14º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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06/07/2019 Por Zuleica Aparecida Silvano (via Vida Pastoral), O Canto na Liturgia; CNBB; Canal Palavra de Vida Notícias 14º Domingo do Tempo Comum: cantos litúrgicos, comentário e dicas
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“A paz esteja nesta casa!”

I. Introdução geral

Celebramos com alegria a certeza da presença constante e amorosa de Deus em nossa vida (I leitura). Revigorados por esse amor, sejamos sempre mais anunciadores do Reino de Deus e, sobretudo, da paz (evangelho), que nasce de nosso encontro profundo com Jesus Cristo crucificado e ressuscitado e da sua misericórdia (II leitura).

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partitura: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, acesse o documento abaixo.

III. Comentários dos textos bíblicos

1. I leitura: Is 66,10-14c

Is 66,10-14c faz parte do Terceiro Isaías (cf. Is 56-66), um profeta, provavelmente, do pós-exílio. O texto retrata a fase de restauração do povo e de reconstrução da cidade de Sião (Jerusalém) e do Templo, após o retorno dos exilados na Babilônia para Jerusalém. Como todo período de reconstrução, há expectativas, dificuldades e a tentação de desanimar. Por isso, o profeta reanima o povo, convida-o a alegrar-se, trazendo em seu coração a certeza da salvação (cf. vv. 10-11), da prosperidade (cf. vv. 12-13), do consolo e da presença constante de Deus na história de Israel.

Os vv. 10-14c estão inseridos num contexto mais amplo, que abarca os vv. 7-9. Nestes versículos, o autor descreve o espanto das pessoas diante da fecundidade de Sião, apresentada como mãe que gera o povo de uma só vez e sem dores de parto (cf. vv. 7-8). Essa imagem representa o retorno dos exilados à terra prometida aos patriarcas. Desse modo, Sião (o povo) toma consciência de que Deus não a abandonou; pelo contrário, durante o exílio, quando tudo parecia impossível, ele continuou a sustentar o povo. Por isso, não é possível desanimar diante da dificuldade, pois é Deus que conduz a história.

É diante dessa tomada de consciência e da certeza da presença constante de Deus que o profeta convida todos os servos do Senhor (cf. v. 14) a regozijar-se (cf. v. 10), pois são aqueles que amam Sião e foram solidários com seu sofrimento. Alegrar-se, porque o Senhor consolará o seu povo (cf. v. 11) e porque todos se saciarão com seus atos salvíficos (“glória”). Entre esses atos está a construção de uma sociedade próspera, na qual todos terão acesso aos bens. Essa vida em plenitude provém do próprio Deus, pois ele é aquele que consola o seu povo, o aconchega, o amamenta, o carrega no colo, o acaricia. Ele é aquele que concede a paz a Sião. É o Deus que lhe dá vida e o sustenta (cf. v. 13). É ele que manifesta o seu poder em favor do povo (cf. v. 14). Somente uma cidade alicerçada no Senhor da vida é capaz de ser agraciada pela paz transbordante (cf. v. 12). Desse modo, Jerusalém torna-se a cidade na qual será manifestada a consolação de Deus (cf. v. 13) e o lugar da paz plena.

Se o profeta anuncia a consolação, certamente o faz porque o povo vive uma realidade de sofrimento, de dificuldade, de desânimo, como foi mencionado acima. Por isso, é profunda a imagem do reflorescimento dos ossos (cf. v. 14a), para indicar a renovação da vida e a certeza da ação salvífica de Deus. Isso, porém, somente será possível se o povo se deixar guiar por ele e tiver como fundamento a justiça e a paz. Para tanto, é necessário que seus líderes sejam também servos, estejam a serviço da coletividade, promovam o bem comum e a paz. Paz inspirada e sustentada pela caridade, pela experiência profunda de comunhão com o Senhor da vida, Deus.

2. Evangelho: Lc 10,1-12.17-20

Lc 10 está situado nos relatos da subida de Jesus para Jerusalém (cf. Lc 9,51-19,27). Jerusalém é muito importante para o evangelista Lucas, pois é nessa cidade que Jesus entregará a sua vida e nascerá a comunidade dos seguidores de Cristo. Ao longo dessa viagem, temos dois relatos de envio: o dos doze (cf. Lc 9,1-6) e o dos 70 discípulos (ou 72, em alguns manuscritos). Setenta (ou 72) corresponde ao número dos povos que compõem a humanidade, segundo Gn 10,1-32, e dos anciãos que participarão do espírito profético de Moisés, segundo Nm 11,24-30.

