Encontros Vocacionais - OFM - Frades Franciscanos
Lições Vocacionais
            Pastoral Vocacional             Lições Vocacionais      
  • VOCAÇÃO À VIDA
  • VOCAÇÃO CRISTÃ E MINISTÉRIOS
  • VOCAÇÃO PROFÉTICA
  • A VOCAÇÃO MATRIMONIAL
  • A VOCAÇÃO DE MARIA
  • A VOCAÇÃO DE SÃO FRANCISCO
  • A VOCAÇÃO DE JESUS
  • A VOCAÇÃO DE SANTA CLARA
  • A VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA
  • A FAMÍLIA FRANCISCANA
  • A VOCAÇÃO PRESBITERAL

VOCAÇÃO À VIDA

Antes de eu existir, Deus já me amava.

A cada manhã, quando vemos a natureza acordar e as pessoas se levantarem para um novo dia, nos vem o sentimento da grandiosidade e beleza da vida.

Nas maternidades, as mães dão à luz a pessoas que dentro em breve estarão conosco dividindo este mundo.

A vida é um grande dom de Deus, e mesmo com todos os avanços da ciência, ainda não conseguimos desvendar todos os mistérios da vida.

Milhões e milhões de células, neurônios e substâncias das mais diversas tecem de forma espetacular este nosso corpo e, mesmo tendo uma estrutura muito parecida com os demais animais, algo nos diferencia: a capacidade de pensar, de imaginar o mundo e se apaixonar por ele e pelas pessoas, de construir sonhos, de nos entristecer se algo vai mal.

Ao mesmo tempo, vemos também que nem sempre a vida é valorizada como deveria. Cada vez mais a vida vale menos, muitos são eliminados da vida ainda jovens, mesmo que por motivos muito fúteis. Diariamente, vemos nos jornais notícias de mortes das mais diversas e cruéis. A vida é frágil e merece ser g u a r d a d a  c o m  c u i d a d o. De v e m o s constantemente aprender a cuidar dela como um bem mais precioso, cuidar de nós e de quem está à nossa volta.

O primeiro chamado que Deus nos faz é o chamado à vida, saboreá-la como crianças. Antes de me formar no seio materno, Deus já me conhecia (cf. Sl 139).

Um olhar em Francisco

São Francisco foi um jovem apaixonado pela vida. Antes de sua conversão, era um dos jovens mais animados de sua cidade, gostava de fazer amigos, de rir e brincar.

Após sua conversão, isso não mudou. Continuou seu jeito alegre de servir a Deus, de cantar pelos bosques, de louvar a Deus por todas as criaturas, especialmente os seres humanos, sobretudo os pobres. Para ele, Deus deveria ser celebrado na vida não com o rosto triste e abatido, mas, o Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor deveria receber sempre toda honra, toda glória, toda bênção: “Às vezes [Francisco] pegava um pedaço de pau no chão, como vi com meus próprios olhos, punha-o sobre o braço esquerdo, segurava-o na direita um arco de arame, passava-o no pedaço de pau como se fosse um violino e fazendo gestos, cantava ao Senhor”. (2Cel 127)

Ser Franciscano é cultivar uma visão otimista da vida e das pessoas, que valem o que são diante de Deus e mais nada.

Oração pela vida (Bento XVI)

Senhor Jesus, prostrados diante de Vós, nascente e amante da vida realmente presente e vivo no meio de nós, suplicamos-vos.

Voltai a despertar em nós o respeito por cada vida humana nascente, tornai-nos capazes de entrever no fruto do ventre materno a obra admirável do Criador, disponde os nossos corações ao acolhimento generoso de cada criança que está para nascer.

Abençoai as famílias, santificai a união dos esposos, tornai fecundo o seu amor.  Orientai a obra dos cientistas e dos médicos, a fim de que o progresso contribua para o bem integral da pessoa e ninguém venha a sofrer supressão e injustiça.

Consolai os cônjuges que sofrem por causa da impossibilidade de ter filhos e, na vossa bondade, sede providente para com eles.

Educai todos a cuidar das crianças órfãs ou abandonadas, para que elas possam experimentar o calor da vossa Caridade, a consolação do vosso Coração divino.

Com Maria vossa Mãe, a grande crente, em cujo seio assumistes a nossa natureza humana, esperamos de Vós, nosso único e verdadeiro Bem e Salvador, a força de amar e servir a vida, à espera de viver sempre em Vós, na Comunhão da Bem-Aventurada Trindade.

 

VOCAÇÃO CRISTÃ E MINISTÉRIOS

Se a tocha de sua fé apagar, alguém vai morrer no escuro.

“Quem é que vou enviar? Quem irá de nossa parte? Eu respondi: aqui estou, envia-me!” (Is 6,8)

Jesus inaugurou com os discípulos uma maneira nova de se relacionar com as pessoas e com Deus.

