Frei Patton teme pelo “sonho dos palestinos”
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05/12/2018 Vatican News - franciscanos.org.br Notícias Frei Patton teme pelo “sonho dos palestinos”
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O Custódio da Terra Santa, o franciscano Frei Francesco Patton, em entrevista à Vatican News, falou sobre a intenção do presidente do Estado da Palestina, Abu Mazen (Mahmoud Abbas), de passar ao Ocidente e ao Papa Francisco a mensagem de que “os Estados Unidos não são mais suficientes para alcançar a paz” e que “eles não podem ser os únicos mediadores no Oriente Médio”. chefe da Igreja Católica. Abbas esteve na Itália, em audiência com o Papa. “Eu diria que é um sinal poder ver, após tantos anos, que ainda não há passos significativos. Portanto, percebe-se que o chamado projeto dos dois Estados corre o risco de evaporar gradualmente. É um projeto que parece estar continuamente desgastado pela mudança de cenário e, por isso, acho que a mensagem do Presidente Abu Mazen é, acima de tudo, diria, um grito de sofrimento. Reflete a situação que vive a grande maioria dos palestinos, que de alguma forma sente que o sonho de ter uma pátria, de ter um Estado não está ao alcance. Então, mais do que uma declaração política, talvez seja uma declaração de um fato, de um sofrimento que é o sofrimento de um povo inteiro”, disse Frei Patton.

A urgência em favorecer percursos de paz e de diálogo, com a contribuição das comunidades religiosas, para combater toda forma de extremismo e de fundamentalismo esteve entre os temas no centro do encontro do Papa, na manhã da última segunda-feira (03/12), no Vaticano, com o presidente do Estado da Palestina, Abu Mazen (Mahmoud Abbas).

Segundo Frei Patton, quem deveria fazer um trabalho de mediação que realmente contribuísse para a busca desse propósito é a comunidade internacional. “Acredito, principalmente, que as grandes nações como Estados Unidos, Rússia e União Europeia. Contudo, é tarefa das duas realidades, da classe política palestina e da classe política israelense encontrar uma maneira de realmente sentarem-se em torno de uma mesa e retomar o diálogo. Porque enquanto não houver sequer uma retomada do diálogo entre os dois interessados será difícil avançar. Não pode ser uma solução simplesmente proposta ou imposta de cima. Deve ser uma solução que veja os dois povos – a classe política dos dois povos – diretamente envolvidos. Que seja capaz efetivamente de promover o diálogo, sabendo que, para alcançar resultados, ambos devem ter uma abertura para a confiança mútua, uma linguagem que seja respeitosa, uma série de atitudes em que cada um esteja disposto a ceder algo em troca de receber algo”, acrescentou o frade, que no primeiro domingo do Advento, seguindo a tradição, fez uma entrada solene em Belém, na igreja de Santa Catarina.

Segundo Frei Patton, em Belém o Natal é vivido de maneira forte desde o início do Advento, por isso os cristãos locais podem de certa maneira deixar de lado todas as dificuldades que enfrentam. “Na verdade, em Belém é um pouco mais difícil porque é uma realidade em que os cristãos vivem cercados pelo muro que pesa no dia a dia. Somente cristãos que vivem em Gaza estão em um contexto mais difícil do que os de Belém. Para os cristãos que vivem em outras comunidades aqui na Terra Santa, é claro que há sempre o desejo de esperança. Muitos questionam explicitamente: ‘Nós rezamos muito, desejamos muito, pedimos muito, mas nunca vemos o fim dessa situação em que somos a parte frágil …'”, disse o Custódio, lembrando que a proximidade do Papa é sentida de maneira direta e muito forte, principalmente pelos confrades que vivem na Síria em situação de martírio, especialmente os da região de Idlib. “Eles vivem sob pressão diária do Jabhat al-Nusra, que é a evolução de Al Qaeda. Vivem humilhações diárias e permanecem lá para acompanhar as poucas centenas de cristãos deixados para trás num vale que anteriormente tinha alguns milhares de cristãos”, lamentou.

A Organização das Nações Unidas e a maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil, reconhecem o Estado da Palestina e, por essa razão, tanto a própria ONU quanto o governo brasileiro (e os da maioria dos países do mundo) naturalmente chamam seu presidente de “presidente palestino”, “presidente da Palestina”, “presidente do Estado da Palestina”, da mesma forma que chamam a Shimon Peres e a seu sucessores “presidente israelense”, “presidente de Israel” ou “presidente do Estado de Israel”. O Brasil, a ONU e a maioria dos países do mundo reconhecem igualmente o Estado de Israel e o Estado da Palestina.

Só os governos dos Estados Unidos e de alguns países da Europa ocidental, como o britânico, não reconhecem o Estado da Palestina, por pressão de Israel (e do mesmo modo que dezenas de países árabes e muçulmanos não reconhecem o Estado de Israel).

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