A comunicação na encíclica ‘Laudato si’: criaturas interligadas
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25/10/2018 Ir. Helena Corazza, fsp A comunicação na encíclica ‘Laudato si’: criaturas interligadas
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A visão de comunicação da encíclica é comprometida com valores solidários para a transformação da realidade, onde “todas as criaturas estão interligadas”: o ser humano e a natureza, na “casa comum”.

Falar de comunicação é complexo, pela diversidade de visões existentes nos estudos e práticas cotidianas. Uma das mais comuns é de reduzir o conceito à mediação das tecnologias ou aos conteúdos a serem transmitidos, enquanto considera-se menos a comunicação no ambiente, nos entornos, nas pessoas que comunicam e nas relações entre os elementos que dela fazem parte, uma vez que comunicar é colocar em comum, compartilhar, relacionar-se entre os seres humanos, as coisas e o criado. Um olhar comunicacional pode ajudar a descobrir aspectos existentes na pessoa que comunica e no modo como o faz, como é o caso desta encíclica Laudato si’ do papa Francisco.

A primeira consideração é a pessoa do papa Francisco e seu modo de expressão. Ele estabelece um universo comum com o interlocutor a partir dos conteúdos, da memória que evoca, das imagens que oferece em seu texto, do modo de expressar, do envolvimento pessoal e veracidade do que diz e como o diz. Coerente ao discurso da “cultura do encontro” e de Igreja “em saída”, sua linguagem é próxima e carregada de afeto capaz de encantar pela ternura, evocando a arte e a beleza. Nem por isso, descuida da análise da realidade, o que confere à sua comunicação uma densidade crítica para questionar sistemas e paradigmas.

O título da encíclica traz elementos da cultura milenar, evocando o santo que fez seu louvor à natureza, aproximando o ser humano do mundo criado numa grande fraternidade. Francisco é lembrado pelo Papa como exemplo do “cuidado do que é frágil” e de uma “ecologia integral”. Ao acrescentar, “sobre o cuidado da casa comum”, evoca igualmente elementos culturais como é o cuidado e a casa, lugar de aconchego e segurança. Trabalhar a partir do imaginário presente na cultura é um modo de fazer com que a mensagem seja compreendida e toque o coração de um maior número de pessoas, independente do seu credo. Falando da casa comum, ele também afirma que “é preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana”.

Ao falar de uma “ecologia integral” e considerar que o universo e “todas as criaturas estão interligadas”, da relação entre a natureza e quem a habita, o papa revela sua visão holística e a necessidade de compreender e relacionar-se com a “casa comum” na totalidade, considerando as várias partes em que tudo está em diálogo. Partindo de uma análise da realidade ecológica e social com o avanço das tecnologias, a carta reflete sobre questões do meio ambiente e a relação da ciência e do capital em vista do lucro e, tantas vezes, do descarte humano, “degradação do ambiente e degradação social”.

O olhar comunicacional desta encíclica envolve elementos relacionais entre o ser humano e a natureza, obras do Criador. Para Francisco, uma “ecologia integral” requer abertura e transcende a linguagem das ciências exatas colocando em contato com a essência do ser humano. A comunicação com toda a criação estabelece uma relação comunicativa que envolve  acolhimento, diálogo,  inclusão, escuta das pessoas e “os gritos da natureza”.

Jesus que “trabalhava com as próprias mãos”, trazendo os valores da partilha e da solidariedade de modo que, segundo Francisco, “não se pode propor uma relação com o ambiente, prescindindo da relação com as outras pessoas e com Deus”. Na sua relação com o Criador e a natureza Jesus fala dos “pássaros do céu”, do “grão de mostarda”, serve-se de parábolas para ajudar a entender o Reino de Deus.

Em se tratando das descobertas tecnológicas como a revolução digital, a nanotecnologia, partes do criado e resultado da criatividade e da inteligência humana, enquanto agradece coloca o desafio do seu poder que coloca a “casa comum” numa encruzilhada: como colocar a tecnociência a serviço de um desenvolvimento sustentável? Pode-se afirmar que esta encíclica reflete uma comunicação comprometida com valores solidários para a transformação da realidade, onde o ser humano e a natureza estão interligados.

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