Muitos gostariam que Jesus fosse um guerreiro valente, musculoso, que acabasse de vez com os sofrimentos do povo massacrado pelo Império Romano.

Mas, a maneira de Jesus era outra: primeiro, ele diz que, não veio para ser servido, mas para servir (Mt 20, 28); que em seu Reino, os primeiros seriam últimos e os últimos, primeiros (Mt 20,16); que não eram os sãos que necessitavam de médicos, mas os doentes (Lc 5,31); que deveriam amar os inimigos (Lc 6, 27), que são bem-aventurados os pobres e que deles seria seu Reino (Lc 6,20), entre tantos outros ensinamentos. Sua presença no mundo era de fato uma Boa Notícia, sobretudo para os pobres e desprezados pela sociedade.

Depois de muita perseguição, acabaram por matar Jesus e, com isso, pensavam que acabariam também com seus ideais. Mas se enganaram.

Os discípulos, ao fazerem a experiência da Ressurreição, assumem para si a missão de continuar anunciando ao mundo aquilo que Jesus lhes tinha ensinado, mesmo que isso fosse lhes custar a vida, como vemos na vida de tantos mártires. Desta forma, a Igreja sempre tentou levar a Boa Notícia de Jesus até nossos dias.

Na criatividade do Espírito Santo, foram surgindo homens e mulheres dispostos ao anúncio do Evangelho. Nem todos fazem a mesma coisa, nem todos têm as mesmas responsabilidades e dons, mas o Espírito é o mesmo, como alertou são Paulo.

Pelo batismo, todos nós nos associamos a Jesus e nos colocamos como anunciadores do Evangelho aos homens e mulheres que encontramos.

“Quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo” (Documento de Aparecida 145).

Um olhar em Francisco

Francisco trilha um caminho próprio. De início, não sabia como devia servir a Deus, mas aos poucos foi discernindo que Deus o queria pregando pelo mundo, em castidade, obediência e sem nada de próprio. Ao ouvir certo dia um trecho do evangelho em que Jesus enviava os discípulos e lhes dizia que não levassem bolsas, dinheiro, duas túnicas, Francisco exclamou: “é isso que eu quero, é isso que eu quero, é isso que eu desejo fazer de todo o meu coração”.

Ele pregou pelo seu exemplo, mostrando que o Evangelho deveria ser vivido “em simplicidade e sem nada de próprio”.

Era preciso ouvir a Deus e ouvir os irmãos que chegavam, por isso surgiram diferentes formas de vida religiosa dentro do movimento franciscano. Essa é a beleza de Deus, suscita e capacita as pessoas, sem competição, sem inferioridade, todos irmãos e irmãs, a anunciarem a beleza do Evangelho.

Oração da comunidade

Senhor, eu vos peço pela minha comunidade: 

Para que nos conheçamos melhor em nossas aspirações e nos compreendamos mais em nossas limitações.

Para que cada um de nós sinta e viva as necessidades do outro.

Para que nenhum fique alheio aos momentos de cansaço, dissabor e desânimo do outro.

Para que nossas discussões não nos dividam, mas nos unam na busca da verdade do bem. Para que cada um de nós, ao construir a própria vida, não impeça o outro de viver a sua. Para que nossas diferenças não excluam a ninguém da comunidade, mas nos levem a buscar a riqueza da unidade.

Para que olhemos para cada um, Senhor, com vossos olhos e nos amemos com vosso coração.

Para que nossa Fraternidade não se feche em si mesma, mas seja disponível, aberta e sensível aos desejos dos outros.

Para que no fim de todos os caminhos, além de todas as buscas, no final de cada discussão, e depois de cada encontro, nunca haja vencidos, mas somente e sempre irmãos. Amém.

VOCAÇÃO PROFÉTICA

É Profeta quem deixa Deus colocar sua Palavra no coração e na boca.

No ato criador de Deus há um projeto de plenitude. Deus sonha com uma humanidade em comunhão com Ele. Para isso, várias provas de amor foram dadas no decorrer dos tempos. Deus se fez presente em toda a caminhada de seus filhos, rumo a uma Terra Prometida, um mundo melhor de se viver. Na plenitude dos tempos, Ele mesmo veio morar conosco (Jo 1,14). Com a ressurreição, inaugura uma nova esperança, a Vida Eterna, no banquete do Reino.

Então, da parte de Deus, está tudo sonhado, desejado. Mas, infelizmente, de nossa parte, nem sempre conseguimos nos manter fiéis àquilo que Deus desejou a nosso respeito.

Muita coisa no mundo não está conforme a vontade divina. Há muita injustiça, corrupção, miséria e desperdício. Então, o que fazer? Ficaremos à mercê de alguns que não estão de acordo com o projeto de Deus? Não. Deus suscita profetas e profetisas para dizerem o que tem de ser dito; fazerem e incentivar a fazer o que deve ser feito.