Nessa narrativa, diferentemente da anterior, há uma ampliação da missão e a necessidade de haver mais pessoas que possam anunciar a vinda do Reino (cf. v. 2). Jesus, como Messias, assume o papel do rei que envia mensageiros para todas as nações com uma mensagem bem precisa: a proximidade do Reino de Deus (cf. v. 9). Todos são convocados para essa missão: basta à pessoa ser escolhida por Deus para ser uma trabalhadora na imensa messe, assumindo o projeto do Pai, revelado por meio das palavras e dos gestos de Jesus Cristo. As imagens da messe e da colheita são utilizadas pelos profetas para referir-se ao juízo escatológico, no fim dos tempos (cf. Jl 4,13; Is 27,12). Lc 10,2 pode assumir esse significado, uma vez que com Jesus se inicia o tempo messiânico e o centro da mensagem é o Reino de Deus, tema relacionado ao fim dos tempos. No entanto, há uma mudança de perspectiva na concepção lucana e dos evangelhos, pois o Reino de Deus é inaugurado por Jesus, que se insere na história, e ressalta-se o sentido universal da missão – ou seja, a mensagem deve ser levada para todas as nações, não somente para Israel. Assim, a messe é grande, necessita de trabalhadores e é um dom de Deus. Esses trabalhadores não são meros voluntários, mas são aqueles que fizeram experiência da proximidade do Reino, por meio de Jesus Cristo, e desejam comunicá-la. A messe é um dom porque tem como dono o Pai, e é ele que deve escolher e enviar os trabalhadores para realizar o seu projeto salvífico. Isso é confirmado no v. 1, que afirma que os discípulos são enviados “dois a dois” – ou seja, a mensagem que será anunciada foi recebida de Deus e é um testemunho verdadeiro, conforme Dt 19,15.

A primeira característica desses missionários é a oração, e o conteúdo do pedido a ser feito a Deus é aumentar o número dos trabalhadores na messe do Senhor. Isso exige uma abertura de mentalidade, generosidade, um coração universal e a consciência de que a missão pertence a Deus, e não ao missionário. Nos vv. 3-7, são explicitados o envio, os riscos, a hostilidade que esses apóstolos encontrarão (cf. v. 3) e as recomendações (cf. vv. 4-7). A missão é sustentada por Deus, mas não é isenta de conflitos. Diante das dificuldades, os missionários devem se despojar do poder, da violência, e da imposição. O evangelista deixa claro que os enviados serão perseguidos, tendo uma vida semelhante ao do missionário Jesus, que também não foi aceito por todos.

A segunda exigência é o despojamento de bens materiais, confiando totalmente em Deus (cf. v. 4a) e na generosidade das pessoas. A missão tem um caráter de urgência (cf. v. 4b), por isso o missionário não pode se desviar do caminho nem deve anunciar outra mensagem a não ser aquela dada por Jesus.

Os missionários são portadores da paz (cf. vv. 5-6). A paz, além de ser a plenitude dos bens, é o sinal do Reino de Deus e da mensagem do Ressuscitado. Eles também não devem abusar da generosidade das pessoas (cf. v. 7), mas renunciar à segurança e à comodidade. Esses missionários são convocados não somente para anunciar a Boa-Nova, como também para serem testemunhas daquilo que anunciam. A mensagem da proximidade do Reino, portanto, não é mero discurso, mas um estilo de vida. Supõe a renúncia ao acúmulo de bens, à comodidade, ao poder e à violência. A mensagem do Reino também é Boa-Nova para os marginalizados, que são curados de suas doenças e tirados da exclusão.

Se a mensagem de paz for rejeitada, os missionários devem sacudir a poeira que ficou grudada nos calçados (cf. vv. 10-11). Trata-se de gesto profético, que podemos interpretar como uma ruptura, um castigo definitivo (cf. Gn 19,24-25; Ez 16,49.56), uma forma de deixar o pó contaminado no local da rejeição, para poder voltar ao solo sagrado (cf. Sl 102,15). Ao mesmo tempo, é uma forma de indicar que o missionário fez a sua parte; se sua mensagem foi rejeitada, não cabe aos enviados realizar o julgamento, mas é Deus que irá julgar conforme seus critérios.

A missão desses missionários é a mesma de Jesus: anunciar a Boa-Nova do Reinado de Deus, curar os doentes e ser portadores de paz. A paz é o bem messiânico por excelência, prometido para o fim dos tempos. É o sinal do início do tempo da salvação, do advento do Reino do Senhor.

A atitude dos mensageiros é: mansidão, pobreza, despojamento e decisão quando a realidade exige. A sentença no v. 12 não é de vingança, mas tem a finalidade de mostrar a seriedade da decisão daquele que rejeita o anúncio da proximidade do Reino de Deus, ou seja, que não crê no Filho de Deus, Jesus, o Reino por excelência.

