26º Domingo do Tempo Comum: homilia, cantos e pistas para reflexão
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29/09/2018 Por Rita Maria Gomes, nj (via Vida Pastoral); O Canto na Liturgia; Hinário Litúrgico III Notícias 26º Domingo do Tempo Comum: homilia, cantos e pistas para reflexão
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I. Introdução geral

A liturgia deste dia nos convida a viver na graça da liberdade e gratuidade, bem como na justiça, dons de Deus. A primeira leitura e o evangelho orientam para a liberdade que vem do próprio Deus, o qual concede seus dons a quem lhe apraz e ensina, desse modo, o que espera de seu povo: viver segundo seus desígnios, sem compreender-se possuidor de Deus (cf. Nm 11) nem do Cristo (cf. Mc 9) e, principalmente, sem usurpar o direito dos pobres. O salmista nos recorda que a lei do Senhor é perfeita, ou seja, justa e reta, e, por isso mesmo, alegra o coração. É com base na liberdade e na justiça e retidão divina que não se pode aceitar um modo de proceder injusto (cf. Tg 5).

II. Sugestão de cantos litúrgicos de acordo com o Hinário Litúrgico III (CNBB)

III. Comentários dos textos bíblicos

  1. I leitura: Nm 11,25-29

Moisés sentia-se sufocado pelos inúmeros problemas que tinha de resolver todos os dias. O Senhor então lhe promete um conselho de setenta anciãos, para ajudá-lo a conduzir o povo através do deserto (cf. Nm 11,17).

Os anciãos, recebendo a porção do espírito que Moisés possuía, puseram-se a profetizar (cf. Nm 11,25), ou seja, entraram em êxtase e falavam em nome de Deus, como acontece também em 1Sm 10,5-12 e 19,20-21. O transe profético atestava a presença do espírito de Deus na comunidade e, assim, suscitava entusiasmo, ardor, piedade e devoção. Tal acontecimento, embora caracterizasse o fenômeno profético na sua origem, não consistia em um elemento essencial e indispensável, a julgar pela experiência do próprio Moisés, de quem fora tirada uma parte de seu espírito para ser repartida entre os setenta anciãos, mas, ao que se pode verificar, não vivenciou o êxtase aqui descrito.

Haviam permanecido no acampamento dois homens que tinham sido escolhidos para formar parte do conselho e deveriam estar com os demais em torno da tenda. E, onde estavam, começaram a profetizar. Isso indica que o dom do espírito é dado por Deus a quem ele escolheu e esse dom não está ligado a um lugar determinado. Deus é livre e concede seus dons a quem quer, onde e quando quer. Não age segundo os nossos critérios, mas conforme sua bondade.

Josué era ajudante de Moisés e não admitia que os dois homens recebessem a porção que lhes cabia do espírito profético, pois não estavam junto ao grupo dos anciãos. Reclama o uso exclusivo do dom, como se este fosse um prêmio ou um título de honra oferecido a um grupo de privilegiados, como se não implicasse um serviço a todo o povo, em vista de quem o espírito profético fora concedido. “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta” (Nm 11,29). É essa a resposta dada por Moisés a Josué.

Em Jl 3,1-2, o desejo de Moisés se converte em promessa de Deus. O profeta é chamado pelo Senhor e enviado para falar e agir em seu nome. Vive em estreita relação com Deus, de modo que conhece sua vontade e, assim, tem o compromisso de anunciá-la aos outros. E isso cabe a todos nós.

  1. Evangelho: Mc 9,38-43.45.47-48

No texto que precede o evangelho de hoje, Jesus havia dado aos discípulos um ensinamento sobre o serviço: o maior entre eles era o servidor de todos (cf. Mc 9,35). Como Josué, no texto de Nm 11,25-29, João toma a palavra e reporta a Jesus a informação de que pessoas não pertencentes ao grupo dos discípulos expulsavam os demônios em nome do Mestre (cf. Mc 9,38). E, por não seguirem o grupo, haviam sido impedidos de fazê-lo. Isso indica que os discípulos não haviam superado a rivalidade e a sede de grandeza que, pouco tempo antes, haviam sido repreendidas por Jesus.

Ele, contudo, ordena que não proíbam e os ensina a agir com tolerância e sabedoria: “Quem não é contra nós é a nosso favor” (v. 40). Pertencer ao grupo dos discípulos não implica privilégio, prestígio e exclusividade. Antes, o grupo dos seguidores de Jesus deve saber sua responsabilidade para com os pequeninos na fé (v. 42) e, principalmente, estar vigilante sobre a própria conduta (vv. 43-48).