Em nossos dias, podemos lembrar-nos de D. Hélder Câmara, Madre Teresa de Calcutá, D. Pedro Casaldáliga, Ir. Dorothy e tantos outros, anônimos ou conhecidos que tentam mostrar com suas denúncias e anúncios que o projeto de Deus é possível, que o Reino de Deus é dos pobres, dos pacíficos e humildes, dos que lutam por justiça (Mt 5,1-12).

Pelo batismo, os cristãos são ungidos sacerdotes, profetas e reis. Os profetas são todos aqueles homens e mulheres que, vendo uma situação de injustiça, se erguem em favor dos filhos de Deus e sua criação, denunciando o erro e anunciando a esperança de dias melhores.

Essas duas coisas são importantes: denunciar as injustiças e anunciar a esperança. O papa João XXIII já alertava: “Chegam-nos aos ouvidos insinuações de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos atuais, não veem senão traições e ruínas. Mas a nós parece-nos que devemos discordar desses profetas de desgraças, que anunciam acontecimentos sempre agourentos, como se estivesse iminente o fim do mundo” (Discurso de abertura do Concílio Vaticano II (11 de Outubro de 1962).

Um olhar em Francisco

A profecia de São Francisco não se deu só por palavras, mas por seu modo de vida. Como não lembrar seu beijo no leproso, restabelecendo dignidade àquele que a sociedade deixava de lado? Depois, em seu encontro com o Sultão, sua pregação de paz? Sua indignação pelo excesso de uns e a carência de outros...

Seu testemunho de vida era ainda mais forte que suas palavras. Para Francisco, a primeira pregação era o bom exemplo. Se fosse preciso, então, que se pregasse por palavras. Ou seja, para ele, não adiantava o profeta dizer algo se suas ações não comprovassem o que estava sendo dito. Seria contraditório.

A VOCAÇÃO MATRIMONIAL

A vida no amor recíproco e criativo

Uma das belezas da vida está em ter alguém para amar e construir juntos um caminho. Num grande mistério, homem e mulher se encantam um pelo outro e aceitam doar-se por inteiro pela felicidade do outro e dos filhos que vierem.

A maior vocação a que todos somos chamados é ao amor, à doação, e o matrimônio é um sinal visível dessa doação de ternura e afeto, ao constituir uma família.

É próprio do amor gerar vida. O amor nunca se encerra em si mesmo, nunca é mesquinho, ciumento, ganancioso, possessivo. É dom e doação gratuita.

A grande maioria dos cristãos está casada e é convidada ao seguimento de Cristo na vivência em sua família, no diálogo e educação dos filhos, o dom mais excelente do matrimônio (GS 50), sendo “cooperadores da graça e testemunhas da fé. Para os filhos, são eles os primeiros anunciadores e educadores da fé, formando-os pela palavra e pelo exemplo” (AA11).

A beleza do matrimônio é tão grande que foi utilizada como imagem para falar da união de Deus com o seu povo, num convite à fidelidade e à doação constante, “pois, como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador e o Esposo da Igreja vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do matrimônio” (GS 48).

Um olhar em Francisco

Embora o ambiente familiar de Francisco não tenha sido sem conflitos, ele toma a família, a relação mãe e filhos como exemplo para seus irmãos.

Em uma de suas regras, ele diz que os irmãos devem cuidar muito bem uns dos outros, como uma mãe cuida do filho (RB 6,8).

Para os irmãos que vão viver em eremitérios, ele diz que eles devem ser como mães e filhos, em revezamento.

Francisco acolhe casais que desejam segui-lo juntos, surgindo assim a Terceira Ordem (hoje, Ordem Franciscana Secular).

Ele mesmo chega a se comparar com uma mãe para com seus filhos: “Francisco, dirás isto ao Papa: uma mulher pobrezinha, mas bonita, morava em um deserto. Um rei se apaixonou por ela por causa de sua grande formosura, desposou-a todo feliz e teve com ela filhos belíssimos.

Quando já estavam adultos e nobremente educados, a mãe lhes disse: “Não vos envergonheis, meus queridos, porque sois pobres, pois sois todos filhos daquele grande rei.

Ide com alegria para sua corte, e pedi-lhe tudo que precisais'.

Surpresos e felizes quando ouviram isso e orgulhosos por saberem que eram de linhagem real, pois previam que seriam os herdeiros, consideraram riquezas toda sua pobreza.

Apresentaram-se ousadamente ao rei, sem temer o rosto que era parecido com o deles. Vendo neles essa semelhança, o rei perguntou, admirado, de quem eram aqueles filhos.

Quando disseram que eram filhos daquela mulher pobrezinha do deserto, o rei os abraçou dizendo: 'Sois meus filhos e meus herdeiros, não tenhais medo!

Se até estranhos comem à minha mesa será muito mais justo que eu alimente aqueles a quem está destinada por direito a minha herança toda'. Por isso o rei mandou que a mulher levasse todos os seus filhos para serem alimentados em sua corte”.