No relato dos discípulos, ao retornarem da missão (cf. vv. 17-20), transparece a satisfação pela eficácia dos exorcismos realizados em nome de Jesus, confirmando a relação existente entre a missão dos discípulos e a de Jesus (cf. 8,26-39; 10,1).

É importante salientar que, na Bíblia, há uma diferença entre demônio e satanás. A palavra demônio está ligada a doenças para as quais a medicina da época não encontrava explicação, como epilepsia, febre e outros. Por sua vez, satanás é uma palavra hebraica que representa tudo que é contra o Reino de Deus, tudo que é o antirreino, ou seja, tudo aquilo que é contra as palavras e os gestos de Jesus. Nesse sentido, há uma ligação entre demônio e satanás, pois as doenças e o mal são contrários ao Reino de Deus, caracterizado pela vida e pelo bem das pessoas. Cabe lembrar que a cura das doenças também é um dos sinais da vinda do Messias, é sinal que caracteriza a era messiânica.

A imagem da derrocada de satanás (cf. v. 18) nos remete à sua presença na corte celeste para acusar os homens (cf. Zc 3,1-2; Jó 1,6-12 e 2,1-7). O ser derrubado de seu trono (cf. Is 14,12.14) representa a vitória definitiva de Deus e a soberania de seu Reinado.

No v. 20, Jesus enfatiza que o fundamental não são os sinais extraordinários, como a cura de doentes, mas a pertença ao Reino de Deus e a inscrição em seu registro (cf. Ex 32,32; Sl 87,6). Por isso, as comunidades e, especialmente, os missionários não devem se fixar no sucesso e no poder, mas no anúncio, na participação e na construção do Reino de Deus, de justiça e de paz.

3. II leitura: Gl 6,14-18

Paulo conclui a carta aos Gálatas com os versículos escolhidos para a liturgia desta celebração, resumindo as ideias principais e apresentando, de forma convicta, o seu parecer contra os chamados “judaizantes”. Judaizantes eram as pessoas provenientes da cultura judaica que aderiram ao seguimento de Jesus. Eles acusam Paulo de não exigir dos gentios (de cultura grega), ao se inserirem na comunidade cristã, após o batismo (cf. Gl 4,17), a circuncisão e a observância da Lei mosaica e das leis judaicas referentes aos alimentos. Na visão dos adversários, Paulo se vangloriava da quantidade de gentios que aderiam a Jesus Cristo, mas não era de fato um apóstolo e pregava um falso evangelho. Paulo afirma que se orgulha da cruz do Senhor Jesus Cristo, ou seja, Jesus é agora o centro, pois é o Messias esperado. Desse modo, a Lei e a circuncisão não devem ser exigidas dos gentios ao aderirem a Jesus, dado que a Lei atingiu sua plenitude com a vinda de Cristo. Assim, a vida do cristão terá como norma sua experiência com Jesus, que se esvaziou de si, assumindo até mesmo a morte de cruz, como revelação de seu amor e fidelidade ao projeto do Pai. A Lei é plenificada pelo amor, e é esse amor que servirá de princípio normativo, de norma, para os cristãos. O batizado, portanto, não tem uma lei externa, mas o seu agir é pautado pela sua experiência de Jesus Cristo, que revela seu poder na fragilidade, na onipotência, na morte de cruz. O cristão, com o batismo, participa desse mistério pascal e torna-se nova criatura.

Aos judaizantes se opõe o Israel de Deus, que reconhece Jesus como Messias e recebe o grande dom messiânico, a paz. Paz que nasce da experiência do amor misericordioso e benevolente de Deus, que se revela na cruz de Cristo. Essa experiência interpela o cristão, levando-o a assumir a missão de anunciar a paz e a misericórdia de Deus.

Em Gl 6,17, Paulo declara que traz em seu corpo as “marcas” de Jesus, em grego o correspondente à palavra “estigma”, que não deve ser interpretada como as chagas ou feridas no corpo dos santos, como as do Padre Pio, de São Francisco e outros, mas refere-se ao sofrimento como resultado da participação do apóstolo na paixão de Cristo após o batismo (cf. 2Cor 4,10-12; Fl 3,10) e de sua dedicação como anunciador do amor de Deus revelado em Jesus Cristo, ou seja, da Boa-Nova (cf. 2Cor 11,24-25).

IV. Pistas para reflexão

Todos os textos da liturgia desta celebração têm como tema a paz. Nas celebrações e nas nossas atitudes como cristãos e cristãs, é explícita a face materna de Deus e da paz que nasce de nossa experiência com ele e de sua misericórdia em nossa vida? Como estou realizando a missão que o Senhor me deu no batismo de ser anunciador e construtor do Reino de Deus? Quais iniciativas podemos assumir para “evitar tudo que coloca em risco a paz social”, conforme as palavras do papa em sua mensagem para o dia mundial da paz deste ano.

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

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