Roteiro homilético para o 11º Domingo do Tempo Comum – 17 de junho
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16/06/2018 Por Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj (Vida Pastoral) Celebrações Roteiro homilético para o 11º Domingo do Tempo Comum – 17 de junho
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I. Introdução geral

As leituras de hoje tratam do agir soberano de Deus sem a dependência da intervenção humana. Primeiramente, isso é assegurado a Israel no momento da maior crise de fé do povo da aliança: o exílio da Babilônia. Quando o povo pensou que tudo estava perdido, porque não havia nenhuma possibilidade humana de solucionar o problema do retorno à terra prometida, Deus enviou o profeta Ezequiel para reanimar a esperança nas promessas divinas.

Um resto de gente humilde e desprezada permanecerá fiel. A palavra do profeta compara esse resto a um raminho que Deus cortará da copa do grande cedro e o transplantará no alto de um monte elevado. Ele crescerá e ramificará a ponto de aves de toda espécie fazerem ninho em seus ramos (Ez 17,22-23). Trata-se de profecia messiânica: Deus mesmo providenciará a solução, enviando o Salvador.

Desse modo Deus age no mundo para instaurar seu Reino, deixando de lado os grandes e poderosos e se servindo de humildes, pobres, desprezados e pequeninos, como o raminho cortado da copa ou a semente lançada no campo. Dessa imagem se serviu Jesus para falar sobre o Reino, uma realidade que não se impõe pelo poder, como os grandes impérios mundiais, mas como realidade oculta, semeada nos corações humildes e, entretanto, com força de expansão inimaginável. O Reino se impõe por intermédio dos simples e apesar das forças contrárias, porque é agir soberano de Deus na história.

II. Comentário dos textos bíblicos

Evangelho (Mc 4,26-34): O Reino de Deus é como a menor das sementes

No trecho do evangelho de hoje, temos duas pequenas parábolas por meio das quais Jesus nos esclarece sobre o Reino de Deus.

Na parábola da semente que cresce sozinha, Jesus mostra que o Reino tem uma força intrínseca, independente da ação humana. Isso já tinha sido entrevisto no Antigo Testamento, após o fracasso da monarquia. Desde então, o Reino de Deus passou a ser entendido como um reino futuro do final dos tempos, como uma ação escatológica própria de Deus e independente da ação humana. O Novo Testamento afirma que esse Reino tem início com Jesus e não se restringe ao aspecto geográfico; ao contrário, é formado por todos os que aceitam Jesus como Senhor, Caminho, Verdade e Vida.

Exceto pelo fato de ter sido semeada pelo agricultor, a semente cresce e se desenvolve sem a intervenção humana: “Pois por si mesma a terra frutifica primeiramente a erva, depois a espiga, depois o trigo pleno na espiga” (v. 28). Assim é o Reino de Deus na história, que, com base em acontecimentos aparentemente insignificantes aos olhos do mundo, provoca significativas transformações irrevogáveis.

Na segunda parábola, afirma-se que o Reino, aparentemente insignificante nos tempos de Jesus, se estenderá pelo mundo inteiro. O objetivo da narrativa está em explicitar a diferença entre a pequenez da semente e a exuberância da planta no final. Não se deve perder o foco da homilia, mencionando coisas insignificantes como opiniões de pesquisadores sobre que tipo de mostarda seria.

Trata-se de uma parábola sobre o crescimento do Reino. No primeiro momento, Jesus nos apresenta o Reino como algo que começa pequenino, semelhante a uma semente minúscula, e se desenvolve como um vegetal na época da colheita. Em um segundo momento, o Reino nos é apresentado como algo que atrai as pessoas, à semelhança de pássaros que surgem em bandos, procurando abrigo.

Há, na parábola, um contraste entre a insignificância aparente do ministério de Jesus e o desenvolvimento do Reino de Deus a partir desse ministério. O mesmo se pode concluir da atuação dos cristãos na história. Essa parábola ilustra a presença do Reino na história e a expectativa que devemos ter da plena revelação do Reino no futuro.