Alegre e contente com a parábola, o santo foi logo contar ao Papa o sagrado oráculo de Deus. A vida no amor recíproco e criativo

A VOCAÇÃO DE MARIA

O Sim de Maria nos encoraja a dizer Sim a Deus

A vocação de Maria é muito bonita. Foi tocada pela surpresa de Deus, anunciando que seria mãe de seu Filho. Maria podia ter recusado, mas deu seu sim a Deus, mesmo sem saber exatamente como tudo aconteceria. 

A resposta de Maria é dada por ela mesma, sem consultar outras pessoas. Ela estava convicta e sabia o que queria.

Não importa que fosse muito jovem, que fosse de um lugarejo pequeno, para Deus essas coisas não importam. O que importa é a vontade de seguir o caminho de Jesus.

Ao visitar Isabel, mostra que vocação é serviço, não era pra ficar se “achando” por estar grávida do Filho de Deus. Pôs-se a caminho, ajudar quem dela precisava. Ela era Cheia de Graça, como dissera o Anjo, e não guardou isso só pra si.

Mas nem tudo foi lindo na vida de Maria. Ela sofreu muito, vendo seu filho ser traído, incompreendido, morto. Estar com Deus, seguir Jesus com toda fé não nos livra de sofrimentos, mas nos dá forças para superá- los. Jesus e os apóstolos também sofreram muito, morreram por aquilo que acreditavam.

Os cristãos sempre tiveram um carinho muito especial por Maria, mas não basta só elogiá-la por tudo o que ela fez, é preciso seguir seu exemplo, é preciso nos inspirar na vocação de Maria.

Um olhar em Francisco

São Francisco tinha grande devoção pela Virgem Maria. Ele a elegeu padroeira da Ordem Franciscana, e a capelinha onde seu movimento começou se chama Santa Maria da Porciúncula.

A maternidade de Maria era uma recordação constante para Francisco. Para ter ideia de como Jesus teria nascido, montou o primeiro presépio da história, em 1223.

Outro aspecto de Maria que Francisco costumava lembrar é que ela foi pobre, como Jesus: “e ele foi pobre, e hóspede e viveu de esmolas, ele e a bem-aventurada Virgem e seus discípulos” (RnB 9,5).

Saudação à Mãe de Deus (São Francisco de Assis)

Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!

Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem!

Salve, ó palácio do Senhor!

Salve, ó tabernáculo do Senhor!

Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor!

Salve, ó serva do Senhor!

Salve, ó Mãe do Senhor, e salve, vós todas, ó santas virtudes derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em (servos) fiéis de Deus! O Sim de Maria nos encoraja a dizer Sim a Deus.

A VOCAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

“Vai e reconstrói a minha Igreja.”

É típico dos jovens sonharem. Na época de Francisco, os jovens eram educados a ser grandes cavaleiros, irem para a guerra e, assim, ao retornarem vitoriosos, poderem adquirir uma posição social melhor.

Com Francisco não foi diferente. Desta forma, aquele jovem farrista, cheio de amigos animados e barulhentos, partiu para a guerra contra sua cidade vizinha, Perúgia.

Porém, ao invés de voltar cheio de exultação para Assis, o jovem Francisco fora pego prisioneiro de guerra e passa cerca de um ano numa prisão com péssimas condições higiênicas, caindo gravemente enfermo.

Resgatado pelo pai, Francisco começa um lento processo de reopção de vida. Passa a questionar o sistema social e religioso causador de tanta violência e opulência. Resolve viver uma vida diferente, embora não soubesse ainda como isso seria.

Dentro do processo de conversão de Franci sco, podemos perceber quatro acontecimentos fundamentais: o rompimento com seu pai; o encontro com o crucifixo de São Damião, pedindo para restaurar a sua casa que estava em ruínas; o beijo no leproso, que antes lhe era amargo, mas que se convertera em doçura da alma e do corpo; e a chegada dos irmãos, indicando-lhe que deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho.

Em todos os acontecimentos de sua vida, Francisco nunca planejou exatamente o que ia fazer. Foi deixando Deus o guiar. Também não chamou seguidores, mas acolheu aqueles que Deus lhe deu, entre eles, Clara (que veremos na próxima lição); acolheu casais que desejavam segui-lo, mas que continuaram com os laços do matrimônio (a Ordem Terceira, hoje chamada de Ordem Franciscana Secular); acolheu irmãos que têm vocação missionária e irmãos que querem viver em eremitérios. Todos pregando a paz e a mudança de vida ao Evangelho.

Desta forma, podemos ver que o discernimento da vontade de Deus na vida de Francisco não foi algo vivido simplesmente nos anos de sua conversão, mas durante toda a sua vida foi se pondo na presença do Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor e perguntando-lhe o que fazer.

