28º Domingo do Tempo Comum: homilia, cantos e pistas para reflexão
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13/10/2018 Por Rita Maria Gomes, nj (via Vida Pastoral); O Canto na Liturgia; Hinário Litúrgico III Notícias 28º Domingo do Tempo Comum: homilia, cantos e pistas para reflexão
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I. Introdução geral

A liturgia deste domingo orienta nossa reflexão para o que deve ser realmente precioso aos nossos olhos. Para tal compreensão, precisamos de um espírito livre, ou seja, nosso coração não deve ter um ídolo a ocupar o lugar de Deus. A capacidade de reconhecer em que condições estamos diante de Deus nos vem da sabedoria enquanto dom divino. É na acolhida desse dom que seremos capazes de deixar tudo que possa nos afastar do caminho de Deus expresso no testemunho do Cristo Jesus, para que possamos cantar como o salmista e dizer que o amor do Senhor nos basta.

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico (CNBB)

Partituras: Para ter acesso às partituras dos cantos desse domingo, clique aqui.

III. Comentários dos textos bíblicos

  1. I leitura: Sb 7,7-11

A primeira leitura consiste em um elogio à sabedoria. Esta, mais do que um conhecimento alcançado pelo ser humano, é dom de Deus, concedido a todos os que a pedem (cf. Tg 1,5), como fora dada a Salomão, o protótipo do sábio. Ele, consciente da grandiosidade de seu ofício e de suas limitações, pede que Deus lhe conceda um coração cheio de julgamento e a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Seu pedido agradou de tal modo a Deus, que este lhe deu não apenas um coração sábio e inteligente, a sabedoria para governar, mas também riqueza e glória (cf. 1Rs 3,4-15).

Sendo característica própria de Deus, cabe somente a ele comunicá-la aos seres humanos. Desse modo, o justo atinge a sabedoria não porque a desenvolveu ou a alcançou pelos muitos anos de vida, pela observação ou por sua experiência, mas porque a recebeu de Deus por meio do ensino ou aprendizagem da Lei (cf. Sb 6,9), norma de vida do sábio, ou pela oração (v. 7), quando a sabedoria configura o Espírito de Deus, que move o ser humano e o capacita para uma tarefa.

Nesse sentido, a sabedoria é preferível a qualquer riqueza (vv. 8-9) – considerada, no Antigo Testamento, como bênção de Deus (cf. Dt 28,3-8); mais valiosa que a saúde, a beleza e a luz do dia (v. 10), muito apreciadas pela cultura helenística, com quem dialogava o autor do livro. No entanto, a sabedoria não se opõe aos bens. Antes, é vista como a fonte e a base de todos os bens, de uma riqueza incalculável (v. 11). É a sabedoria que assegura que o ser humano aja de acordo com a Lei de Deus, com sua instrução, e, assim, administre bem a própria vida e realize sua missão no mundo.

  1. Evangelho: Mc 10,17-30

Jesus segue ensinando os discípulos no caminho para Jerusalém. O ensinamento agora girará em torno das condições e exigências do Reino, questão que comporta uma advertência sobre o perigo das riquezas e, ainda, sobre a recompensa do desprendimento.

O tema é introduzido pelo questionamento de um homem rico e piedoso que vem ao encontro de Jesus, perguntando-lhe o que deve fazer para ganhar a vida eterna. O Mestre responde, remetendo-o a Deus e aos mandamentos, os quais o homem afirma ter observado desde a juventude. Olhando-o com amor, Jesus o aconselha a vender tudo o que possui e dar aos pobres, para, depois, tornar-se discípulo. O homem, que havia se aproximado cheio de entusiasmo, foi embora abatido, porque era muito rico.

Ao discípulo não basta a observância dos mandamentos; compete-lhe o seguimento de Cristo, a imitação do seu modo de amar a Deus e servir o próximo. O cumprimento dos mandamentos, mais do que observância, expressa o amor, a entrega e a fidelidade ao Pai e ao Reino. O discipulado requer docilidade e total comprometimento. É significativo o fato de que este texto seja antecedido pelo relato do acolhimento das crianças (cf. Mc 10,13-16), no qual Jesus adverte que o Reino pertence aos que a elas se assemelham, àqueles que são capazes de, deixando para trás suas seguranças, aventurar-se a tomar a própria cruz e seguir o Mestre em seu destino. O Reino requer a liberdade e a consciência de que se encontrou valioso tesouro (cf. Mt 13,44).