I leitura (Ez 17,22-24): À sua sombra as aves farão ninhos

Os descendentes do rei Davi quebraram a aliança com Deus, e grande parte de Judá foi levada para o exílio na Babilônia. Mas Deus é sempre fiel e preparou outra descendência de Davi, por meio da qual as promessas divinas seriam levadas ao pleno cumprimento.

A metáfora de uma árvore é aqui apresentada para assegurar a plena realização das promessas divinas no Reino do Messias. Do raminho cortado da copa, Deus fará uma grande árvore e a plantará num alto monte.

Naquela época, Nabucodonosor orgulhava-se de ter instaurado o grande império da Babilônia, e os exilados de Judá não viam como Deus poderia manter suas promessas. É exatamente nesse cenário histórico que entra o profeta, para assegurar que o próprio Deus está comprometido com a revitalização e a restauração da descendência de Davi. Os projetos ambiciosos dos poderosos deste mundo fracassarão, mas a ação de Deus na história é eficaz e irreversível. Quem pode arrancar o que Deus vai plantar?

O estabelecimento do Reino do Messias deverá mostrar mais claramente às nações do mundo (todas as árvores do campo) que Deus é o rei de toda a terra. O texto da profecia termina com a chamada inversão escatológica; à semelhança do Magnificat de Maria, Deus rebaixará o alto e exaltará o baixo, eis o julgamento dos poderes do mundo.

II leitura (2Cor 5,6-10): Dar frutos agradáveis ao Senhor

O texto se inicia mencionando a confiança do apóstolo. O termo traduzido por confiança, no idioma original da epístola, significa ter ousadia, ser audaz. O apóstolo está confiante, apesar de estar encarnado neste mundo e ausente da morada definitiva.

O apóstolo nos exorta a não nos apegarmos a esta vida, a este mundo. Seria preferível morrer para estar com Cristo, mas, seja lá o que aconteça, devemos nos esforçar para ser agradáveis ao Senhor. É necessário produzir frutos. O sentido mais adequado do v. 9 é: “Contudo, quer estejamos na presença do Senhor, quer vivamos exilados dele, o que nos interessa é agradar a Deus”. Estar exilado do Senhor é estar vivendo ainda neste mundo.

Todos nós seremos julgados pelo Pai, ou seja, teremos de prestar contas da administração de nossos dons e projetos de vida àquele que é fonte de nossa existência e de toda dádiva. Por isso, estar na vida presente é um risco não porque Deus seja um juiz implacável, mas porque não somos fonte de nossa própria existência: nós a recebemos de Deus, com tudo que ela tem de bom e com todas as ferramentas para transformar a nós mesmos e ao mundo. A vida aqui neste mundo exige que produzamos frutos agradáveis a Deus.

III. Pistas para reflexão

Nas parábolas, Jesus não dá uma definição sistemática do Reino. Na primeira destas parábolas de hoje, temos a exposição de como o Reino se expande com uma força que não depende dos seres humanos, mas do próprio Deus. A parábola descreve a força interna do Reino. Na segunda parábola, encontramos a visão externa do Reino. Seu crescimento seria espetacular, desde um pequeno grupo insignificante – como é a semente da mostarda – até chegar a ser uma árvore exuberante.

A homilia deverá enfatizar que o Reino é uma realidade que não se pode ignorar. Deve esclarecer que o Reino não é sinônimo de Igreja, como muitos grupos atribuem. A Igreja está a serviço da expansão dele.

O Reino não se identifica com nenhuma instituição. É a irrupção da presença de Deus na história, uma transformação e conquista não violenta, a partir do interior dos corações, as quais mudam tanto o modo de o ser humano se relacionar com Deus quanto as relações sociais, que deverão se basear nos critérios divinos, a justiça e o direito.

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