Antes de morrer, Francisco se assemelha ainda mais fortemente ao Cristo, recebendo seus sagrados estigmas (os quais escondeu por dois anos, só revelados após sua morte) e compôs, já praticamente cego, o cântico das Criaturas, ou do Irmão Sol, confraternizando toda a criação com seu Criador e convidando a todos para louvarem e bendizerem o seu Senhor.

CÂNTICO DO IRMÃO SOL

Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são o louvor, a glória, a honra e toda bênção (cfr. Ap 4,9.11).

Só a ti, Altíssimo, são devidos; e homem algum é digno de te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas (cfr. Tb 8,7), especialmente o senhor Irmão Sol, que fez o dia e nos iluminas por ele. E ele é belo e radiante com grande esplendor; de ti, Altíssimo, carrega a significação.

Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Lua e as Estrelas (cfr. Sl 148,3), no céu as formaste claras e preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo Irmão Vento, pelo ar, ou nublado ou sereno, e todo o tempo (cfr. Dn 3,64-65), pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Água (cfr. Sl 148, 4-5), que é muito útil e humilde e preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo Irmão Fogo (cfr. Dn 3, 63) pelo qual iluminas a noite (cfr. Sl 77,14), e ele é belo e alegre e vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã a mãe Terra (cfr. Dn 3,74), que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas (cfr. Sl 103,13-14).

Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam por teu amor (cfr. Mt 6,12), e suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que as suportam em paz (cfr. Mt 5,10), que por ti, Altíssimo, serão coroados. Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã a Morte corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecados mortais! Felizes os que ela achar conformes à vossa santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal! (cfr. Ap 2,11; 20,6)

Louvai e bendizei a meu Senhor (cfr. Dn 3,85), e dai-lhe graças, e servi-o com grande humildade.

A VOCAÇÃO DE JESUS

Meu alimento é fazer a vontade do Pai.

“Minha comida é fazer a vontade daquele que me mandou e terminar o trabalho que me deu pra fazer” (Jo 4,34).

Desde a sua infância, Jesus recebeu de seus pais os ensinamentos da religião. À medida que ia crescendo, crescia também em sabedoria e em graça (Lc 2,52), e se colocava sempre mais na presença de Deus.     

Em sua vida, fez opções pelos pequenos, pelos caídos nas estradas, pelos pecadores. A todos ia anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Não o fez sozinho, chamou para si discípulos que o auxiliavam neste anúncio (Mt 10,2).     

“O Reino de Deus já está no meio de nós” (Mt 12,28), dizia ele convicto da presença de Deus junto do povo.

Na vida e na vocação de Jesus, queremos lembrar alguns aspectos importantes que nos ajudarão a entender melhor a nossa própria vocação:

– Jesus é uma pessoa de oração. Muitas vezes, nos evangelhos, Jesus aparece sozinho para ter um encontro mais íntimo com o Seu Pai (Mt 14,23; Mc 1,35; Mc 6,46). Em geral, antes de tomar alguma decisão importante, Jesus se refugia na oração, como podemos ver na seguinte passagem: “Nesses dias, Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lc 6,12-13).

– A intimidade que Jesus tem com Deus o leva a fazer uma opção pelos últimos. Ele não veio para os que estavam sadios, mas para os doentes e pecadores (Lc 5,31), ou seja, aqueles que não podiam contar com mais ninguém que não fosse Deus. Em seu caminho, Jesus abre os olhos dos cegos (Mt 9,27), cura os paralisados (Mt 4,24), põe as pessoas de pé e lhes dá ânimo para caminhar.

Jesus se apresenta como servo, como menor, como último. Podemos ver isso claramente no episódio do lava-pés, quando se inclina aos pés de seus discípulos e depois lhes pede que continuem a fazer isso que ele fez (Jo 13,12-17).

Jesus tem um desejo profundo de que a vontade de Deus seja feita. Ele chega a dizer que a sua comida é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34); no Pai-Nosso, pede novamente por isso (Lc 11,2ss) e, prestes a ser crucificado, diz que não quer que sua vontade seja feita, mas de seu Pai (Mc 14,36).

Um olhar em Francisco

Para Francisco, Jesus foi a grande inspiração de sua vida. O evangelho era para ele um espelho no qual ele confrontava a sua vida a fim de que ela ficasse sempre mais parecida com a vida de Cristo.

Francisco tem maior atenção por três aspectos da vida de Cristo: a encarnação, a cruz e a eucaristia. O Cristo de Francisco não é um senhor glorioso, rei, mas humilde, pobre e crucificado. Nu, Francisco queria seguir o Cristo nu.

Certa vez, ao andar pelos bosques, estava chorando muito. Um frade então lhe pergunta o que estava acontecendo e ele lhe responde: “choro a paixão do meu Senhor. O amor não é amado”.

