Província Santa Cruz - Franciscanos - OFM - Belo Horizonte, MG
Santo Franciscano do dia: Santos João Tchang, Patrício Tong, Filipe Tchiang, João Tchian e João Wang Santos João Tchang, Patrício Tong, Filipe Tchiang, João Tchian e João Wang

Seminaristas mártires de Tayuenfu (9 de Julho de 1900), canonizados a 1 de Outubro de 2000, com memória a 8 de Julho.

Juntamente com os missionários, as Irmãs e os empregados da missão de Tai-yuen-fu foram também presos 7 seminaristas, que não aceitaram separar-se dos bispos e seus missionários. As propostas do mandarim para renegarem a fé, responderam com um rotundo "não". E até recusaram o conselho dos bispos e missionários para se porem a salvo, pedindo-lhes que os deixassem tomar parte na glória do martírio. No entanto, por motivos alheios à sua vontade, só 5 vieram a ser mártires.

João Tchang (18821900) entrara no seminário aos 11 anos de idade. Era bom estudante e fiel cumpridor dos seus deveres, de caráter muito vivo, e exemplar entre os companheiros. Passara por várias escolas, progredindo muito no estudo do chinês; e tinha já iniciado o curso de teologia quando se fez terceiro franciscano. O seu feitio muito ativo e vivace obrigou-o a fortes renúncias para se dominar. Muito devoto, não passava um dia sem missa e comunhão, terço e via-sacra. Aceitou espontaneamente o martírio, recusando-se a separar-se dos companheiros.

Patrício Tong (1862-1900) tinha 12 anos quando foi recebido no seminário menor. Ao transitar para o seminário maior fez-se terceiro franciscano. O bispo Francisco Fogolla, reitor desse seminário, premiou a bondade do jovem escolhendo-o para o acompanhar numa viagem à Itália, por motivo da exposição missionária mundial de Turim eml898. Em companhia doutros chineses foi ainda à França, Bélgica e Inglaterra, deixando em toda a parte as melhores impressões. De regresso à pátria, exprimiu grande desejo de se fazer frade menor. Estava prestes a entrar para o noviciado quando se desencadeou a perseguição dos boxers. Conta-se dele uma peripécia interessante. Quando já estava na prisão, deram-lhe licença para ir buscar ao seminário um objeto que muito apreciava, e para saudar os pais, familiares e amigos. Todos o instigavam a que não voltasse para a prisão, e os pais suplicaram-lhe com lágrimas. Ele, porém, recusou todas as propostas. E para não perder a oportunidade do martírio, que tudo fazia prever que não tardaria, deu-se pressa em regressar ao cárcere. Tinha 18 anos.

Filipe Tchiang (1880-1900), seminarista, filho de cristãos fervorosos, teve mais dois irmãos que também morreram mártires da fé. Aos 16 anos sentiu o chamamento do senhor para a vida sacerdotal, e entrou no seminário, onde revelou óptimas qualidades morais. Contudo, por ser pouco inteligente, teve de enfrentar muitas dificuldades no estudo, sobretudo do latim. Apesar disso, conseguiu superá-las à custa de muito esforço e tenacidade e dum empenho assíduo, próprio das almas generosas e nobres que enfrentam todos os obstáculos para atingirem a meta proposta.

Todos, superiores e colegas, o estimavam pelas suas boas qualidades. Já tinha sido transferido para o seminário maior, onde se prepararia para o sacerdócio, quando se fez terceiro franciscano. A espiritualidade franciscana contribuiu muito para mais se aproximar de Deus. A perseguição de Yusien proporcionou-lhe oportunidade para dar a vida por Cristo, de acordo com os seus desejos e orações. Sereno e decidido subiu ao seu Calvário, onde foi decapitado quando contava apenas 20 anos. Um colega de seminário que não teve a mesma sorte, fez dele esta descrição: “Filipe era bondoso, cordial e gentil para com todos. Calmo e pacífico, cumpria escrupulosamente o regulamento do seminário. Era muito devoto, muito dado à oração e contemplação, e também dedicado ao estudo”.

João Tchang (1877-1900), primogênito de cinco irmãos, cujos pais eram católicos fervorosos mas faleceram quando ele ainda era criança. Foi educado pelos missionários; e fez tão rápidos progressos nos estudos, que os responsáveis o encarregaram de ensinar as cerimônias, o latim e outras disciplinas escolares, a companheiros mais atrasados. Era dotado dum feitio dinâmico, vivo e irascível; mas quando se sentia vítima desse seu carácter, reconhecia-se humildemente culpado perante o reitor, o bispo mártir Francisco Fogolla. Em 1897 recebeu as Ordens menores e também o hábito da Ordem Terceira de São Francisco. Um colega que não teve a graça do martírio retratou-o assim: “O João era um modelo para todos pela diligência, empenho e constância no estudo. Era além disso fervoroso na oração, participando ativamente na Eucaristia e fazendo prolongadas meditações. Assim conseguiu transformar o seu carácter vivo e duro em doçura e amabilidade. Todos aprendemos muito com ele”. Ao desencadear-se a perseguição foi preso, e embora lhe dessem oportunidade de sair, não quis, e recusou-se terminantemente a abjurar da fé quando isso lhe foi proposto. Foi martirizado aos 22 anos.

João Wang (1885-1900), filho duma família cristã cujo pai era o presidente da comunidade cristã do lugar. Assim, recebeu desde criança uma sólida formação religiosa, que orientou no bom sentido a sua índole jovial, inquieta e decidida. Manifestando desde a infância muito gosto pelas coisas espirituais, entrou para o seminário com 10 anos, e dois anos mais tarde foi escolhido com outros quatro companheiros para ir à Itália participar na Exposição Missionária de Turim, donde regressaram em 1899. Este João era o mais novo do grupo, como também no seminário era o benjamim, apreciado pelo carácter amável e jovial, além de piedoso. Em Turim era o ídolo de todos os visitantes. O seu pavilhão estava sempre cheio de gente, que não se cansava de admirar e ouvir rezar em chinês o pequeno seminarista. A Madre Maria da Paixão, fundadora das Franciscanas Missionárias de Maria, escreve a respeito dele: “João Wang era um pequeno e simpático seminarista que sabia manejar magistralmente vários instrumentos musicais chineses. As suas serenatas poderiam ser discutíveis quanto ao valor da música, mas não deixavam de ser divertidas e interessantes”.

Mesmo enquanto esteve na prisão, continuava a divertir-se e a convidar os companheiros a que fizessem como ele. Nem todos, porém, achavam isso acertado. Por exemplo o seu reitor, Fr. Elias Facchíni, considerava esse procedimento leviano, e disse-lhe certo dia: “João, o tempo não é para divertimentos; aproxima-se o momento do martírio”. E ele respondeu, sorrindo: “Mas, senhor Padre, porque é que havemos de estar tristes? Se nos matarem, não vamos para o céu? Isso até deve ser motivo de nos sentirmos e mostrarmos alegres!”.

Um sacerdote chinês, que pouco antes da matança de 9 de julho os visitara, assegura que os seminaristas estavam todos alegres, sem mostrarem qualquer receio, e passavam o tempo entre orações e brincadeiras. João Wang foi martirizado quando contava pouco mais de 15 anos, e já tinha recebido a tonsura e professado na Ordem Terceira de São Francisco.

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