas propagam a teologia da prosperidade, que se revela completamente contrária ao evangelho anunciado por Jesus. Como vimos, o problema não está em desejar usufruir da vida, em ter determinados bens, nem em que o/a trabalhador/a receba seu salário e viva com dignidade, mas sim em depositar a segurança nas riquezas. Está em fazer desses bens o centro de nossa existência, tornando-nos insensíveis às necessidades de nosso irmão. De fato, ter a riqueza como o fundamento do nosso viver é sermos idólatras. Diante das leituras desta celebração, podemos refletir: onde estamos depositando nossa segurança, nossa esperança? Onde está o sentido de nossa vida? Somos ricos diante de Deus? Quais são as implicações éticas da nossa adesão a Cristo, do nosso ser batizados? Como testemunhamos que somos revestidos de Cristo na própria vida, na sociedade, no trabalho? Como testemunhar a vivência cristã diante das atitudes discriminatórias e das divisões sociais, étnicas, raciais, culturais e religiosas presentes na sociedade? Essas divisões ainda estão presentes em nossa realidade eclesial, paroquial ou comunitária?

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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