O Crucificado foi quem lhe pediu que reconstruísse a igreja em ruínas, seu hábito tinha forma de cruz e, ao final de sua vida, recebeu os estigmas assim como seu Senhor. Francisco foi reconhecido como sendo um “outro Cristo”, aquele que mais se aproximou Daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Oração: eterno Deus onipotente, justo e misericordioso, concedei-nos a nós míseros praticar por vossa causa o que reconhecermos ser a vossa vontade e querer sempre o que vos agrade, a fim de que, interiormente purificados, iluminados e abrasados pelo fogo do Espírito Santo, possamos seguir as pegadas de vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e por vossa graça unicamente chegar até vós, o altíssimo, que em Trindade perfeita e Unidade Simples viveis e reinais na glória como Deus onipotente por toda eternidade (São Francisco de Assis).

A VOCAÇÃO DE SANTA CLARA

“Não perca de vista o seu Ponto de Partida.” (2 CtIn 11)

Como você viu na lição anterior, a vida de Francisco ecoou no coração de Clara, que era 12 anos mais nova que ele. Sentiu que sua vida precisava de outros rumos e que Francisco lhe inspirava neste sonho.

Clara, ao contrário de Francisco, era nobre, descendente de reis e rainhas. Ela nunca teve a vida agitada de Francisco. Era uma adolesceste de bons princípios, aprendidos, sobretudo, da mãe.  

Quando, porém, diz a Francisco que gostaria de viver como ele estava vivendo, isso causou uma grande confusão em sua família e também em Francisco, mas que cuidou de acolhê-la da melhor forma.

Clara ficou residindo na igreja de São Damião, a mesma que Francisco tivera a visão do Crucificado. Em São Damião, Clara viveu 42 anos, de perfeita penitência, acolhendo sempre mais novas companheiras, incluindo sua irmã e sua mãe, Hortulana, após a morte do marido.

Como Francisco, Clara manteve uma grande fidelidade à pobreza, pedindo inclusive da Cúria romana o privilégio de não possuírem nada, uma vez que todos os mosteiros da época eram muito ricos.

Clara tinha temperamento forte, foi uma mulher firme naquilo que queria. Para seguir o Evangelho do jeito que pretendia, teve de enfrentar muita gente, mas não se intimidou.

Um olhar em Clara

Um dos escritos mais conhecidos de Santa Clara é a sua quarta carta a Inês, uma monja seguidora sua que vivia muito longe. Nesta carta, Clara compara Jesus a um espelho. Repare as recomendações: “Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto, para enfeitar-se toda, interior e exteriormente, vestida e cingida de variedade (Sl 44,10), ornada também com as flores e roupas das virtudes todas, ó filha e esposa caríssima do sumo Rei. Pois nesse espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade, como, nele inteiro, você vai poder contemplar com a graça de Deus.

Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio (cfr. Lc 2,12)! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos, o Senhor do céu e da terra (cfr. Mt 11,25) repousa numa manjedoura. No meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bemaventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa. Assim, posto no lenho da cruz, o próprio espelho advertia quem passava para o que deviam considerar: ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há outra dor igual à minha (Lm 1,12). Respondamos a uma voz, num só espírito, ao que clama e grita: Vou me lembrar para sempre e minha alma vai desfalecer em mim (Lam 3,20). Tomara que você se inflame cada vez mais no ardor dessa caridade, ó rainha do Rei celeste!”(4ª Carta a Inês de Praga).

Oração: Senhor, em tempos de trevas, clareastes o mundo com uma luz singular. Esta luz, chamada Clara, na lâmpada de Francisco, brilhou tão forte que iluminou o mais profundo, onde luz alguma, senão a de Cristo, ousou chegar: o coração das pessoas.

Hoje, sinto esta luz me invadir e uma inquietação toma conta do meu ser. Motivado por ela, quero lançar-me no Vosso Projeto de amor com a mesma pergunta de Francisco: “Senhor, que queres que eu faça?”.

Que a vossa luz, brilhante como o sol, ilumine o meu caminho, para que eu possa mergulhar por inteiro nesse lago de águas cristalinas que é vosso amor. Amém.

A VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA

A Vida Religiosa: um Dom de Deus que vale a pena escolher.

Desde os primeiros séculos da Igreja, muitos homens e mulheres se propuseram a viver o evangelho de Cristo de maneira radical.

Ao assumirem o Batismo como um grande convite de Jesus à vida nova, estas pessoas se consagram a Deus e querem ser fermento na massa do mundo.

No decorrer dos tempos , várias congregações se colocaram a serviço dos sem voz e vez, cuidando de orfanatos, asilos, hospitais, escolas e tantos outros locais.

Vejamos, então, alguns elementos fundamentais da Vida Religiosa:

*Os votos: os religiosos e religiosas colocamse a serviço do Senhor pela profissão de três votos que fazem a Deus e ao povo de viverem pobres, castos e obedientes, ou sejam, não têm nada em nome próprio, querem olhar o mundo do mesmo jeito que Deus olha, abrindo o coração sem se prender a nada nem a ninguém, e ser obedientes ao Senhor, colocando-se, assim, a serviço da Igreja.

