A Escuta na Catequese
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28/05/2018 EPC A Escuta na Catequese
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Por Tania Pulier[1]

A palavra “catequese”, de origem grega, é formada por katá (a partir de) e echos (voz, fala, eco). Se partimos de uma voz, da Palavra de Deus que ecoa no mundo na pessoa de Jesus Cristo, a escuta não se constitui em elemento imprescindível na catequese? Que lugar ela tem tido nos encontros que realizamos?

A Carta aos Romanos afirma com clareza: “A fé entra pelo ouvido, ouvindo a mensagem do Messias” (Rm 10,17). A fé cristã foi transmitida de geração em geração, desde os primeiros “com Jesus”, aqueles que o acompanharam e fizeram a experiência do Crucificado Ressuscitado.

Encontraram nele a plenitude da vida e o confessaram como o Cristo – o Messias – e o Filho de Deus, que revela o Pai e entrega o Espírito. Esse mesmo Espírito os impulsionou a testemunharem sua experiência, e quem ouvia e se abria à “mensagem do Messias” abraçava a mesma fé, deixando-se transformar e continuando o anúncio que chega aos nossos dias.

Infelizmente, houve um tempo em que a catequese perdeu de vista a experiência e centrou-se no conteúdo. A sabatina de perguntas e respostas abstratas enchia as cabeças de ideias, mas não alimentava a fé, nem aquecia os corações; e muito menos respondia aos desafios da vida. Hoje, a Igreja insiste na renovação da catequese, num resgate da Iniciação Cristã, de caráter mistagógico, que introduz no Mistério, centrado na experiência. No entanto, é preciso ter cuidado para não colocar “remendo de pano novo em roupa velha”, como já alertava Jesus (Mc 2,21), pois o rasgo pode ficar pior. Não adianta usar um vocabulário novo, dinâmicas e até meios modernos de comunicação se faltar o ingrediente que faz toda a diferença, a escuta, que só funciona se for multilateral – de catequizandos para catequistas e vice-versa, e de cada membro para o outro.

Catequizandos chegam com suas vivências familiares e escolares, amizades, dúvidas, questionamentos, alegrias e dores e é a partir desse chão que se evangeliza. O Ressuscitado manifesta-se aos discípulos onde eles se encontravam – a caminho ou fechados. Somente a partir da escuta de cada pessoa e da acolhida de sua realidade é possível oferecer uma palavra ou levar a buscar juntos como a Palavra se encarna aí, como ilumina o que se está vivendo.

O papel de catequistas é ajudar a fazer a experiência do encontro com Jesus que ama cada um no que é e vive e convida a amar, de forma concreta, na realidade em que se está inserido, a começar pelo próprio grupo e comunidade. Pela acolhida, pela escuta livre de preconceitos e julgamentos, por uma ambientação favorável, pelo dinamismo e também por criar momentos de silêncio e oração, o catequista torna-se facilitador(a) desse encontro. E só o será se busca também, cada dia, o face a face com Jesus. Assim, pode-se dizer que a fé entra pelo ouvido no encontro com o Messias que se dá no “entre”, pois é no dinamismo do encontro entre as pessoas que estão na catequese e escutam-se mutuamente que o Ressuscitado se manifesta e se pode afirmar por experiência: “Ele está vivo e presente no meio de nós!”.

Via coluna de “Catequese” em paulus.com.br

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[1] Tania Pulier é co-autora da coleção “Creio na Alegria: caminho da fé cristã nos passos do Credo”, publicada pela Paulus. Trabalha com o desenvolvimento da interioridade para uma vida plena. Orienta cursos, encontros e palestras e acompanha pessoas pela espiritualidade. É graduada em Comunicação Social pela UFMG e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Cursa a especialização em Psicoterapia Junguiana no Ijep. Participa como leiga da Família Missionária Verbum Dei e da Comunidade de Vida Cristã (CVX).

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