Economia a serviço do carisma e da missão
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04/12/2018 CRB Economia a serviço do carisma e da missão
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O contexto atual está marcado por graves questões econômicas que desafiam nossa vida, nossa missão e nosso modo de administrar os dons recebidos de Deus. Recentemente, vários Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica enfrentaram sérios problemas de natureza econômica. Conhecendo esta realidade, o Papa Francisco achou oportuno convidar a vida religiosa consagrada para uma profunda reflexão sobre a importância da economia, sobre a corresponsabilidade na gestão das obras, oferecendo critérios e indicações práticas para a administração dos bens. É importante repensar em profundidade a economia e a gestão das obras próprias dos consagrados à luz da fidelidade ao Evangelho e ao carisma do instituto.

Com o objetivo de ajudar nesta reflexão, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica lançou o documento Economia a serviço do carisma e da missão. Publicado no dia 06 de janeiro de 2017 e aprovado pelo Papa Francisco, na audiência do dia 12 de dezembro de 2017, o documento traz a assinatura de João Braz Card. De Aviz, prefeito, e de Dom José Rodriguez Carballo, Arcebispo-secretário. O subtítulo, tirado da primeira carta de Pedro 4,10, sintetiza de forma criativa, o seu conteúdo: “Como bons administradores da multiforme graça de Deus”.

Esta reflexão situa-se na linha de continuidade de outros textos publicados pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de vida apostólica. Lembramos, particularmente, as quatro Cartas editada por ocasião do Ano da Vida Consagrada: Alegrai-vos, Perscrutai, Contemplai e Anunciai, e as reflexões contidas no texto Vinho novo, odres novos.

Trata-se de um documento de cunho teológico-espiritual sobre os dons recebidos de Deus. É um convite à reflexão sobre o modo como estamos usando os dons recebidos de Deus e sobre o tipo de administradores que somos da multiforme graça de Deus. A economia dos religiosos hoje deve estar a serviço da missão. Por conseguinte, deve ser uma economia solidaria. A partir desse pressuposto, é importante refletir e responder à pergunta: como colocar os bens a serviço das pessoas e dos institutos religiosos e da missão?

A estrutura deste documento contempla quatro capítulos, além da introdução e da conclusão.

O primeiro capítulo, Memória vivente do Cristo pobre, delineia o rosto de Cristo pobre, como novidade do Evangelho, mostra como o caminho de Jesus foi o da pobreza. “Os pobres foram sempre o centro da atenção de Jesus, que buscou dar-lhes dignidade, vida, possibilidade de viver em plenitude a sua humanidade” (n. 9). O Papa Francisco, no início do seu pontificado, afirmou: “Desejo uma Igreja pobre para os pobres”. À luz do Evangelho, a economia é instrumento da ação missionária da Igreja, por conseguinte deve ser uma “economia evangélica de partilha e comunhão” (n.14 e 16).

O segundo capítulo, O olhar de Deus: Carisma e missão, mostra como a relação entre carisma e visão de futuro é constitutiva da missão própria dos institutos, que são chamados a viver o próprio carisma na “espera das coisas futuras a partir de um dom já presente”; evidencia a necessidade de discernimento e de planejamento. O Papa Francisco sublinha que os carismas “são dons para renovar e edificar a Igreja. Não se trata de um patrimônio fechado, entregue a um grupo para que o guarde: mas são presentes do Espírito integrados no corpo eclesial (n. 28). Os carismas manifestam a sua autenticidade evangélica na fraternidade e no interior das nossas fraternidades” (n. 31).

O terceiro capítulo, Dimensão econômica e missão, convida a avaliar a sustentabilidade das obras. Para isto, é necessário adotar um método que considere cada aspecto e todas as inter-relações possíveis, particularmente nas “dimensões carismáticas, relacional e econômica, seja de cada uma das obras, seja o conjunto do instituto” (n. 34). Retoma os quatro princípios da Evangelii Gaudium: o tempo é superior ao espaço (EG n. 222-225); a realidade é mais importante do que a ideia (EG n. 231-233); o todo é superior à parte (EG n. 234-237); a unidade prevalece sobre o conflito (EG n. 223-230).

O quarto capítulo, Indicações práticas, sublinha os grandes horizontes no qual se inserem as atividades econômicas: uma economia que tenha presente o ser humano, de modo especial os pobres, seja instrumento da ação missionária na Igreja, uma economia evangélica de partilha e de comunhão (n. 50). Este horizonte se concretiza em alguns critérios fundamentais: fidelidade a Deus e ao Evangelho, fidelidade ao carisma, pobreza, respeito a natureza eclesiástica dos bens, sustentabilidade das obras, necessidade de prestar contas, as sãs tradições do instituto, o contexto jurídico e social (n. 51-52). Por fim, lembra alguns aspectos de natureza organizativa, jurídica e legal.

Este documento é exigente e pede uma séria reflexão, pessoal e comunitária, e um amplo discernimento, tendo presente a fidelidade ao carisma e ao evangelho, neste momento histórico em que enfrentamos grandes problemas de natureza econômica.

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Vera Ivanise Bombonatto: Pertence à Congregação das Irmãs Paulinas. É doutora em Teologia Dogmática, responsável pela área de teologia e membro do Conselho Editoria de Paulinas e do Conselho Editorial da Revista Convergência.

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