*A comunidade: a vivência desses votos se dá na vida em comum, morando em comunidades com outros irmãos ou irmãs, lembrando o conselho de que a Igreja, em seu início, “era um só coração e uma só alma” (At 4,32).

* Fermento e profecia: a Vida religiosa na Igreja sempre foi uma voz profética, sempre apontou os caminhos dos preferidos de Cristo, assumiu os desafios de cada época, apresentando alternativas para o evangelho, recordando que o amor é a plenitude da Lei e o vínculo de perfeição (PC 15).

Dentre tantos carismas, há também vários modos de se viver consagrado a Deus:

– Monges e monjas de clausura: são uma das mais antigas formas de vida religiosa. Vivem nos mosteiros, abrindo mão do espaço para estarem constantemente na presença do Senhor, na oração, no trabalho, na convivência fraterna.

– Religiosos e religiosas de vida ativa: são a maioria dos que se consagraram a Deus. Dão testemunho do Evangelho atuando no mundo em atividades das mais diversas.

– Os Institutos seculares: são pessoas que se consagram a Deus em um instituto secular e continuam a viver com suas famílias e a exercer o seu trabalho normalmente, ordenando a vida para o Senhor, “para serem assim fermento de sabedoria e testemunhas da graça no âmbito da vida cultural, econômica e política. Através da consagração, que os caracteriza, eles querem infundir na sociedade as energias novas do Reino de Cristo, procurando transfigurar o mundo a partir de dentro com a força das bemaventuranças” (VC 10).

Um olhar em Francisco

Após deixar a casa de seu pai, Francisco ainda não sabia como deveria ser o seu modo de servir ao Senhor. Um tempo depois, chegaram os primeiros irmãos.

Para ele, o dom da fraternidade foi o maior presente que Deus lhe dera. “Depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém mais precisou me mostrar o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho” (Testamento de S. Francisco). A chegada dos irmãos remete Francisco e os irmãos a viverem e a proclamarem o Evangelho, em castidade, em obediência e sem nada de próprio (RnB 1).

Francisco foi pelo mundo, foi à Terra Santa, andou por todos os cantos da Itália, mas Clara e suas irmãs ficaram no mosteiro de S. Damião, servindo ao Senhor de um jeito belo e simples.

Outros irão seguir Francisco como eremitas, outros com marido e esposa (Ordem Franciscana Secular). Não importa o meio, o importante é colocar-se a serviço do Senhor.

A FAMÍLIA FRANCISCANA

A criatividade do espírito de Deus ao longo dos tempos foi suscitando homens e mulheres para testemunharem o seu amor para com a humanidade.

Vários são os dons, os carismas as pessoas, mas um só é o espírito que move e dá dinâmica a tudo.

Na Igreja, várias pessoas ajuntaram para si seguidores e seguidoras que, a seu modo, tentaram colocar o seu carisma em suas vidas.

Temos assim, os beneditinos, os Jesuítas, os dominicanos e tantos outros movimentos que, com um modo peculiar dão testemunho do evangelho.

No caso de Francisco e Clara de Assis, nasceu a chamada “Família Franciscana”. Podemos comparar isso com uma árvore: há as raízes ( o Evangelho), o tronco (Francisco e Clara) e os galhos (as Três Ordens) que dão frutos da paz e da misericórdia de Deus.

A Primeira Ordem

Ela surgiu com o primeiro grupo dos seguidores de Francisco, que conseguiu a aprovação do papa em 1209 e foi chamada de Ordem dos Frades menores (1Cel 38), uma vez que na Idade Media,isso indicava o padrão social dos mais pobres.

Com o tempo, surgiram várias ramificações, mas atualmente temos três ramos para a primeira Ordem: os Frades Menores (OFM), os Frades Menores Conventuais (OFM conv), e os Frades Menores Capuchinhos (OFM Cap).

Todas as Três seguem a regra de São Francisco, com algumas adaptações próprias de cada uma.

 A Segunda Ordem

Este grupo é formado pelas irmãs que seguiram Santa Clara de Assis em  sua vida de clausura, Clara viveu 42 anos no mosteiro de São Damião, tendo sua Forma de Vida aprovada em 1253.

Há sempre uma aproximação dos frades e das monjas clarissas, uma vez que ambos os grupos provém de uma mesma inspiração: viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo em castidade, obediência e sem nada de próprio.

A Terceira Ordem

É formada por homens e mulheres que não são frades e monjas.

Durante a época de Francisco e Clara,entraram para a Terceira Ordem eremitas e mulheres reclusas, e casais levando uma vida de oração e penitência, prestando serviços aos mais pequeninos.

Dentre a Terceira Ordem podemos destacar 4 movimentos:

1. A Ordem Franciscana Secular formada de leigos e leigas que, em seu trabalho e na família tomam como modelo Francisco e Clara de Assis, Pertencem a um grupo especifico, tem um período de formação e professam seus votos após este.