Em um segundo momento, Jesus direciona o olhar para os discípulos e constata: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (v. 23). A conclusão é reiterada no v. 24, diante da admiração dos discípulos, e desta vez ainda é ilustrada pela imagem do camelo passando pelo buraco de uma agulha, que, embora exagerada, manifesta a dimensão radical do seguimento e a impossibilidade dos ricos de alcançar a vida eterna. O seguimento de Cristo comporta despojamento e generosidade, disposição para segui-lo até a morte. Quem não é capaz de renunciar aos bens materiais, como será capaz de entregar a própria vida? Uma vez mais os discípulos ficam espantados e perguntam se alguém poderá mesmo ser salvo (v. 26). Jesus esclarece que a vida eterna não é algo que se conquista, mas é dom de Deus, algo que se deve receber com o coração aberto e livre.

Já que a vida eterna é dom de Deus, Pedro intervém, perguntando sobre a recompensa do desprendimento daqueles que, deixando tudo para trás, se fiaram em Jesus e em seu chamado. Jesus deixa claro que ao discípulo não está reservada a frustração, mas uma vida plena e realizada, própria de quem se despojou de tudo por haver encontrado grande tesouro. No entanto, o discípulo não está livre de perseguições. Elas são a prova de que caminhamos no encalço do Mestre, caminho esse que nos conduz à vida eterna.

  1. II leitura: Hb 4,12-13

A segunda leitura deste domingo consiste em um elogio à palavra de Deus. O texto de Hebreus nos diz que essa palavra vem a nós comunicando vida, vigor, ânimo; é eficaz, realiza em nós sua missão, atinge o propósito para o qual foi enviada (cf. Is 55,10-11); e é mais cortante e penetrante do que qualquer espada de dois gumes, atinge e perscruta até o mais íntimo do ser humano. Nada escapa a essa palavra. Ela julga até mesmo o que não exteriorizamos. Diante dela, nada permanece oculto. É força que move a história humana e diante da qual prestaremos contas de nossa existência.

Em seu Filho, Deus pronunciou sua palavra final e decisiva (cf. Hb 1,2). Por meio dele, tudo o que existe foi criado, e a ele todos estamos destinados. Nele encontramos plena realização. Sua vida nos interpela e nos salva, questiona-nos e convoca. É oferta de vida plena e convite a orientar nossa liberdade para o amor e o serviço.

Cabe recordar aqui a parábola do semeador e as diferentes atitudes diante da pregação da palavra do Reino (cf. Mt 13,3b-9.18-23) e perguntar qual tem sido a nossa conduta. Temos escutado e compreendido essa palavra ou ela tem sido arrancada do nosso coração? Somos interlocutores que a acolhem com alegria, mas não deixamos que crie raízes e cresça em nós? Os cuidados com o mundo e o apego às riquezas têm calado ou sufocado essa palavra de vida em nós? O que se espera do cristão, de outrora e de todos os tempos, é que escute, compreenda e frutifique a palavra em sua vida.

IV. Pistas para reflexão

Jesus é palavra de Deus que interpela o rico e revela que todo o seu entusiasmo não passa de boa vontade; que o seu apego à riqueza o impede de descobrir qual é o verdadeiro tesouro e de acolher o chamado para seguir Jesus. O rico não segue Jesus por não ser capaz de renunciar à falsa segurança que lhe ofereciam seus bens. Não está disposto a pautar sua vida no amor, na generosidade e na entrega de si a Deus em favor dos irmãos.

A vida eterna, tal como a sabedoria, é dom de Deus. Ninguém, por mais que se esforce, pode alcançá-la. No entanto, é-nos ofertada em Jesus, cuja vida é caminho que, ao ser trilhado, confere plenitude, realiza em nós a vocação à qual fomos chamados: a filiação divina. A liturgia deste dia põe diante de nós as condições e exigências do discipulado. Recorda-nos que o convite ao seguimento é proposta de amor (cf. Mc 10,21). Desse modo, a renúncia dos bens e a partilha com os pobres não são uma atitude ascética, mas consequência do encontro com o Cristo, tesouro diante do qual qualquer outro bem perde o valor, como tão propriamente expressou Paulo: “O que para mim era lucro, tive-o como perda por amor de Cristo” (Fl 3,7).

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