Aos discípulos é indicado o caminho da acolhida, tanto da parte deles em relação aos “de fora” como da parte daqueles que os recebem por serem de Cristo (v. 41), pois, acolhendo-os, acolhem a Jesus e, em consequência, Aquele que o enviou (cf. Mc 9,37), e assim não deixarão de ser recompensados. Se a acolhida comporta uma recompensa, a escandalização dos pequeninos – feito mais grave do que a morte por afogamento, na qual o sujeito fica privado de sepultura – também tem consequências. Escandalizar não significa dar mau exemplo nem agir de modo a suscitar revolta, mas pôr obstáculos no caminho de fé das pessoas.

O tema do escândalo abarca também a ocasião da própria queda. Assim, tais ocasiões devem ser extirpadas de uma vez por todas, já que o escândalo é acompanhado pelo risco de perder a vida, de ir para o inferno ou ser jogado nele (vv. 43.45.47). O imperativo de amputar a mão, o pé ou o olho é hiperbólico. Acentua a gravidade do escândalo e, ao mesmo tempo, a necessidade de uma opção radical pelo Reino.

  1. II leitura: Tg 5,1-6

No Discurso sobre a Montanha (cf. Mt 5-7), Jesus aconselha o não acúmulo de riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e os ladrões assaltam e roubam (cf. Mt 6,19). Nesta segunda leitura, o autor da carta de Tiago dirige um lamento sobre os ricos que, oprimindo e explorando os pobres, fazem exatamente o oposto do que Jesus havia dito. Sua riqueza está apodrecida, suas vestes carcomidas pelas traças e seu ouro e sua prata, corroídos pela ferrugem (vv. 2-3). Há completo descompasso entre a proposta de vida cristã e a conduta dos ricos.

Temos aqui a denúncia da injustiça dos ricos que não cumprem a Lei de Deus, pela ganância exploram os trabalhadores e fazem valer sua força contra quem não pode se defender; que levam uma vida acintosa e fausta em detrimento dos pobres, cujo trabalho sustenta a boa vida dos seus patrões, de quem não recebem o devido pagamento. No entanto, o grito dos trabalhadores chegou ao ouvido do Senhor (v. 4), como na época em que o povo de Deus era escravo na terra do Egito (cf. Ex 3,7). Foi para que o povo vivesse em liberdade que o Senhor o tirou da terra da escravidão e deu-lhe uma Lei, a fim de não repetirem a atitude dos egípcios, que não criam no Deus de Israel, não o adoravam nem experimentaram sua salvação.

Nesses tempos do fim, o tesouro acumulado testemunhará contra os ricos. Será a prova de sua maldade e injustiça, a prova de que se recusam a obedecer ao mandamento do Senhor. A fé comporta a exigência de uma solidariedade humana incondicional e inegociável. É inseparável do amor, que se traduz em atos.

IV. Pistas para reflexão

A fé em Jesus Cristo significa adesão não apenas ao seu projeto, mas à sua pessoa, à sua vida, às suas escolhas e doação amorosa. Implica a adesão a uma Pessoa plenamente aberta, cuja vida se move a partir de Deus e em direção aos irmãos. Por agir com plena liberdade e abertura, Jesus não admite que seus discípulos privatizem seu nome (cf. Mc 9,39), mas ensina-lhes o caminho da tolerância e da acolhida. Revela-se um Messias que não se deixa manipular, tampouco aceita que o grupo dos seus seguidores se torne uma sociedade fechada, de direitos exclusivos. Antes, exorta-o ao cuidado e à responsabilidade para com os pequenos e para com a própria vida.

A liturgia denuncia as dificuldades dos discípulos em seguir Jesus, em compreender seus ideais, ensinamentos e valores. Eles estão obstinados por ambição e sede de poder e, por isso, não admitem um Cristo que oferece o dom de si até a morte. A atitude de João não é a atitude de um discípulo de Jesus. Deve ser corrigida de imediato, pois ameaça e compromete a plenitude da vida própria do seguimento de Cristo.

O pontificado de Francisco está baseado no projeto de uma Igreja em saída rumo às periferias existenciais, uma Igreja que, renunciando à tentação de viver autocentrada, vai ao encontro, a exemplo de seu Mestre, dos que não fazem parte dela. Uma Igreja aberta ao diálogo, hospitaleira e missionária, cuja vida é constante atitude de saída. Para isso, vale recordar que somos o povo escolhido de Deus cuja missão, no entanto, é ser sal da terra e luz do mundo, anunciar a boa-nova do evangelho a todos os povos. Assim, não há lugar para um pensamento exclusivista e intolerante aos que pensam diferente de nós e/ou não nos seguem.

Somos povo que caminha confiante nas promessas divinas. Que o Senhor nos guarde de não acolher sua mensagem de perdão e misericórdia, não agir conforme a Palavra que recebemos e não nos deixarmos afetar pela vida de Jesus. Que o Senhor nos dê a graça e a coragem de olhar e acolher Jesus, sua vida e sua proposta, tal como ele se revela, e não de acordo com a imagem que dele fizemos.

V. Comentário de Frei Oton, OFM no Canal Palavra de Vida: O Evangelho ao nosso alcance

 

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