2. A Jufra: Uma ramificação da OFS formada por crianças,adolescentes e jovens. Também tem seus estatutos,sua forma de vida.

3. A TOR: Terceira Ordem Regular, formada por religiosos e religiosas que não pertencem a uma das duas primeiras Ordens. Por exemplo, podemos citar as congregações franciscanas de vida ativa

4. Os Institutos Seculares que, ao contrário dos leigos da OFS são homens e mulheres celibatários que professam o evangelho à maneira Franciscana.

Oração

Ó Deus, que  na vossa infinita misericórdia derramastes em Francisco os favores de vossa bondade, fazei que através de seu exemplo, descubramos sempre mais vossa presença em nossas vidas. Que  nos sintamos chamados e enviados. Que digamos nosso sim com coragem e humildade. Que acreditemos no silencio que nos toma eloqüentes e na oração que nos torna forte. Que acreditemos e realizemos nossa conversão para termos a força do exemplo de converter. Ensinai-nos a ganhar tempo junto a vós, para que possamos ser os apóstolos de vossa palavra, nomeio dos homens e mulheres que esperam uma resposta. Fazei-nos outros Francisco e Claras, como eles foram fiéis seguidores de vosso filho Jesus Cristo, Amém.

 

A VOCAÇÃO PRESBITERAL

Continuadores da Missão Evangelizadora de Cristo.

Pelo Batismo, todos foram eleitos, em Cristo, sacerdotes, profetas e reis. E todos os discípulos e discípulas de Cristo devem dar bom testemunho de sua Palavra a todos os que encontrarem pelo caminho.

Dentre o sacerdócio comum dos fíéis, uma vocação se destaca no serviço aos sacramentos e na animação das comunidades: a vocação presbiteral, os padres.

O primeiro elemento que caracteriza esta vocação é o anúncio da Palavra de Deus (PO 4). Ao mesmo tempo vem a administração dos sacramentos: Eucaristia, reconciliação, unção dos enfermos, etc.

Terão sempre a tarefa de orientar os demais fiéis a discernirem a vontade de Deus na vida, e nas celebrações, deverão cuidar para educar as pessoas à maturidade cristã (PO 6). Os presbíteros, como todos os cristãos deverão sempre se comportar “a exemplo do Mestre que entre os homens não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção de muitos” (PO 9).

Dentre os presbíteros, podemos distinguir dois modos de exercer o ministério:

Os seculares: também chamados de diocesanos, são ligados diretamente ao bispo, geralmente cuidam de paróquias, capelanias em hospitais, etc. Em geral, moram sozinhos e se dedicam exclusivamente à administração dos sacramentos na paróquia;

Os regulares (religiosos): nas Ordens religiosas, alguns irmãos serão leigos e outros serão padres. De modo geral, a missão presbiteral é a mesma, com a diferença de que um religioso padre cuidará para que em seu ministério apareça o carisma de sua congregação, morará com os demais irmãos.

É importante sempre ter em mente que qualquer ministério é sempre um serviço às pessoas, não um motivo de vaidade e de grandeza. Nosso Mestre e Senhor foi a maior prova desse serviço.

Um olhar em Francisco

Para São Francisco, os sacerdotes deveriam ser reconhecidos não simplesmente pela sua pessoa, mas antes, pelo que administram. Muitas vezes, havia presbíteros em seu tempo cuja vida não era nada exemplar. Muitos os repudiavam e não acreditavam neles. São Francisco, porém, os valoriza e pedia que os irmãos os valorizassem, não simplesmente por eles, mas pelo seu ministério (Ad 26). Dia ele: “Também devemos visitar as igrejas frequentemente e venerar os clérigos e reverenciá-los, não só por eles, se forem pecadores, mas pelo ofício e administração do santíssimo corpo e sangue de Cristo, que sacrificam no altar e recebem e administram aos outros” (2Fi 33).

E aos irmãos que forem sacerdotes, Francisco faz uma bela exortação: “Rogo também no Senhor a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são e serão e desejam ser sacerdotes do Altíssimo, que todas as vezes que quiserem celebrar a missa, puros com pureza façam com reverência o verdadeiro sacrifício do santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com intenção santa e limpa, não por alguma coisa terrena nem por temor ou amor de alguma pessoa, como para agradar aos homens ; mas que toda a vontade, quanto ajuda a graça, seja dirigida a Deus, desejando agradar só ao próprio sumo Senhor, porque ali é Ele sozinho que age, como lhe agrada; porque, como Ele mesmo diz: Fazei isto em minha comemoração” (Carta a toda Ordem).

 

 

Notícias
                  
Receba as notícias e artigos da Província Santa Cruz. Cadastre seu e-mail...
Centro Administrativo | WebTop
Seth Comunicação